Sertep amplia atendimento com tecnologia para triagem do autismo

21/09/2026 às 13:00

Divulgação
Adesão ao sistema AURA-T busca acelerar a identificação de sinais de TEA e outras neurodivergências e dar mais suporte à avaliação de profissionais

O Sertep - Núcleo de Neurodiversidade de Ipatinga passou a utilizar o sistema AURA-T, ferramenta desenvolvida pela healthtech brasileira Braine para apoiar a triagem precoce de sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outras neurodivergências. A tecnologia busca reduzir o tempo entre a identificação de possíveis sinais e o encaminhamento para avaliação clínica especializada.

Desenvolvido a partir de pesquisas realizadas na Universidade de São Paulo (USP), o AURA-T — Autism Universal Rapid Assessment Tool - utiliza inteligência artificial em uma plataforma digital de teletriagem. Segundo informações divulgadas sobre a tecnologia, o sistema pode reduzir em até 80% o tempo necessário para o direcionamento à investigação diagnóstica e apresenta precisão de 86% em validações realizadas com especialistas.

A ferramenta reúne informações e sinais observados, organiza os dados e produz um relatório estruturado com referências em critérios científicos internacionais, incluindo o DSM-5-TR e a CID-11. O resultado não representa, por si só, um diagnóstico de autismo, que continua dependendo da avaliação de profissionais habilitados, como médicos e neuropsicólogos.

Tecnologia como apoio ao atendimento

O Sertep mantém atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a crianças e adolescentes neurodivergentes. A equipe reúne profissionais de áreas como fonoaudiologia, psicologia, psicopedagogia, terapia ocupacional, fisioterapia e assistência social.

Em Ipatinga, o núcleo já supera 7 mil atendimentos terapêuticos gratuitos por mês, considerando as diferentes sessões realizadas pelos pacientes. Nesse cenário, a ferramenta de triagem pode ajudar a organizar o fluxo de atendimento em casos de suspeita de alterações do desenvolvimento que exigem investigação mais detalhada.

O AURA-T também conta com mecanismos de proteção de dados, seguindo parâmetros da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e referências internacionais de segurança da informação em saúde.

Da suspeita ao encaminhamento

A identificação precoce de sinais relacionados ao TEA pode contribuir para o encaminhamento da criança aos serviços adequados. A investigação, porém, pode envolver diferentes profissionais e etapas até a conclusão clínica.

É nesse percurso que o AURA-T pretende atuar. A ferramenta não substitui a observação clínica nem a avaliação especializada. Seu papel é reunir informações, identificar padrões e oferecer aos profissionais um material organizado para auxiliar na tomada de decisão e no encaminhamento dos casos.

Para a psicopedagoga e coordenadora da equipe terapêutica do Sertep, Ednéa Silveira Carvalho, a implementação do AURA-T contribui para qualificar os processos de triagem, avaliação, acompanhamento e elaboração de planos terapêuticos individualizados (PTIs).

“A utilização do AURA-T favorece uma maior integração entre os diferentes setores e profissionais da saúde, proporcionando o compartilhamento estruturado de informações e contribuindo para a construção de estudos de caso com dados mais consistentes, organizados e confiáveis. Outro aspecto relevante é a possibilidade de ampliar a participação da família e da escola no processo terapêutico. O AURA-T poderá facilitar a compreensão dos familiares e da equipe escolar sobre os objetivos terapêuticos e contribuir para a evolução do paciente”, pontua.

Com a adesão ao sistema, o Sertep incorpora ao trabalho multidisciplinar uma ferramenta voltada à identificação de sinais que possam indicar a necessidade de investigação especializada, oferecendo aos profissionais mais informações para conduzir os próximos passos.

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