Policial civil foi vítima de latrocínio, afirma delegado
Sob comoção, amigos e colegas de trabalho prestaram homenagens no sepultamento de Aquiles Andrade, 34 anos
17/11/2018 às 05:22
Enviada para o WhatsApp Portal Diário do Aço
Aquiles Luiz tinha 33 anos e era lotado na Delegacia da PC em Ipatinga
Atualizado às 18:58h
Sob comoção e homenagens prestadas por amigos e colegas de profissão, foi sepultado no fim da tarde de sábado (17), no Cemitério Parque Senhora da Paz, em Ipatinga, o corpo do policial civil Aquiles Luiz de Andrade, de 34 anos.
Conforme a investigação da Polícia Civil, aquiles foi vítima de um latrocínio (roubo seguido de morte da vítima). Nas buscas feitas por policiais militares e civis, nove pessoas foram conduzidas à Delegacia de Polícia Civil. Desse total, a polícia afirma ter provas do envolvimento de quatro: Roberth de Oliveira Farias, de 20 anos, Maxuel Marlon Gomes Laia, de 25 anos, Alysson Braz Gonçalves, de 23 anos e Daiany Cristina Goderio Santos, de 23 anos.
Em entrevista ao Diário do Aço, no começo da noite desse sábado, o delegado de Polícia Civil, Eduardo Vinícius, afirmou que várias testemunhas já foram ouvidas no caso, e imagens de câmeras de segurança estão sendo usadas para apurar o caso.
Conforme o delegado, Aquiles estava no interior do bar e, em determinado momento, ao caminhar para o banheiro esbarrou numa pilastra e sua arma, uma pistola .40 que estava em sua cintura caiu no chão. Os indivíduos que estavam por perto aproveitaram para apanhar a arma e se recusaram a devolvê-la ao policial.
O delegado afirma ter provas segundo as quais os três homens presos planejavam roubar a arma do policial há mais tempo e o fato dele tê-la deixado cair ao chão apenas apressou a execução do plano de roubo da pistola.
“Diferentemente do que eles afirmaram durante a madrugada, assim que foram presos, o Aquiles não importunava a mulher que estava com eles. As testemunhas não reconhecem a afirmação de que houve essa importunação. Isso é a versão deles, para justificar o ato”, afirmou o delegado.
Conforme restou apurado, assim que se apoderaram da arma, os envolvidos foram para a rua foram perseguidos pelo policial, exigindo a pistola de volta. Já na via pública foram efetuados os disparos.
“Já sabemos que quem apanhou a pistola e quem também efetuou os tiros contra Aquiles foi Alysson Braz. Ele, inclusive, é o único entre os quatro, que nega a autoria do crime. Sabemos que mesmo com a vítima caída no asfalto, Alysson foi até ela e ainda efetuou mais um disparo, um tiro de misericórdia contra Aquiles. E o mais importante é que estamos com provas que eles planejavam, antes, o furto da arma do policial”, reafirmou o delegado.
A arma do policial, conforme o delegado, foi encontrada na casa de Daiany Cristina, escondida dentro de uma caixa de descarga de vaso sanitário. “Foi embrulhada em um preservativo e sacola de supermercado e colocada dentro da caixa. A intenção deles era colocar a arma no mercado”, concluiu o delegado.
Ainda sobre o fato de estar com uma arma, no momento de folga e em um bar, o delegado acrescentou que a lei apenas não permite que o policial esteja armado e em estado de embriaguez. Nesse sentido o exame de necropsia poderá apontar o nível alcoólico em que se encontrava a vítima. A entrevista completa está no vídeo logo abaixo.
Sobrevivente de grave acidente
O policial civil Aquiles era sobrevivente de um grave acidente registrado em Ipatinga no dia 23 de março de 2017, quando a viatura em que ele estava envolveu-se em um grave acidente, na alça de acesso da avenida Pedro Linhares Gomes (BR-381) com a avenida Cláudio Moura (BR-458), no bairro Novo Cruzeiro.
Na época, o investigador Fagner Merquíades dos Santos, de 35 anos, condutor da viatura, chegou a ser hospitalizado, mas não resistiu e morreu. Dois presos que estavam no carro e Aquiles Andrade tiveram apenas ferimentos leves.