Divulgação IEF/MG
A expectativa é que, após as ações de consolidação, o Parque Estadual se torne uma unidade de conservação mais visitada e com melhor entrega de serviços à sociedade
Dentro de 40 dias, a contar de 7 de dezembro, deve ser assinado um Acordo de Cooperação entre o Instituto Estadual de Florestas/MG e a Fundação Renova, no âmbito da reparação de estragos ambientais causados pela catástrofe da mineradora Samarco, por ocasião do rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, e cujos efeitos atingiram a Bacia Hidrográfica do Rio Doce e, em consequência, o Parque Estadual do Rio Doce (Perd).
Conforme a deliberação do Comitê Interfederativo, em 7 de dezembro de 2020 ficou aprovado o Projeto do Plano de Trabalho de consolidação do Parque Estadual do Rio Doce, com o estabelecimento do prazo para a assinatura de Acordo de Cooperação entre IEF e Fundação Renova (criada para gerir as ações de reparação da catástrofe ambiental). Ocorre que um Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) tinha sido assinado antes, estabelecido o valor de R$ 93.141.600 para as ações, mas prazos não tinham sido fixados e o IEF cobrava o começo da reparação no Perd até agora. As ações visam à consolidação do parque de acordo com a Cláusula 182 do TTAC. O arranjo é único no Brasil e sua aplicação colocará o Perd em outro patamar de gestão, principalmente nas ações relacionadas ao turismo e visitação.
Conforme estabelecido essa semana, em Brasília, ficou aprovado o valor de R$ 93.141.600 para as ações compensações no Perd. O cumprimento será por meio de depósito em conta/investimento sob supervisão da Justiça. Do total previsto, o valor de R$ 30 milhões deve ser revalidado em até quatro anos a contar da celebração do instrumento jurídico entre IEF/MG e a Fundação Renova, cujo prazo para assinatura ficou fixado em 40 dias, conforme despacho do presidente suplente do Comitê Interfederativo, Thiago Zucchetti Carrion.
UCO Parque Estadual do Rio Doce (Perd), Unidade de Conservação (UC) administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) abrange os municípios de Marliéria, Timóteo e Dionísio e abriga a maior floresta tropical de Minas Gerais, com cerca de 36.000 hectares, grande parte deles limítrofes ao Rio Doce. A medida da reparação dos estragos da mineração está prevista no Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC), que trata de programas socioambientais e socioeconômicos. O documento foi assinado em 2 de março de 2016 entre a União, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e as empresas Samarco, Vale e BHP.
O plano de trabalho, que envolve ações referentes à consolidação do Perd, foi aprovado pelo Comitê Interfederativo (CIF) em agosto do ano passado. O grupo, criado em resposta ao desastre provocado pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, em novembro de 2015, deliberou a favor do planejamento que prevê investimentos em uma série de ações e serviços para consolidação dos objetivos ambientais, turísticos, de integração social, de manutenção e de divulgação e promoção da unidade.
Consolidação da UnidadeAs unidades de conservação são consideradas consolidadas quando têm os insumos necessários, incluindo estruturas, recursos humanos, serviços e materiais, ferramentas efetivas de gestão, governança participativa, sustentabilidade financeira, além da apropriação dos valores da unidade de conservação pela sociedade. No planejamento de trabalho previsto para a unidade de conservação, as principais ações de consolidação estão relacionadas às revisões dos planos de Manejo e de Uso Público, incluindo a modelagem do Programa de Concessão de Parques Estaduais 2019-2022, iniciativa que propõe melhorar a gestão das unidades de conservação no Estado, no âmbito do fortalecimento do uso público por meio de concessões à iniciativa privada de alguns serviços, o que oportuniza atendimento de qualidade ao público visitante.
Outras medidasA lista de medidas incluídas no acordo também prevê ampliação dos limites do Perd; regularização fundiária; georreferenciamento; ações de combate a incêndios florestais; aquisição de veículos e embarcações; implantação de sistemas de vídeo vigilância; reformas, projetos e obras diversas adequando várias estruturas para o fortalecimento do turismo; contratação de consultorias para criação do plano de comunicação e marketing; contratação de pessoal para apoio técnico, entre outras.
A expectativa é que após as ações de consolidação, o Perd seja um dos parques mais modernos do país e que tenha não somente uma infraestrutura adequada para atender a população, mas que seja uma unidade de conservação das mais visitadas no Estado e no país proporcionando a conservação da biodiversidade e a geração de emprego e renda na região do Vale do Aço.
Onde se localiza e como chegarAtualmente o Parque Estadual do Rio Doce, assim como outras unidades de conservação estão com medidas restritivas de acesso pelo público, como prevenção à pandemia de covid-19. O acesso ao Parque Estadual do Rio Doce, quando o parque reabrir as visitas, pode ser feito pela MG-760. De Timóteo, segue-se em estrada asfaltada pelo distrito de Cava Grande e povoado de Santo Antônio da Mata, em Marliéria. Depois são mais 15 quilômetros em estrada de terra até a portaria do Perd. Outro caminho é via Marliéria e Pico do Jacroá. No alto da serra, aproveite para conhecer o Mirante do Jacroá, de onde se avista toda a extensão da unidade de conservação da Mata Atlântica. Para quem vem de Belo Horizonte, pela BR-381, o acesso pode ser feito no trevo de Jaguaraçu para Marliéria. Da sede do município via Pico do Jacroá até a portaria são 12 quilômetros de estrada de terra. Outra possibilidade é seguir pela BR-262 até o trevo de São José do Goiabal, onde há a entrada para a MG-760.