27 de fevereiro, de 2016 | 09:00
Dissídio coletivo na Usiminas
Sem acordo salarial, primeira audiência entre sindicato e empresa ocorre no dia 8 de março
IPATINGA Após diversas reuniões sem acordo entre Usiminas e o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), a campanha salarial da categoria metalúrgica será decidida na Justiça. O sindicato entrou com pedido de dissídio coletivo contra a empresa na semana passada. Agora, a situação será debatida no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em Belo Horizonte. A primeira reunião está agendada para o dia 8 de março.
Dentro dos trâmites, haverá a primeira audiência, que é de conciliação. Neste momento, se reúnem um mediador, juiz, representantes do sindicato e da empresa, para tentar um acordo. Havendo nova proposta, o sindicato pode levar para assembleia e, caso seja aprovada, chega ao fim a discussão. Caso isso não ocorra, o juiz julga o processo.
A diretoria do Sindipa afirma que, em todas as reuniões na usina e nas três que ocorreram no Ministério do Trabalho, a companhia não apresentou nenhuma proposta para pagar sequer as perdas já acumuladas com a inflação, que fechou em novembro do ano passado (data base da categoria) em 10,33%.
Não estou muito esperançoso de que no dia 8 tenhamos novidades, pois a empresa está irredutível. Pedimos o mínimo que são as perdas e acredito que vai tentar deixar para mais tarde, porque a briga entre acionistas está dificultando a definição dessa situação”, disse o presidente do Sindipa, Hélio Madalena Pinto.
Ainda conforme o representante do sindicato, o dissídio sobre a Campanha Salarial não pode retirar direitos já garantidos na Convenção Coletiva, ou seja, não se pode acabar com o retorno de férias, como é temido por alguns trabalhadores.
Usiminas
Por sua vez, a Usiminas destaca que mais de mil metalúrgicos querem que o sindicato convoque assembleia, uma vez que a entidade não levou nenhuma das seis propostas apresentadas para apreciação dos trabalhadores. O grupo de empregados solicitou, por meio de abaixo-assinado, que o Sindipa coloque uma das propostas de Acordo Coletivo 2015 em votação. O documento foi protocolado no sindicato, na própria empresa e no Ministério do Trabalho. A companhia vem mantendo duas propostas em mesa, de modo a permitir que o sindicato possa atender ao pedido dos empregados.
Por meio de sua assessoria, a Usiminas esclarece que acredita na via negocial para a conclusão do Acordo Coletivo com os trabalhadores da usina de Ipatinga. Já foram realizadas dez reuniões e apresentadas seis propostas. Dessa forma, a empresa não concorda com o processo de dissídio coletivo, uma vez que não há impasse e a empresa continua disposta a negociar com o Sindipa. No entanto, na última reunião entre empresa e sindicato, marcada para o dia 19 de fevereiro, o Sindipa não enviou representante.
A empresa ressalta ainda que o mercado siderúrgico brasileiro passa pela pior crise de sua história. Conforme o Instituto Aço Brasil (IABr) que congrega as principais usinas produtoras, o mercado nacional registrou queda de 16,7% no consumo de aço em 2015 em relação a 2014, que por sua vez já havia sido 6,8% menor do que em 2013.
Nesse cenário, a Usiminas divulgou prejuízo líquido da ordem de R$ 3,6 bilhões no ano passado, além de já ter executado uma série de ações para contenção de custos ao longo dos últimos meses, como o desligamento de um alto-forno na usina de Ipatinga e a paralisação temporária da produção de aço em Cubatão.
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