20 de julho, de 2026 | 08:53

Relatório da PF aponta deputado Euclydes Pettersen como fiador político de esquema bilionário contra o INSS

Documento da Operação Sem Desconto atribui ao parlamentar mineiro papel estratégico para garantir a manutenção do esquema investigado pela Polícia Federal; defesa nega participação e afirma que ainda apresentará sua versão nos autos

Reprodução Instagram
Licenciado do mandato, Euclydes Pettersen  nega as acusações e afirma que o indiciamento é ato unilateral, que encerra a investigação, mas não dá início a um processo judicialLicenciado do mandato, Euclydes Pettersen nega as acusações e afirma que o indiciamento é ato unilateral, que encerra a investigação, mas não dá início a um processo judicial

A Polícia Federal (PF) concluiu o relatório da Operação Sem Desconto apontando o deputado federal licenciado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) como um dos principais articuladores políticos do suposto esquema bilionário de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O parlamentar está entre os 48 indiciados no inquérito, que agora será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir sobre eventual apresentação de denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o relatório, a atuação atribuída ao deputado não era operacional. Para os investigadores, Euclydes exercia a função de "principal fiador político" da organização, utilizando sua influência para garantir a indicação e a permanência de dirigentes e procuradores do INSS que, conforme a investigação, asseguravam a continuidade do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o instituto e a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer), evitando fiscalização sobre as atividades. Dados do relatório foram divulgados no fim de semana, em uma reportagem do jornal O Fator, de Belo Horizonte.

O inquérito também sustenta que o parlamentar teria estruturado um núcleo próprio para receber e ocultar recursos supostamente oriundos do esquema. A base dessa estrutura funcionaria em Governador Valadares, principal reduto eleitoral do deputado. Conforme o relatório, entre 2023 e 2024, Euclydes Pettersen teria recebido aproximadamente R$ 14,7 milhões, valores que, segundo a PF, foram utilizados inclusive para despesas relacionadas a aeronaves, aquisição de insumos agropecuários e manutenção de uma fazenda em Mato Grosso.

Relatório detalha estrutura de lavagem de dinheiro

De acordo com a Polícia Federal, o chamado "núcleo de lavagem de Euclydes" era formado por ex-assessores parlamentares, operadores financeiros e pessoas apontadas como laranjas. A estrutura teria sido criada para movimentar recursos provenientes das fraudes investigadas e dificultar o rastreamento das operações financeiras.

O principal operador citado pela investigação é André Luiz Martins Dias, ex-assessor parlamentar. Conforme a PF, ele coordenava ordens diárias de transferências bancárias e pagamentos por intermédio de empresas consideradas de fachada e de contas de terceiros.

Entre essas empresas está a HM Moto Peças, sediada em Governador Valadares. Segundo o relatório, a empresa movimentou pelo menos R$ 6,3 milhões entre 2021 e 2024. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, Heleno Márcio Pereira Magalhães confirmou aos investigadores que fazia movimentações financeiras a pedido de André Luiz Martins Dias.

Ainda segundo a investigação, o grupo utilizava familiares, pessoas próximas e empresas registradas em nome de terceiros para pulverizar os recursos. Entre os nomes citados estão Heldmir Moraes Baeta Neves, Neusmeire Silva Magalhães, Tatiana Horani Reginaldo e Marcos Antônio Martins Rosa Dias.

Empresas, lotéricas e depósitos fracionados

O relatório aponta que parte significativa da movimentação financeira era feita por meio de empresas de fachada, depósitos fracionados e lotéricas instaladas em Governador Valadares.

Segundo a Polícia Federal, Ronaldo Lopes de Paiva, também ex-assessor parlamentar, encaminhava ao operador financeiro Cícero Marcelino listas contendo contas bancárias e casas lotéricas utilizadas para receber os valores. A orientação, conforme os investigadores, era manter cada depósito abaixo de R$ 25 mil para reduzir a possibilidade de identificação pelos mecanismos de controle do sistema financeiro.

