30 de maio, de 2017 | 08:10

Antigo Hospital São Camilo suspende novos atendimentos em Fabriciano

Os pacientes que já estão internados no hospital receberão atendimento normalmente

Com atualização às 18h10
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Antigo Hospital São Camilo teve que fechar as portas temporariamente Antigo Hospital São Camilo teve que fechar as portas temporariamente


As portas do Hospital Doutor José Maria Morais, antigo São Camilo, de Coronel Fabriciano, foram fechadas por tempo indeterminado na madrugada desta terça-feira (30), devido a total falta de condições de atendimento no local. O médico cirurgião que trabalha no hospital, Felippe Feitosa, detalhou ao Diário do Aço sobre a situação na unidade.

“Nesse momento o hospital está com cinco pacientes internados na sala de emergência, onde cabem apenas três. Seis pacientes estão na sala de sutura. Três pacientes internados na sala de entrada dos consultórios. Um paciente internado no bloco cirúrgico e outros pacientes internados até mesmo em cadeiras. Ou seja, não há espaço para novos atendimentos”, explica.

Outro problema citado pelo médico é a falta de remédios e materiais essenciais para poder cuidar dos pacientes no hospital. “Fui na farmácia hospitalar e recebi a informação de que falta de medicamentos básicos, como alguns antibióticos, analgésicos, anti-hipertensivos. Também faltam materiais para coletar sangue e realizar exames básicos”, ressalta.

Entenda
No dia 9 de maio o prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius, anunciou que o município iria assumir a gestão pela do hospital, porque o contrato com o governo do Estado com a Sociedade Beneficente São Camilo venceu naquele dia e não foi renovado. Ficou acertado com o estado o suporte financeiro com repasses para a manutenção da instituição.

Para o período de transição no hospital que passou a ser chamado de José Maria Morais, foi indicada a Beneficência Social Bom Samaritano, de Governador Valadares . Mas a transição não ocorreu como o esperado e resultou na crise do atendimento.

Organização
O médico acrescentou que o fechamento provisório do Pronto Socorro é para que o hospital possa se organizar melhor. Além disso, o atendimento aos pacientes que já estão internados vai continuar normalmente.

“Durante esse intervalo de tempo, estaremos transferindo pacientes, dando alta, liberando novas vagas para um atendimento digno e seguro à população. Muitos pacientes ortopédicos estão aguardando cirurgia neste hospital”, observa.
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Na madrugada, um médico chamou a Polícia Militar dado o clima tenso criado no local Na madrugada, um médico chamou a Polícia Militar dado o clima tenso criado no local

Conforme o médico, os pacientes que não precisam de cirurgia ortopédica serão atendidos, enquanto os que precisam já estão cadastrados no SUS-Fácil e aguardam vaga em outros hospitais. “Os demais pacientes do hospital temos condição de tratar bem. Desde que tenhamos farmácia abastecida, laboratório funcionando, materiais básicos e espaço físico adequado”, garante.

Salários atrasados
O advogado do corpo clínico, Maicon Reis, informou que os profissionais também estão preocupados em relação ao pagamento dos salários, já que estão três meses sem receber. “Nada foi formalizado ainda, então hoje temos médicos que estão trabalhando no hospital, mas o contrato de prestação de serviço deles foi rescendido pela São Camilo. Então eles não sabem para quem eles respondem e de quem vão receber a partir do dia 10. Temos também a enfermagem e a administração do hospital com a carteira assinada ainda pela São Camilo”, explica.

O advogado também esclarece que o estado não tem nenhum débito relativo ao Hospital São Camilo de Coronel Fabriciano. “O que parece que aconteceu é que são algumas glosas médicas, porque a São Camilo não bateu algumas metas que tinha que ter batido, o que prejudicou o pagamento dos salários”, afirma.

São Camilo Timóteo também pode parar
O advogado Maicon também representa o corpo clínico do Hospital São Camilo Timóteo/Vital Brazil, que possui como mantenedora a São Camilo. Segundo ele, os médicos da unidade também estão dois meses sem receber o pagamento, por causa disso que decidiram paralisar as atividades a partir do dia 10 de junho. O corpo clínico realizará apenas o atendimento de pacientes classificados pelas cores laranja e vermelha, que significam, respectivamente, muito urgente e emergência.

