Alex Ferreira
O velório de Maria Angélica reuniu familiares, amigos e ciclistas no cemitério Vale da Saudade, no domingo
No próximo domingo, dia 27, uma manifestação irá chamar a atenção de toda população e, principalmente, daqueles que trafegam pelas vias. Sob o tema “Chega de mortes”, ciclistas de todo o Vale do Aço irão às ruas. No último sábado (19),
um acidente vitimou a presidente da Associação Comercial e Câmara de Dirigentes Lojistas de Coronel Fabriciano (Acicel-CDL), Maria Angélica Rodrigues Nunes, que morreu após ser atingida por um veículo utilitário (furgão) descontrolado, na avenida Maanain, entre os bairros Iguaçu e Cidade Nobre, em Ipatinga. Ela integrava um grupo de ciclistas.
Organizador do ato, o ciclista Tasso Carvalho destaca que o número de acidentes de trânsito precisa ser divulgado e combatido. “Vamos fazer essa manifestação para procurar chamar a atenção da população, dos motoristas e de todos, sobre as mortes que tem ocorrido no trânsito, não só de ciclistas, mas de pedestres e de outras pessoas que estão nas vias. A ideia é abranger as três cidades. O pedal deve sair de Timóteo, passando por Coronel Fabriciano e seguindo para Ipatinga. Não é correto dizer que o ciclismo é perigoso. Mas sim a nossa vida. Às vezes a pessoa pode estar correndo ou caminhando e ser atingida. Para deixar de ser perigoso, temos de conscientizar as pessoas a proteger os mais frágeis no trânsito”, alerta.
Tasso Carvalho acrescenta que as principais dificuldades enfrentadas estão ligadas à falta de conhecimento das pessoas, de que o ciclista também faz parte do trânsito e que tem o direito de trafegar. “As pessoas têm que ter essa noção, mas a maioria não tem. Em vez de reduzir a velocidade, acelera e não mantém a distância mínima de 1,50 metro do ciclista. O município pode fazer campanhas de conscientização, para tornar o trânsito mais humano. É importante colocar placas, outdoor, algo que chame a atenção. As leis existem para proteger os mais frágeis, mas além de não ter fiscalização, não tem punição para que comete alguma infração”, lamenta.
PerdaSobre a morte de Maria Angélica, Tasso e os demais ciclistas ficaram abalados com o acidente. “Foi um baque. Ela é muito querida, tinha sorriso fácil. Quando recebemos uma notícia como essa, de um colega que pratica o mesmo esporte que você, fica aquela preocupação ‘poderia ter sido comigo’. A mensagem que deixamos é que não podemos deixar de praticar o esporte, temos de pensar que não é só no ciclismo que isso acontece. Há pouco tempo uma pessoa foi atropelada na faixa de pedestres por um motoqueiro. Se pensarmos, não saímos de casa. Precisamos fazer manifestações, chamar a atenção para tornar nosso esporte mais seguro. Quanto mais as pessoas entenderem que tem um pessoal cuidando da saúde, fazendo uma atividade física e divertindo, mas que ali também tem um pai, uma mãe de família e um filho. Precisamos proteger uns aos outros no trânsito”, concluiu.