A investigação afirma ainda que Cícero Marcelino orientava sua esposa, Ingrid Pikinskeni Morais, a efetuar dezenas de depósitos fracionados. Os investigadores afirmam que o grupo utilizava centavos nos valores das transferências — como R$ 40.000,01, R$ 40.000,02 e R$ 40.000,03 - para identificar internamente cada operação sem necessidade de consultar os comprovantes.

Entre os estabelecimentos mencionados pela PF estão as lotéricas Fortuna, Triunfo e Tesouro de Minas, que, conforme o relatório, movimentaram aproximadamente R$ 8,4 milhões entre 2021 e 2025. Também são citadas a Construtora VLH, a Comercial MTC e a Comercial iPhones, administradas pelo contador José Geraldo de Oliveira, apontado pelos investigadores como integrante da estrutura operacional do esquema.

O relatório também menciona o vereador de São Félix de Minas Marcelo de Oliveira Silva. Conforme a investigação, ele declarou à PF que, a pedido de Euclydes Pettersen, vendeu dólares e entregou R$ 400 mil em espécie em um endereço indicado pelo parlamentar. O vereador afirmou ter recebido como garantia um cheque vinculado à Conafer, que, segundo ele, nunca foi compensado.

Além dele, o servidor público Wendel Fernandes dos Santos também aparece citado no inquérito. De acordo com a Polícia Federal, apesar de possuir remuneração mensal de aproximadamente R$ 2,5 mil, ele movimentou cerca de R$ 3 milhões em operações financeiras justificadas como empréstimos particulares, explicação que não convenceu os investigadores.

Aeronaves e fazenda entram no foco da investigação

Outro eixo do relatório da Polícia Federal trata do patrimônio atribuído a Euclydes Pettersen, especialmente aeronaves e uma propriedade rural em Mato Grosso. Segundo os investigadores, esses bens teriam sido utilizados na etapa final da suposta lavagem de dinheiro proveniente do esquema investigado na Operação Sem Desconto.

O documento cita três aeronaves relacionadas ao parlamentar em diferentes momentos da cadeia de propriedade. A principal delas é um jato Hawker 400 XP, matrícula PS-EPN, cujo prefixo faz referência às iniciais do nome do deputado. Conforme a PF, a aeronave passou por reforma e pintura ao custo de R$ 387 mil, valor pago pela BRA Construtora.

Investigação aponta despesas da fazenda pagas por empresas do esquema

Segundo a Polícia Federal, a etapa final da suposta lavagem de dinheiro ocorria na Fazenda Tupinambá, localizada em Mato Grosso e explorada por Euclydes Pettersen em sociedade de fato com familiares.

O relatório informa que o parlamentar adquiriu a participação do antigo sócio por R$ 5 milhões, sendo que a primeira parcela, de R$ 1 milhão, teria sido paga em dinheiro vivo, conforme recibo firmado em Governador Valadares em fevereiro de 2023.

Após a aquisição, conforme a investigação, empresas consideradas de fachada passaram a custear despesas da propriedade rural.
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Comentários

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Nelore

20 de julho, 2026 | 17:58

“Caríssimo Carlinhos, e sobre os filhos do Minto Inelegível e Prisioneiro domiciliar, especialmente o Flávio Rachadinha Vorcarão, que vivem se denunciando, inclusive com áudios pedindo milhões a banqueiros de araque, o que espera da PF?
A terra é plana, mas nem por isso, precisa ser imbecil”

Ipatinguense

20 de julho, 2026 | 15:11

“Não dá pra esperar outra coisa de político fantasiado com camiseta da seleção.”

Carlinhos

20 de julho, 2026 | 13:26

“Só acredito nesse relatório da PF se apontar o filho do molusco, caso contrário a investigação está contaminada.”

Tião Marreta

20 de julho, 2026 | 12:25

“Sempre do Partido Liberal, liberando geral para as falcutras. O cavaco não cai longe do pau.”

Tião Aranha 2

20 de julho, 2026 | 10:19

“Partido do Capitão Vitor e Omar em Timóteo.”

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