Wôlmer Ezequiel/Arquivo DA
Nesse ano, o Centro Socioeducativo de Ipatinga já registrou casos de fuga de internos e tentativa de homicídio
A situação no Centro Socioeducativo (CSE) de Ipatinga parece que se complica cada vez mais. Recentemente, uma denúncia anônima enviada ao Diário do Aço revelou que uma professora da unidade quase se tornou uma refém de um interno. Esse caso ocorreu no dia 24 de junho passado e foi confirmado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sesp).
Conforme a denúncia, um adolescente que estava na sala de aula pegou uma tesoura e rendeu a professora, exigindo uma conversa com a direção. “A situação ficou tensa, mas os agentes presentes conseguiram desarmar o adolescente. A professora foi encaminhada ao hospital. Será que ela terá condições psicológicas para retornar ao trabalho?”, questiona o denunciante anônimo.
O episódio que envolveu a educadora, entretanto, foi apenas mais um dentre tantos outros problemas relacionados à agressividade dos “menores em conflito com a lei”, como são chamados os internos.
Procurada pelo Diário do Aço, a assessoria de Comunicação da Sesp informou, por meio de nota, que em relação à professora, no dia 24 de junho, um agente socioeducativo interveio quando um jovem tentou fazer a professora de refém no refeitório, liberando-a da situação de risco. “A professora foi encaminhada para exame de corpo de delito, mas não sofreu ferimento. O adolescente passará por comissão disciplinar da unidade, para se responsabilizar sobre o ocorrido”, informou a nota.
Escabiose Outra denúncia anônima também aponta que vários adolescentes estariam com escabiose (também conhecida como sarna), no CSE em Ipatinga. No entanto, a Sesp relatou que, no momento, apenas um apresenta os sintomas da doença. “Ele já passou por avaliação médica e está em tratamento na unidade socioeducativa”, informou a nota.
Fugas Nesses últimos meses, o CSE de Ipatinga teve um período conturbado, marcado por fugas, tentativa de homicídio e denúncias colhidas durante uma visita da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais (ALMG).
Somente no mês passado, foram registradas duas fugas de internos do CSE de Ipatinga.
No dia 23 de junho, um adolescente de 16 anos escapou de uma escolta de agentes socioeducativos, na avenida Roberto Burle Marx, no Parque Ipanema. Ele era interno do CSE e participava de uma atividade quando ocorreu a fuga, auxiliado por outros jovens, sendo que alguns eram ex-internos do CSE. Já no dia 15 de junho, um adolescente de 15 anos, durante a realização de uma das tarefas diárias, pulou o muro dos fundos do Centro Socioeducativo e fugiu.
Tentativa de homicídioOutro caso grave, registrado no CSE em 2019, foi quando um interno, por pouco, não foi morto por enforcamento, dia 21 de abril. Ele foi vítima de uma agressão em um dos alojamentos (celas) do CSE, ação praticada por outros três internos, dois adolescentes de 15 anos e um terceiro de 16 anos de idade.
Visita de comissãoConforme publicado pelo Diário do Aço, no dia 17 de maio, o CSE de Ipatinga recebeu a visita de uma comitiva constituída por representantes do Ministério Público, Defensoria Pública e a co-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas Gerais (ALMG), deputada estadual Andréia de Jesus (Psol). Nessa visita foram feitas entrevistas com internos, agentes socioeducativos e demais funcionários da unidade.
Com base nesses depoimentos, a comitiva elaborou um relatório que aponta agressões, maus-tratos, torturas físicas e psicológicas, alimentos estragados, alojamentos sujos, péssimas condições de trabalho, plantões prolongados, problemas de infraestrutura e dentre outros.