Um dos vigilantes é apontado pela polícia como envolvido direto no crime, e conforme a polícia, agiu na companhia de um primo, que é serralheiro, conforme informou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na noite de sábado (11), após a prisão da dupla.
O ataque ocorreu no fim da noite de sexta-feira (10), por volta das 22h. O vigilante, G.G.S., de 42 anos, responsável pelo turno da noite, foi rendido por dois homens encapuzados, no momento em que entrava na cozinha. Eles agrediram a vítima com golpes de coronha da arma, que um dos autores usava, e depois amarraram o vigilante G.G.S.
Os criminosos ficaram com o vigilante sob a guarda até às 5h da madrugada. Enquanto isso, eles abriram o caixa do Banco do Brasil utilizando um maçarico e roubaram uma grande quantia em dinheiro do equipamento. No local, no térreo do prédio do judiciário ipatinguense, há outro caixa eletrônico, do Banco Itaú, que não chegou a ser arrombado.
Depois de roubar o dinheiro do caixa eletrônico, a dupla foi até a sala da central de monitoramento, onde ficam os equipamentos que gravam as imagens das câmeras de segurança do fórum, e danificaram alguns desses equipamentos. O alvo foram os discos-rígidos (HDs) que armazenam as gravações. Em seguida, os assaltantes fugiram no Chevrolet Corsa hatch, que pertence ao vigilante G.G.S.
Assim que o profissional soltou-se das amarras fugiu pela janela da cozinha para acionar a PM. Mais tarde, o veículo levado foi encontrado abandonado, nas proximidades da estrada de acesso da BR-381 ao bairro de Ipaba de Santana do Paraíso (Ipabinha), na região do Projeto Garrafinha. Após ser vistoriado, o carro foi removido ao pátio credenciado.
Neste momento, a polícia já começava a juntar as peças do quebra-cabeça. O vigilante que trabalhou durante o dia, Wenderson Pereira dos Santos, de 32 anos, estava desaparecido. Ele havia dito para a mulher que iria trabalhar à noite em um evento, em um hotel, porém, esse fato não ocorreu. A mulher, inclusive, chegou a acionar a PM para relatar que não conseguia entrar em contato com o marido.
Vigilante virou suspeito Com esta situação, os policiais passaram a suspeitar que Wenderson poderia estar envolvido no caso, pois também não havia sinais de arrombamento para entrar no fórum. Em uma das tentativas de falar com o marido, o primo dele atendeu ao telefone e contou que estavam em Timóteo. Depois ele ligou falando que, na verdade, estavam em Governador Valadares.
Assim que os PMs foram até a casa do primo do vigilante, Michel Gomes de Souza Porto, de 31 anos, que trabalha como serralheiro, descobriu que ele também tinha contado uma história para seus parentes segundo a qual iria fazer um trabalho no hotel durante a noite e, por isso, levou equipamentos e ferramentas de serviço. Os policiais descobriram que o serralheiro havia prestado serviço no Fórum no mês de março.
Os policiais então passaram a procurar pelo carro do suspeito, um Chevrolet Corsa sedan. No fim da tarde de sábado, os policiais de Joanésia depararam com o veículo suspeito com os dois suspeitos em sem interior. Ao fazer a vistoria no carro, apreenderam vários pacotes de dinheiro. Uma réplica de pistola semiautomática também estava com a dupla.
Confessaram o crime Com o flagrante, Wenderson e seu primo Michel Gomes confessaram a participação no ataque ao Fórum de Ipatinga. Eles levaram os policiais onde guardaram os equipamentos, cilindros do maçarico e o restante do dinheiro, na casa de uma amiga de Michel.
Em uma pousada, em Mesquita, os militares encontraram mais dinheiro e as roupas que os primos usaram no ataque ao fórum. Ao todo, foram recuperados R$ 49.985 levados do equipamento do banco, conforme informou o Gaeco ao Diário do Aço.
Os dois presos foram encaminhados para a sede do Gaeco e autuados em flagrante pelo delegado Gilmaro Alves, caso acompanhado pelo capitão PM Fábio Castro e o promotor Bruno Schiavo. Os três falaram à imprensa, ainda na noite deste sábado, e informaram que o caso será investigado para ver se há mais alguém envolvido. “Geralmente, nestas situações, há envolvimento de mais pessoas”, afirmou o promotor.