A Usiminas iniciou uma nova etapa de investimentos no Centro Industrial de Ipatinga, com a reconstrução da Bateria 4 da Coqueria 2. O projeto representa um investimento de aproximadamente R$ 1,7 bilhão, previsto até 2029, quando a nova bateria deverá entrar em operação. A informação foi divulgada pela assessoria da siderúrgica na manhã desta quarta-feira (30/9).
A empresa estima que a retomada da produção própria de coque permitirá ampliar a utilização de insumos produzidos pela própria Usiminas. Com isso, o projeto contribui para uma operação mais eficiente, previsível e competitiva. Para o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, o investimento reforça a aposta da companhia e de sua acionista Ternium na indústria e no emprego industrial brasileiro. “Começamos agora a mobilização para construção de uma nova bateria de coque em Ipatinga, um investimento de R$ 1,7 bilhão para melhorar a nossa competitividade, que irá substituir uma operação que estava desativada. A Usiminas defende a força da indústria do Brasil e o Estado brasileiro sabe que precisa atuar contra a importação subsidiada para evitar o sucateamento da sua indústria. Queremos competição justa”, destaca.
O projeto contempla a demolição da estrutura atual da Bateria 4 e a construção de uma nova bateria, equipada com tecnologias atualizadas. Durante as obras, serão gerados cerca de 800 empregos. Com a conclusão da obra, a Usiminas pretende retomar a capacidade de produção de coque e de gás de coqueria, reduzindo a dependência da aquisição de coque de terceiros.
“Isso, regionalmente, é muito importante. Acaba gerando empregos na cidade e desenvolve a cadeia produtiva local, com fornecedores locais. E assegura nosso compromisso total com o fortalecimento da cadeia de valor no Brasil”, defendeu Chara, durante participação no Congresso Aço Brasil 2026, promovido pelo Instituto Aço Brasil, em São Paulo.
.
A reconstrução da Bateria 4 integra um conjunto de investimentos em andamento no Centro Industrial de Ipatinga. Entre as iniciativas estão o reparo a quente da Bateria 3 da Coqueria 2, a própria reconstrução da Bateria 4, além de projetos como a nova planta de Moagem e Injeção de PCI e um novo Gasômetro.
Cenário do setor
De acordo com notícia publicada pelo O Tempo, durante o congresso, Chara também comentou o cenário enfrentado pela siderurgia brasileira. Na avaliação do executivo, a indústria nacional está sob pressão tanto pela entrada de aço bruto importado quanto pelo crescimento das importações de produtos manufaturados que utilizam grande quantidade de aço, como veículos.
Para o CEO da Usiminas, esse movimento representa um risco para a produção nacional e para os empregos de maior qualificação associados à indústria. Ele defendeu a adoção de medidas que estabeleçam condições semelhantes de concorrência entre os produtos fabricados no país e aqueles que chegam do exterior.
Chara afirmou que parte dos produtos importados chega ao mercado brasileiro com preços favorecidos por subsídios, o que, segundo ele, compromete a capacidade de competição das empresas nacionais. Nesse cenário, o executivo considera necessárias medidas regulatórias para equilibrar as condições de mercado.
Entre as iniciativas recentes do governo federal, ele citou os mecanismos antidumping e o sistema de cota-tarifa. Segundo Chara, essas medidas contribuíram para diminuir a participação das importações diretas de aço bruto no acumulado do ano, de 23% para 18%.
Na avaliação do executivo, quando há condições mais equilibradas de concorrência, a siderúrgica consegue estabelecer seus preços levando em consideração os custos de produção no país e a relação entre oferta e demanda.