19 de julho, de 2026 | 06:00
Grande decisão
Fernando Rocha
Pela primeira vez na história do futebol, um país colonizador vai enfrentar o colonizado numa final de Copa do Mundo: Espanha e Argentina farão hoje, às 16h, nos Estados Unidos, uma decisão para ser lembrada por muito tempo.Não tenho simpatia por nenhum dos dois países, por conta do histórico de racismo praticado pelos cidadãos dos dois lados, indiscriminadamente, vergonhosamente, sem que haja leis em seus respectivos países para punir esse tipo de manifestação inerente à imbecilidade humana.
Mas, reconheço que são atualmente duas seleções gigantes do futebol mundial, que chegaram à decisão por méritos próprios, em um torneio marcado por surpresas, emoções fortes e muitas polêmicas.
A pergunta que não quer calar é: quem chega como favorito para levantar a taça de campeão, no caso da Espanha pela segunda vez e se der Argentina pela quarta vez e a segunda consecutiva?
Criou casca”
Muita gente aponta a Espanha como favorita com base na qualidade técnica e tática da equipe comandada por Luis de la Fuente, 65 anos, que assumiu a Fúria” em 2022 e conquistou os títulos da Nations League/2023 e da Eurocopa 2024.
A Espanha não abre mão de seu estilo dominante, de ficar com a bola o maior tempo possível, contando com o talento jovem de Lamine Yamal e a qualidade de um maestro como Rodri regendo o seu meio-campo.
Por sua vez, a atual campeã mundial, Argentina, se não está no mesmo nível, também não fica longe da mesma excelência técnica e tática dos espanhóis.
Isto dá certa vantagem aos argentinos, pois é na parte mental e psicológica que está muito acima de qualquer adversário, depois de tantas viradas improváveis e vitórias conquistadas na raça, saídas da alma de seus jogadores.
Essa casca” criada pelo time dirigido por Lionel Scaloni faz com que os jogadores tenham confiança suficiente para encontrar o caminho da vitória, mesmo diante de todas as adversidades.
Além disso, os hermanos contam com Lionel Messi, cuja estrela não para de brilhar, desequilibrando as partidas com gols e assistências fenomenais.
FIM DE PAPO
A França foi uma surpresa negativa nesta reta final da Copa do Mundo. Enganou a todos com algumas boas exibições, mas sucumbiu vergonhosamente diante da Espanha na semifinal. Foi um baile espanhol com direito a olé”. Mpbapé, Dembelé e seus companheiros estiveram apáticos contra uma Espanha leve e concentrada, justamente no dia mais importante para os franceses, do maior feriado do país, a queda da Bastilha.
A Argentina contou com a mediocridade do técnico da Inglaterra, o alemão Thomas Tuchel, que acovardou a sua equipe após abrir o marcador no início da segunda etapa. Encheu o time inglês de zagueiros e recuou para garantir o resultado, o que facilitou a virada argentina. A Espanha já deu várias demonstrações da sua convicção no modo de atuar e, mesmo quando está atrás no marcador, segue firme em sua filosofia de jogo, respeitando sua cultura futebolística. Por isso, sem chance de repetir hoje contra os argentinos o mesmo erro fatal cometido pelos ingleses.
Na última terça-feira (14/7), o Globo Esporte” deu destaque ao brasileiro Danilo Riani, que atua como assistente pessoal do meio-campista Enzo Fernández, um dos destaques da Seleção Argentina nesta Copa do Mundo. Riani, 42 anos, é natural de Alvarenga, pequena cidade do Vale do Rio Doce, distante 133 km de Ipatinga. Depois de se formar em Educação Física na vizinha Caratinga, ele se mudou para a Inglaterra onde foi parar no Chelsea, clube do astro argentino, tornando-se agora responsável por organizar a sua rotina de logística e alimentação, o que tem colaborado muito para o sucesso de Enzo Fernández dentro de campo.
O atacante Giuliano Simeone, filho do atual técnico do Atlético de Madrid, Diego "Cholo" Simeone, que também defendeu a Argentina em Copa do Mundo, explicou de onde sai a atual garra e gana da sua seleção: O Messi é um jogador de 39 anos e que tem tudo. Mas se entrega totalmente em campo para o time. Como não correr para ele e tentar fazer como ele?”. Essa demonstração de mentalidade profissional e espírito de grupo do argentino contrasta totalmente com o comportamento dos atuais jogadores da Seleção Brasileira. Temos uma geração de influencers” e não de atletas de futebol. Não há apego às nossas raízes ou respeito ao nosso passado, falta conteúdo e sobra dinheiro. Todos são milionários, não estão nem aí para o que acontece à sua volta e com a seleção do país. Ao ponto de Raphinha dizer que gostaria de estar de férias, ao invés de disputar a Copa do Mundo. (Fecha o pano!)
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