EXPO USIPA 2026

27 de setembro, de 2022 | 15:00

Por que o Vale do Aço precisa de uma universidade?

William Passos *

Egresso do sindicalismo metalúrgico, a 9 dias do primeiro turno, de um palco montado no Parque Ipanema, um monumental equipamento urbano construído pela Usiminas e administração municipal, Lula falou da necessidade da reindustrialização para a recuperação da economia nacional. Antes, entre o legado dos governos petistas para Minas Gerais, Dilma Rousseff destacou a criação de três universidades e de 16 campus universitários.

A principal metropolização do interior da Região Sudeste fora do estado de São Paulo, surgida em torno de sua indústria metalomecânica, que originou um espaço diferenciado no coração do leste mineiro, não tem uma única universidade no sentido conceitual do termo. Universidades são, antes de tudo, os locais da produção do conhecimento, da pesquisa científica e da inovação tecnológica. Diferenciam-se também pela oferta de cursos superiores, de pós-graduação, mestrado e doutorado, e impactam a sociedade por meio de projetos de extensão, nos quais oferecem serviços gratuitamente à comunidade.

Na comparação com outras regiões de Minas Gerais, com a presença de alguma universidade, especialmente das federais, que se fazem mais presentes no estado, percebe-se que, além do desenvolvimento urbano, com a ampliação de ruas asfaltadas e calçadas, da construção de novas praças e da oferta mais abundante de linhas de ônibus e transportes alternativos, a implantação de uma universidade, frequentemente dividida em mais de um campus universitário, aquece a economia local, dinamizando o mercado imobiliário, o comércio e o setor de serviços.

Particularmente, a circulação da renda dos estudantes impacta sensivelmente os setores de hospedagem, alimentação, entretenimento e lazer, impulsionando a diversificação da oferta cultural e da vida noturna nos municípios. Tudo isso, naturalmente, gera mais emprego e renda para a população local e mais faturamento para os empresários, complementando o impacto das demais atividades econômicas existentes.

A importância da "economia universitária" é tão grande que ela supera o impacto do turismo, mesmo nos municípios mineiros que vivem do turismo histórico projetado internacionalmente. Por outro lado, é importante recordar, o próprio afluxo de estudantes, professores e demais funcionários das universidades ajuda no fortalecimento do turismo local, já que estes constituem um "mercado" de visitantes permanentes.

Em momentos de crise, são as universidades que "seguram" a economia local porque suas atividades são a garantia de permanência de renda circulando e de consumo e faturamento dos empresários locais.

Em termos de transformações sociais, além da melhoria de vida da camada da população que consegue ingressar num curso universitário, a presença das universidades também induz a formação de uma elite intelectual e de uma classe média mais esclarecida, através do contato com professores e estudantes.

Não sendo possível ou sendo mais difícil a atração de uma universidade, uma alternativa é a expansão dos institutos federais ou CEFETs já existentes. No caso do Vale do Aço, o IFMG Ipatinga, localizado no bairro Veneza, aguarda há anos apoio financeiro e administrativo dos governos federal, estadual e das prefeituras para a ampliação de seu campus e ofertas de novos cursos, especialmente universitários. A contratação de novos professores e pesquisadores também permitiria, no próprio IFMG, sem a necessidade de atração de uma universidade, a produção de conhecimento, pesquisa e inovação científica e tecnológica, o que colaboraria significativamente para um maior desenvolvimento do Vale do Aço e para a retenção de muitos talentos, especialmente os mais jovens, que acabam migrando para outros países e outras regiões do Brasil, por falta de oportunidades na própria terra natal. Essa é uma luta que tem que ser de todos!

* Geógrafo, colaborador do Diário do Aço e coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço/IFMG Ipatinga. Email: [email protected]

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Comentários

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Gildázio Garcia Vitor

27 de setembro, 2022 | 19:18

“Falou tudo! Parabéns! Viçosa, Alegre-ES e Santa Maria-RS, são excelentes exemplos de cidades universitárias que comprovam a veracidade de sua análise.”

Tião Aranha

27 de setembro, 2022 | 18:48

“Saúde, Segurança e Educação são metas garantidas no arcabouço da carta magna. Livre iniciativa privada do capital que gera emprego vai depender da política
do governo federal através do banco central. Se o Estado for querer interferir diretamente no domínio da Economia, como quer o PT, os empresários fogem e vão investir la fora. Isso é o que vai acontecer. Ou abra os investimentos com geração de empregos ou tira dos mais ricos. São esses os dois caminhos. Risos.”

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