21 de julho, de 2026 | 11:23

Ministério Público denuncia trio por golpe de R$ 1 milhão com exploração da fé e manipulação psicológica de vítimas

Ilustração
Denúncia aponta que investigados teriam usado uma suposta entidade espiritual para induzir vítimas a entregar dinheiro, contrair empréstimos e transferir bens. Ministério Público pede condenação e reparação mínima de R$ 1 milhãoDenúncia aponta que investigados teriam usado uma suposta entidade espiritual para induzir vítimas a entregar dinheiro, contrair empréstimos e transferir bens. Ministério Público pede condenação e reparação mínima de R$ 1 milhão

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça duas mulheres, de 36 e 52 anos, e um homem, de 30 anos, pela suposta prática dos crimes de estelionato majorado, associação criminosa e, no caso do investigado, também por coação no curso do processo. Conforme o promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, a denúncia é resultado de uma investigação que apurou um esquema fraudulento desenvolvido nos municípios de Inhapim, Ubaporanga, Caratinga e Governador Valadares.

Segundo o promotor, o grupo é acusado de causar um prejuízo aproximado de R$ 1 milhão por meio da exploração da confiança, da vulnerabilidade emocional e da religiosidade das vítimas. Conforme a acusação, os investigados alegavam receber orientações de uma suposta entidade denominada "Dona Divina", utilizada como instrumento para convencer as vítimas a fazer sucessivas entregas de dinheiro, bens e outras vantagens econômicas.

O caso já havia resultado na decretação da prisão preventiva de dois dos investigados. Eles foram localizados em Ubaporanga e encaminhados ao sistema prisional, conforme noticiado pelo jornal Diário do Aço.

Atualmente, a investigada de 36 anos cumpre prisão domiciliar por determinação judicial. Já a mulher de 52 anos e o homem de 30 anos respondem ao processo em liberdade, sem prejuízo do regular andamento da ação penal e da adoção de outras medidas judiciais cabíveis.

Denúncia aponta esquema organizado para enganar vítimas

Conforme a denúncia do Ministério Público, os investigados atuavam de forma organizada, com divisão de funções, explorando a confiança e a fragilidade emocional das vítimas para obter vantagens patrimoniais ilícitas.

A principal investigada teria, inicialmente, conquistado a amizade de uma das vítimas, uma mulher de 46 anos, residente em Inhapim e, posteriormente, passado a convencê-la a fazer sucessivos repasses de dinheiro, adquirir bens e contratar empréstimos financeiros sob a promessa de investimentos comerciais com elevado retorno financeiro.

As investigações indicam que, em um segundo momento, a fraude passou a utilizar uma suposta corrente espiritual. Segundo a acusação, a investigada dizia atuar como intermediária de uma alegada líder religiosa conhecida como "Dona Divina", personagem cuja existência não foi confirmada durante a investigação.

Sob a alegação de que a vítima sofria de graves enfermidades espirituais e poderia enfrentar consequências sobrenaturais caso não seguisse as orientações recebidas, eram exigidos pagamentos elevados destinados, supostamente, à realização de rituais, compra de animais, objetos e outros materiais que, conforme a denúncia, jamais tiveram a finalidade anunciada.

Vítima contraiu empréstimos e perdeu patrimônio

De acordo com o Ministério Público, a vítima foi induzida a contratar empréstimos, financiar um veículo em seu próprio nome, hipotecar patrimônio e fazer diversas aquisições de bens de elevado valor.

Entre os produtos adquiridos estão aparelhos celulares, joias, móveis, eletrodomésticos, utensílios domésticos, perfumes, cosméticos e artigos utilizados em uma festa de aniversário do filho da principal investigada. Parte desses bens foi localizada e apreendida durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão.

Ainda conforme a denúncia, o prejuízo patrimonial provocado pelo esquema se aproxima de R$ 1 milhão, valor que engloba perdas financeiras, bens obtidos mediante fraude e o expressivo endividamento imposto às vítimas.

O Ministério Público também relata que uma das vítimas sofreu grave abalo emocional ao tomar conhecimento da extensão das dívidas acumuladas, necessitando de atendimento médico de urgência.

Participação dos demais denunciados

Segundo a acusação, a investigada de 52 anos teria prestado apoio logístico ao grupo, permitindo o armazenamento e a ocultação de bens obtidos com a fraude em sua residência.
Já o investigado de 30 anos é apontado como participante da utilização e da ocultação dos bens obtidos ilicitamente. O Ministério Público também sustenta que ele ameaçou uma das vítimas durante a investigação, circunstância que motivou a imputação do crime de coação no curso do processo.

A denúncia ainda afirma que os três investigados mantinham vínculo estável e permanente para a prática de crimes patrimoniais, com funções previamente definidas para a execução das fraudes, utilização dos bens e ocultação das vantagens obtidas.

MP pede condenação e reparação dos prejuízos

Com o oferecimento da denúncia, o Ministério Público requereu o prosseguimento da ação penal, a condenação dos acusados pelos crimes imputados e a fixação de reparação mínima dos danos patrimoniais no valor de R$ 1 milhão, sem prejuízo da apuração do montante integral devido às vítimas durante a instrução processual.

Na avaliação do promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, o caso demonstra elevado grau de sofisticação, não apenas pelo volume das vantagens econômicas obtidas, mas também pela exploração da confiança, da vulnerabilidade emocional e da religiosidade das vítimas como instrumentos de manipulação psicológica. Segundo o representante do Ministério Público, condutas dessa natureza exigem resposta firme do sistema de Justiça, especialmente diante das graves consequências patrimoniais e emocionais apontadas na investigação.
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Comentários

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Mimarol

21 de julho, 2026 | 12:15

“Penso que é preciso divulgar mais vezes esse tipo de crime para alertar aos incautos e orienta-los a não se deixar levar pelos espertalhões que estão aí para se aproveitar da inocência dos mesmos.
Se você tem uma religião, creia no seu DEUS acima de tudo, dessa forma não vai cair em golpes como esse,
Ainda bem que temos um Defensor como o Dr. Jonas para fazer valer a Justiça em prol dos inocentes.”

Falo Mesmo

21 de julho, 2026 | 11:43

“A conta gotas, as igrejas neopetencostais que proliferam por dos os lados na região fazem isso todos os dias e nenhuma ação é feita. Em nome da fé de de "Deus", extorquem as pessoas em fragilidade espirituam todos os dias e ninguém faz nada.”

Gildázio Garcia Vitor

21 de julho, 2026 | 11:33

“Se o meu Camarada Karl Marx, disse ou não, que a "Religião é o ópio do povo", não mais interessa. Na sociedade atual, com tantos experts e expertos em teologia, esta máxima é confirmada todos os dias.
Depois, o louco sou eu, só por ser Ateu-não praticante, claro.”

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