17 de julho, de 2026 | 14:09
Relatório do TCE-MG aponta falhas no planejamento e no transporte coletivo nos municípios mineiros
Débora Anício
Segundo o relatório, a ausência do planejamento compromete a organização das políticas públicas de mobilidade
Segundo o relatório, a ausência do planejamento compromete a organização das políticas públicas de mobilidadeMais de 40% dos municípios mineiros obrigados por lei ainda não elaboraram o Plano de Mobilidade Urbana, e 72% informaram não possuir transporte público coletivo. Os dados fazem parte do Relatório de Monitoramento da Mobilidade Urbana Ano Base 2024, publicado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), com base em informações do Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM).
O levantamento mostra que a governança e o planejamento são os pontos mais críticos da mobilidade urbana em Minas Gerais. Apenas 12,2% dos municípios possuem Plano de Mobilidade Urbana concluído, enquanto 40,7% permanecem sem o documento, mesmo quando há obrigação legal. Outros 47% não precisam elaborar o plano por não se enquadrarem nas exigências da legislação.
Segundo o relatório, a ausência do planejamento compromete a organização das políticas públicas de mobilidade. Sem o plano, ações voltadas ao transporte coletivo, à segurança viária e à acessibilidade tendem a ocorrer de forma isolada, dificultando uma atuação integrada e o acesso a recursos federais destinados ao setor.
Outro destaque do levantamento é a situação do transporte público coletivo. Em 72% dos municípios não há oferta desse serviço. Entre aqueles que possuem transporte coletivo, metade não estabelece metas de qualidade e desempenho para os contratos.
Fiscalização
O monitoramento também identificou fragilidades na fiscalização dos serviços. Em 82% dos municípios com transporte coletivo não há aplicação de penalidades quando as metas contratuais deixam de ser cumpridas. Além disso, 80% não realizam pesquisas de satisfação com os usuários.
Embora 64% dos municípios que possuem metas informem que elas são cumpridas, o relatório destaca que a falta de indicadores de desempenho, fiscalização e avaliação dos usuários reduz a capacidade de acompanhar a qualidade do serviço prestado.
Planejamento é desafio
Na análise do TCEMG, a governança e o planejamento obtiveram a menor pontuação entre os cinco pilares avaliados: 12,2 pontos em uma escala de 0 a 100. Já os sistemas de transporte coletivo registraram 35,8 pontos, permanecendo na faixa considerada crítica.
O relatório aponta que a elaboração dos Planos de Mobilidade Urbana deve ser prioridade para os municípios, por ser o instrumento que organiza as políticas do setor e permite acesso a financiamentos federais.
Entre as recomendações estão a ampliação da cooperação entre municípios e universidades para apoio técnico na elaboração dos planos, o fortalecimento de consórcios intermunicipais, a adoção de novos modelos de financiamento do transporte coletivo e a observação de experiências já implantadas em cidades mineiras, como Ibirité e Mariana.
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