Estação de tratamento de esgoto é inaugurada em Timóteo

O equipamento é composto, também, por laboratório para análises, 11,5 quilômetros de redes coletoras de esgoto, 31,16 quilômetros de interceptores e 7,2 quilômetros de linhas de recalque

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Sistema integrado de esgotamento sanitário de Timóteo e Coronel Fabriciano foi inaugurado nessa quarta-feira

Com investimento estimado em R$ 104,8 milhões, foi inaugurada nessa quarta-feira (27), em Timóteo, a primeira etapa do sistema integrado de esgotamento sanitário de Timóteo e Coronel Fabriciano. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE Limoeiro) foi construída na área adquirida da Colônia Agroeducacional Nova Esperança (Caene) e vai tratar os efluentes das duas cidades. Dez estações elevatórias vão bombear o esgoto produzido até os tanques de tratamento. Atualmente todo o esgoto in natura é despejado nos córregos e ribeirões, afluentes do rio Piracicaba, que integra a bacia hidrográfica do já castigado rio Doce.

O equipamento é composto, também, por laboratório para análises, 11,5 quilômetros de redes coletoras de esgoto, 31,16 quilômetros de interceptores e 7,2 quilômetros de linhas de recalque (transporte de efluentes).

Em nota, a Copasa informa que a ETE Limoeiro está em operação desde setembro deste ano e já apresenta eficiência na remoção de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) da ordem de 78%, atendendo aos parâmetros da legislação ambiental. Com o funcionamento da estação, cerca de 82% dos esgotos coletados na cidade de Timóteo e 55% dos esgotos coletados na cidade de Coronel Fabriciano passam por um completo tratamento antes de serem devolvidos ao Rio Piracicaba.

O diretor-presidente da Copasa, Carlos Eduardo Tavares de Castro, informou que estão previstos outros investimentos no Sistema Integrado no próximo ano. “Já está assegurado no nosso plano de investimentos a ampliação desta unidade, assim como outras ações de melhorias que serão necessárias nas duas cidades para que num futuro próximo a Companhia possa atingir índices de tratamento da ordem de 95% em Timóteo e Coronel Fabriciano, padrões pouco encontrados no Brasil atualmente”, explica.

Para o presidente da FIEMG Regional Vale do Aço, Flaviano Mirco Gaggiato, a obra trouxe diversos benefícios para a região. “Se você ler em qualquer livro de história o mais importante para a melhoria da saúde da população é o tratamento do esgoto. Além disso, o Vale do Aço recebeu grandes investimentos, como: compras de materiais que somam quase R$ 30 milhões, cerca de 200 empregados diretos e cerca de R$ 3 milhões de ISS (Imposto Sobre Serviços). São diversos benefícios que a população não percebe, mas são importantes para o desenvolvimento de toda região”, afirma.

Histórico

Há mais de 20 anos o tratamento de esgoto é esperado nas duas cidades. Em Coronel Fabriciano, uma mobilização realizada em 2007 impediu que a ETE fosse construída entre os bairros Santa Terezinha e Amaro Lanari. Por isso, quando foi projetada a ETE em Timóteo, a concessionária optou por bombear o esgoto até o outro lado do Piracicaba, para que fosse tratado antes de ser devolvido à natureza.

Timóteo também tem uma luta de décadas para o tratamento do esgoto. No município, o projeto sempre esbarrou na resistência da população em não pagar a taxa de esgoto, recurso com o qual a companhia financia a construção das ETEs e mantém o serviço. Ainda hoje, a instituição da taxa gera batalhas judiciais e serve de munição nos bastidores da política local.

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Para a administração de Timóteo, instalação da ETE unificada ocorreu sem qualquer discussão prévia ou consulta à população
Para governo municipal, faltam motivos para comemorar início de operação de ETE

Conforme nota divulgada pela administração municipal de Timóteo, a entrada em operação da ETE Limoeiro, “lamentavelmente, não é motivo de comemoração para o Município de Timóteo, pois o tratamento de esgoto em Timóteo não é percebido pela maioria da população que não enxerga, nem tampouco usufrui, dos supostos benefícios com a coleta e transporte do esgotamento sanitário”.

A nota enfatiza que a atual gestão de Timóteo entende que a construção de uma ETE unificada é boa apenas para a Copasa, pela economia gerada no processo, ao deixar de construir um equipamento semelhante em Coronel Fabriciano. “O Município de Timóteo pleiteou várias compensações para os bairros da Regional Leste com os recursos economizados no processo de unificação, uma vez que somente a sociedade timoteense será atingida pelos impactos de tratar o esgoto da cidade vizinha”.

Conforme o governo, como resultado de uma Ação Civil Pública (ACP), protocolada pela atual gestão em 2018, a Copasa chegou a anunciar investimentos de mais de R$ 7 milhões para resolver o problema da falta de abastecimento de água na Regional Sul, mas muito pouco foi feito até o momento para regularizar o fornecimento, provocando inúmeros prejuízos à população dos bairros situados nessa regional. “Vale ressaltar que o Município promoveu um diagnóstico que apontou vários problemas por toda a cidade”, acrescenta a nota.

Tratamento de esgoto

Em 2011 foi anunciada a construção da ETE do bairro Limoeiro, após a retomada do convênio com a concessionária do serviço público.

Em 2014, a concessionária iniciou a cobrança da taxa de esgoto equivalente a 50% do valor do consumo, com a promessa de investimentos de mais de R$ 10 milhões para o abastecimento de água e outros R$ 45 milhões para a implantação do sistema de coleta, transporte e tratamento do esgoto.

“A decisão pela unificação do tratamento de esgoto dos municípios de Timóteo e Coronel Fabriciano, no ano de 2014, foi concretizada no ato de assinatura de financiamento pela Copasa junto à Caixa Econômica Federal por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), sem qualquer discussão prévia ou consulta à população e aos vereadores sobre a sua instalação unificada das duas cidades no bairro Limoeiro e sobre os impactos que isso provocaria”, afirma o governo.

Por fim, a nota acrescenta que a cidade de Timóteo está sofrendo nos últimos meses uma situação crônica de falta de abastecimento de água em vários bairros, causando transtornos e mudança de rotina na vida da população. “Diante desse relato, o atual governo decidiu por não participar da inauguração da ETE motivado pela forma com que o processo foi conduzido. Ao mesmo tempo, aguarda posicionamento da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgoto de Minas Gerais (Arsae-MG) de todas as questões apontadas. A atual gestão estuda ainda a contratação de uma consultoria especializada para analisar o contrato de concessão e, eventualmente, tomar as medidas necessárias para fazer valer o direito da população de ter uma cidade ambientalmente equilibrada", conclui.
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Comentários

Vitor 28 de Novembro, 2019 | 12:27
Infelizmente os prefeitos não estão nem ai para saneamento básico porque não da voto,mas parabéns aos envolvidos na obra,o Rio Doce agradece.
Eu 28 de Novembro, 2019 | 11:58
Enquanto isso, os bairros em Ipatinga, estão sem água.

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