04 de março, de 2016 | 16:22

Lideranças do PT no Vale do Aço comentam operação Lava Jato

Luiz Inácio Lula da Silva e o Instituto Lula, foram alvos da operação da PF


IPATINGA – Após a Polícia Federal (PF) deflagrar a 24ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Aletheia, lideranças do PT no Vale do Aço avaliam a situação. Na manhã dessa sexta-feira, a casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo (SP), e o Instituto Lula, foram alvos da operação. O objetivo é dar continuidade às investigações de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros praticados por diversas pessoas no contexto do esquema criminoso revelado e relacionado à Petrobras, conforme divulgou a PF.

Após a ação, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que jamais se recusou a dar depoimentos à Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato. "A minha bronca é com o Ministério Público Estadual. Não precisaria levar uma coerção à minha casa, e às dos meus filhos. Não precisava, era só ter me comunicado. Antes dele, já fazíamos a coisa correta nesse país”, disse. A operação recebeu o nome de Aletheia  em referência a uma expressão grega que significa busca da verdade.

O presidente do partido em Ipatinga, John Charles de Morais, avalia que não havia embasamento jurídico para o que foi feito com Lula. “Delação premiada não é prova. O medo da oposição e de todos que perseguem o partido, é que Lula venha candidato em 2018. Estão tentando sangrar a imagem do ex-presidente e do PT. Mas somos muitos, somente na região somos 4 mil e não vamos sucumbir”, disse.
O ex-prefeito de Coronel Fabriciano, Chico Simões, que preside o PT naquele município, acredita que a ação representa o enfraquecimento de todos os partidos. “É uma afronta à democracia. Lula foi tratado de maneira arbitrária. Em nenhum momento se negou a dar informação, mas um juiz, mancomunado com a grande mídia, tomou essa atitude. Vejo que a democracia está sendo agredida. Estão tentando sangrar o PT”, destacou.

Por sua vez, o presidente do diretório em Timóteo, Wilson Pedro, também atribui a condução coercitiva do ex-presidente Lula em uma tentativa de enfraquecimento do partido. “Digo isso porque, ao longo dos anos, não vimos uma ação semelhante para averiguar denúncias contra Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso, por exemplo. Em razão disso, cremos que estão tentando enfraquecer o PT. Defendemos qualquer tipo de ação de combate à corrução, mas o que fizeram foi absurdo”, opinou.
O presidente do partido em Santana do Paraíso, Jeová Pereira de Jesus, estava em reunião até o fechamento desta edição.

O coordenador regional do PT do Vale do Aço, Jardel Lopes, não acredita que a situação irá enfraquecer o partido. Para ele, Lula é um ídolo nacional, um ícone, e sua imagem não será manchada. “Estão montando uma ação de desgaste porque Lula deve voltar à disputa eleitoral em 2018. Os candidatos querem derrubá-lo e se uniram para isso. Querem culpar o PT por tudo, mas não vamos aceitar”, assegurou. 

Estado
A presidente do PT no Estado, Cida de Jesus, disse que o partido está perplexo. Para ela, a ação da Polícia Federal contra o ex-presidente Lula é, também, uma afronta ao estado de direito. “Nada justifica um mandado de condução coercitiva contra um ex-presidente que colaborou inúmeras vezes depondo espontaneamente ou quando convidado. Também não há nenhuma pista e prova contra ele”, pontua.
Conforme a nota, desde a derrota do senador Aécio Neves, em outubro de 2014, “o país acompanha inúmeras tentativas de golpe”, que buscam desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o PT e manchar a história do maior líder do povo brasileiro. “O voto e a liberdade de escolha são valores imprescindíveis de um regime democrático e devem ser protegidos contra quaisquer tentações golpistas. Se a elite deseja voltar a governar o país, precisa, antes, vencer as eleições. Não vai ter golpe, vai ter luta”, conclui.
 


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