Clube Alfa é vendido por R$ 4,25 milhões

Conforme a ata da audiência, 30% do valor da venda do clube deverá ser feito até o dia 7 deste mês e restante poderá ser pago em 12 parcelas

Alex Ferreira/Arquivo DA


Clube Alfa antes de fechar as portas, em setembro de 2018
Atualizado em 03/10 às 09h08
A área do Clube Alfa, no bairro Horto Malaquias, em Timóteo, foi vendida na manhã desta quarta-feira (2) por R$ 4,25 milhões (além dos impostos) para a empresa Incorporadora Seletiva de Imóveis Ltda. A venda foi feita em audiência, realizada sob a direção do juiz da Vara do Trabalho de Caratinga, Jonatas Rodrigues de Freitas.
Conforme a ata da audiência, 30% do valor da venda devem ser quitados até a próxima segunda-feira (7) e o restante poderá ser pago em 12 parcelas. A informação foi confirmada ao Diário do Aço pelo advogado Rafael Mendes, de Coronel Fabriciano, que atua na defesa de ex-funcionários do clube de lazer.

Rafael Mendes destacou a importância da venda do Clube Alfa. “Por meio dessa venda será possível colocar fim em quase 50 ações trabalhistas, para que os ex-empregados possam receber seus direitos básicos, como salário, férias, 13º e FGTS, que não vinham sendo pagos, assim como horas extras”, afirmou.

Valor suficiente

O advogado também explicou que o valor mínimo de venda da área do clube era de R$ 5 milhões, mas na penúltima audiência, ficou decidido que poderia ser reduzido para R$ 4,25 milhões. “Assim, a empresa que comprou por esse valor também ficou responsável pelo pagamento de todos os tributos em dívida do imóvel, que estão em torno de R$ 750 mil. Vale destacar também que todo esse valor é suficiente para pagar os processos trabalhistas dos ex-empregados do clube”.

Reclamações

Conforme já publicado pelo Diário do Aço, em julho deste ano, o advogado Rafael Mendes foi procurado em março de 2018 por nove empregados do clube, com reclamações de atraso de salário. Durante investigação, os reclamantes se surpreenderam com a ausência do recolhimento do FGTS e contribuição previdenciária de quase cinco anos.
Eles entraram com a ação solicitando a rescisão indireta. “Entramos com a ação em abril de 2018 e ganhamos. O Alfa não recorreu e daí começou a fase de liquidação da sentença”, informou o advogado, à época.

Dívidas trabalhistas

Conforme o advogado, o valor total das dívidas trabalhistas do clube, em julho deste ano, contando com juros, correspondia a cerca de R$ 3 milhões, sendo que o número de ex-trabalhadores envolvidos no processo variava entre 30 e 40. “Cresceu bastante esse valor. No início desse imbróglio, nem todos os empregados tinham entrado no processo, alguns ainda estavam trabalhando no clube. Atualmente, não tem ninguém prestando serviço no local e o clube está fechado, com os portões trancados”, explicou na época.

Procurado pelo Diário do Aço, o advogado da administração do clube, Renato Martins, ressaltou que o Alfa já passava por dificuldades financeiras há mais de 10 anos e as direções anteriores tentaram amenizar os problemas de todas as formas possíveis, mas chegou a um ponto que não deu mais para continuar com as atividades do clube. “Começaram também a surgir ações trabalhistas que culminaram no fechamento da unidade em Timóteo. Em razão disso, o clube foi vendido nesta quarta-feira para pagar essas dívidas. Agora, o Alfa vai continuar funcionando apenas em Lagoa Bonita, em Revés do Belém”, afirmou o advogado.

Clube não se adaptou ao esvaziamento de associados

O Clube Alfa está fechado desde setembro de 2018, quando os gestores alegaram que não tinham mais recursos para pagar os empregados, fornecedores, energia elétrica, gás para a sauna e insumos para o parque aquático, entre outros. Ao mesmo tempo, antigos funcionários da sede campestre Lagoa Bonita, em Revés do Belém, igualmente atingidos por atrasos de salários, ingressaram com ações na Justiça do Trabalho, o que começaram a bloquear os poucos recursos que o clube ainda detinha, com a arrecadação de mensalidades e portarias.

A situação de declínio do Clube Alfa, um dos mais importantes de Timóteo, foi atribuída ao histórico de falhas administrativas ao longo de 20 anos, quando houve a redução significativa do quadro de associados, principalmente depois da privatização da antiga Acesita.

Planejado para abrigar cinco mil associados, em seu auge, o clube passou a enfrentar a saída ininterrupta de associados, com os anos de crise financeira e desemprego. Inicialmente, era um clube de funcionários da antiga Acesita, hoje, Aperam. Depois foi aberto à comunidade, mas nem isso impediu a queda no quadro de associados.
Ao fim das contas, em 2018, menos de 600 pessoas integravam o seu quadro, entre os sócios cotistas e os sócios contribuintes e, ainda assim, com inadimplência na casa dos 30%.

Com as contas no vermelho ao longo de 20 anos, uma das saídas dos gestores anteriores foi o parcelamento e venda de ativos do clube, com a comercialização de lotes ao redor, na área doada pela antiga Acesita. Os imóveis foram vendidos e as dívidas não foram quitadas em sua totalidade, o que também levanta questionamentos acerca das operações.

Ocorre que, em 2015, a direção da Aperam não concordou com esse procedimento e, sob o argumento de descumprimento de cláusula do contrato de uso do imóvel, ingressou com uma ação na Justiça reivindicando a retomada da posse de toda a área. Essa foi considerada a “pá de cal” que faltava para o fim do clube.

A diretoria da entidade, alegando que não tinha recursos para pagar advogados e enfrentar a direção da siderúrgica, partiu para uma negociação. Em 2017, um acordo estabeleceu que a Aperam retomaria a posse de 24 hectares de terras no bairro Horto Malaquias, a maior parte em área de preservação, deixando para o Alfa os atuais 6 hectares, que foram vendidos por decisão judicial nessa quarta-feira. O acordo de dois anos atrás também assegurou a doação escriturada do imóvel ao clube composto pela portaria, ginásio, campo de futebol e o parque aquático. Com a venda desses ativos o clube deixa de existir definitivamente.

Quanto à sede campestre Lagoa Bonita, área de lazer, camping e pesca amadora localizada a nove quilômetros do distrito de Revés do Belém, em Bom Jesus do Galho, a área pertence à Aperam. Com o fim do Alfa estuda-se o repasse da área para outra entidade.

(Tiago Araújo - Repórter)

Já publicado:
Juiz determina a venda do Clube Alfa no valor mínimo de R$ 5 milhões
Clube Alfa negocia para quitar dívidas trabalhistas
Entenda a tentativa de salvar o clube em Timóteo
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Comentários

Jose Fernandes da Silva 03 de Outubro, 2019 | 16:07
Triste fim ! É muito lamentável ! É quase que inacreditável, a situação a que chegou. O ALFA foi ponto de grandes e saudosos eventos.

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