Wellington Fred
Familiares das vítimas acompanharam o julgamento e pediram justiça
Levado a julgamento perante o Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal da Comarca de Ipatinga, o farmacêutico Victor Lúcio Braga, de 36 anos foi sentenciado a uma pena de quatro anos, um mês e 23 dias de detenção no regime semiaberto. Victor sentou-se no banco dos réus na terça-feira (9) devido a um
acidente de trânsito, no dia 26 de fevereiro de 2011, quando ocorreu a morte do casal, José Raimundo Rodrigues, 78 anos, e Luzia Júlia Rodrigues, 71 anos. Outras pessoas se feriram atingidas pelo carro que Victor conduzia pela rua Morangos, no bairro Limoeiro, em Ipatinga.
O Ministério Público denunciou Victor duas vezes no homicídio simples e ainda por três tentativas de homicídio. Ele respondeu pelos crimes por estar na condução de um veículo que, segundo a denúncia, estava em alta velocidade. Conforme consta no processo, o condutor, com sintomas de embriaguez, perdeu o controle do veículo e atingiu as vítimas, que estavam na calçada.
A defesa de Victor tentou a desclassificação dos crimes para homicídio culposo e lesão corporal culposa, ou seja, quando não há vontade de cometê-los. O juiz de Direito, Antônio Augusto Calaes de Oliveira, pronunciou o farmacêutico por homicídio com dolo eventual praticado na direção de automóvel e definiu, após os recursos dos advogados do farmacêutico, a data do julgamento.
A sessão do Tribunal do Júri começou por volta das 9h desta terça-feira no Salão do Júri Vito Gagiatto, no Fórum da Comarca de Ipatinga. O juiz Antônio Calaes presidiu o julgamento e trabalharam na acusação, o promotor Gustavo Vilaça e o advogado Henrique Adriano da Silva Teixeira. O advogado Jayme Rezende e sua banca de advogados defenderam o réu.
Arquivo/Diário do Aço
José Raimundo e Luzia Júlia morrem depois de serem atropelados em fevereiro de 2011
Familiares das vítimas acompanharam o julgamento com faixas, camisas e estavam com esperança de uma punição para o motorista. “Ficaram muitas saudades. São oitos anos de espera, espera de julgamento e esperamos que a justiça seja feita. A gente só quer justiça”, afirmou ao Diário do Aço, Marcilene Rodrigues, de 48 anos, filha do casal de idosos que morreu no acidente.
Após oito horas de julgamento, o Conselho de Sentença acatou a tese da defesa e desclassificou os crimes para homicídios e tentativas de homicídio com dolo eventual para homicídios culposos (sem intenção) e tentados no trânsito, conforme prevê a legislação de trânsito.
Com a decisão, o caso passou para a competência do juiz singular. Antônio Augusto Calaes sentenciou o réu Victor pelos crimes, totalizando quatro anos, um mês e 23 dias de detenção no regime semiaberto. O juiz determinou, ainda, a suspensão da CNH de Victor por quatro meses e quatro dias. O farmacêutico recebeu o direito de recorrer em liberdade. As partes, não concordando com a sentença, têm prazo para recorrer da decisão do Júri.
O acidenteVictor dirigia um VW Gol e perdeu o controle da direção do veículo atingindo as duas vítimas idosas, que estavam sentadas em um banco, na calçada, e outras três pessoas que estavam próximas. Na ocasião, por pouco o motorista do carro não foi linchado por populares que ficaram revoltados com a situação e foram contidos por policiais militares.
A população enfurecida ameaçava incendiar o veículo no pátio credenciado, para onde foi levado após ser apreendido depois do acidente. O pátio fica localizado no mesmo bairro onde ocorreu o atropelamento. Por isso, o carro teve que ser removido para a Delegacia de Polícia Civil. O motorista, que negou estar embriagado, foi liberado na delegacia após prestar depoimento e teve a CNH apreendida.