Tanto o prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícus, quando o prefeito de Timóteo, Geraldo Hilário, ambos médicos, fazem reuniões para ações que evitem o pior: o colapso no atendimento hospitalar no Vale do Aço, uma vez que o Hospital Márcio Cunha, e Hospital Municipal Eliane Martins, em Ipatinga não teriam capacidade para absorver a demanda gerada pelas entidades hospitalares das cidades vizinhas.

Solução para a crise está à espera de negociações

Os prefeitos, de Coronel Fabriciano e de Timóteo passaram o tempo em busca de uma solução para evitar que o atendimento hospitalar entre em colapso. Até o fechamento da edição, entretanto, não houve anúncio de uma solução.

O secretário de Governança de Saúde de Coronel Fabriciano, Ricardo Cacau, explicou que desde o dia nove de maio, a São Camilo, que não faz mais parte da administração do hospital, deveria ter dado baixa na carteira de trabalho de seus contratados. “Além disso, eles deveriam ter pago os fornecedores e os médicos, porém nada disso foi feito. Como o contrato iria acabar no dia nove de maio, o município de Fabriciano teve que assumir a gestão plena, porém não pode esquecer que o hospital é público, sendo financiado 100% pelo estado e Ministério da Saúde”, detalhou.

O secretário acrescentou que o município aguardando o termo de cessão que dará acesso legal aos recursos e suplementos.

Timóteo
Já em Timóteo a Secretaria de Saúde divulgou nota com a informação que a crise no atendimento hospital em Coronel Fabriciano já sobrecarrega Centro de Saúde João Otávio (CSJO), unidade de urgência intermediária, que atende a uma crescente demanda nas últimas três semanas, com cerca de 30 casos de pacientes graves que permaneceram em suas dependências até por uma semana, sem que o centro conte com Internação Hospitalar, estrutura necessária pós a estabilização do quadro clínico desses pacientes.

Com isso foi acionado o Hospital São Camilo Timóteo para internar os pacientes socorridos, “o que tem se mostrado decisivo para evitar-se o agravamento e complicações de quem precisa da assistência à saúde no município”.

A secretaria acrescenta que, com a crise instalada pela interrupção da entrada de novos pacientes no Hospital José Maria Morais de Coronel Fabriciano, o Centro de Saúde João Otávio e o Hospital São Camilo somente atenderão a casos graves. Os casos menos graves serão atendidos apenas nas unidades básicas de saúde.





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Comentários

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Maria

31 de maio, 2017 | 07:07

“Eles estão mandando os pacientes para as unidades básica de saúde, mas esta faltando médicos. Tem um mês que estou tentando marcar uma consulta com um clínico, e não consigo. E estou esperando uma mamografia desde novembro, tenho que fazer esse exame uma vez ao ano porquê é um controle.Moro em Timóteo.”

Maria

31 de maio, 2017 | 06:56

“Eles estão mandando os pacientes para as unidades básica de saúde, mas não tem médicos. Tem um mês que estou tentando marcar uma consulta com um clínico, e não consigo.”

Gildázio Garcia Vitor

30 de maio, 2017 | 13:58

“E o plano de saúde dos vereadores e de seus dependentes, quando sai Xingozinho?”

Márcio Bidi Pezão

30 de maio, 2017 | 13:34

“Se fizer um inventário com certeza o principal HERDEIRO é o pt !!!!”

Gildázio Garcia Vitor

30 de maio, 2017 | 13:18

“E o médico-prefeito, Dr. Marcos Vinícius, está preocupado em construir um Centro Administrativo. Mire-se no exemplo do ex-presidente do seu partido, o Aé sim, e na Cidade Administrativa por ele "construída".”

Welington

30 de maio, 2017 | 12:20

“O quê me deixa pé da vida é que temos dois médicos administrando essas duas cidades ,tudo podia cair mas a saúde teria que ser espelhos dos seus trabalhos.”

Welington

30 de maio, 2017 | 12:19

“O quê me deixa pé da vida é que temos dois médicos administrando essas duas cidades ,tudo podia cair mas a saúde teria que ser espelhos dos seus trabalhos.”

Morador Indignado

30 de maio, 2017 | 11:17

“Esses medicos devem trabalhar de graça? tem que comprar insumos com o proprio dinheiro? atender e manter os pacientes um em cima do outro? tudo com recurso proprio? Esse povo que administra os hospitais e o poder publico ta tudo de brincadeira, garanto que em grande maioria houve o repasse do estado, o dinheiro so nao chegou onde deveria. Apoio a atitude dos profissionais.”

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