13 de dezembro, de 2022 | 06:30

Cultura errada

Fernando Rocha

Volto a tocar no assunto sobre a eliminação do Brasil para a Croácia, novamente, nas quartas de final de uma Copa do Mundo, fato este que vem se repetindo há 20 anos, mas sempre é tratado com uma soberba absurda pelo povo, com a chancela da imprensa esportiva de modo geral.

Infelizmente, aqui no Brasil, só vale conquistar o título. O vice, ficar entre os quatro melhores, seja em qualquer situação, não vale nada. O vice, então, é peça decorativa.

Dessa vez, o interessante é que não temos apenas um vilão como de costume, mas vários, o time todo está sendo execrado, a começar pelo técnico Tite, sendo que há uma semana todos eram endeusados.

Olhar crítico
Precisamos parar com essa soberba, essa arrogância, em muitos casos falta de noção mesmo, de autoconhecimento, uma cultura implantada desde as conquistas e narrativas épicas da era Pelé, com os títulos de 58, 62, 70, um jejum de 24 anos até o tetra em 1994, o penta em 2002, mas depois um encarreirado de fracassos, o 7 a 1 em 2014, mas continuamos sendo alimentados e praticando o discurso de que somos os melhores do mundo no futebol.

Vamos aguardar quem será o novo técnico para o lugar de Tite, que deixou uma base, sobretudo, de jovens e bons atacantes, mas devemos baixar a bola, acompanhar as finais da Copa do Qatar com olhar crítico, sensato, para não achar que tudo está errado com a nossa seleção, pois não é bem assim.

FIM DE PAPO

A temporada do futebol brasileiro terminou mais cedo por causa da Copa do Mundo e, com isso, as férias dos jogadores também foram antecipadas. A maioria dos clubes retomam as atividades, iniciando as pré-temporadas esta semana, como é o caso do Atlético e do Cruzeiro, que voltam nesta quarta-feira visando à disputa do Campeonato Mineiro previsto para começar no dia 20 de janeiro.

O Galo terá maiores novidades, a começar pelo novo treinador, o argentino Eduardo Coudet, que substituirá Cuca. A dúvida é se Nacho Fernández, um dos principais jogadores do elenco, vai deixar o clube e retornar ao River Plate, seu ex-clube. O jogador ainda não se manifestou oficialmente, mas a imprensa argentina dá como certo sua volta por uma série de motivos pessoais. O Atlético ainda deve ao River Plate o que combinou pagar para ter o jogador, mas faz jogo duro e quer uma grana a mais. Se ficar sem Nacho, o time alvinegro vai perder além de um craque, dos melhores no continente, um excelente e dedicado profissional.

No Cruzeiro, tudo que diz respeito a contratações visando à montagem do time é mantido sob severo sigilo. A maioria dos jogadores especulados até agora estão muito abaixo das expectativas dos torcedores celestes, que acompanham a tudo desconfiados e sem esperanças de ver em campo um time competitivo, que vá brigar por títulos na próxima temporada. O discurso da diretoria da SAF/Cruzeiro é não dar o passo maior que as pernas e, por isso, pretende buscar no mercado jogadores com perfil da Série A, mas na base do bom e barato. Só o tempo dirá se vai conseguir atingir seu objetivo, que é também o de muitos dos seus concorrentes.

O caso de Rodrigo Santana, ex-treinador do Atlético demitido pelo Corinthians do cargo de auxiliar-técnico, por ter sido flagrado na porta de um quartel do Exército apoiando movimentos golpistas, pode ser analisado de várias maneiras. Muitos acham uma injustiça cometida pelo time paulista, que deveria analisar somente o lado profissional, sem misturar política com futebol. Acho que o Corinthians agiu acertadamente, pois o futebol não pode ser tratado como uma ilha e seus profissionais imunes ao que acontece à sua volta.

Embora tenha pouca relevância no cenário do futebol nacional, Rodrigo Santana é uma figura pública, que representaria um dos clubes de futebol mais populares do país. Ele pode votar em quem quiser e estar descontente com a derrota, mas, mesmo que fosse um cidadão comum, não poderia descumprir as leis, pedir que militares deixem suas tarefas para rasgar a Constituição Federal e instalar uma ditadura no país.(Fecha o pano!)
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