EXPO USIPA 2026

08 de julho, de 2026 | 07:00

Ou regula agora, ou continuaremos a marchar rumo ao totalitarismo

Carlos Alberto Costa *


Quando se fala em regulação das redes sociais, muitas pessoas logo levantam a bandeira de uma suposta censura. Sob o discurso da liberdade de expressão, qualquer proposta para colocar um freio moral na internet tem sido rebatida de forma insistente. Enquanto isso, um monstro ganha corpo sem limites. É muito provável que, em breve, as pessoas se arrependam de não ter impedido que o pior ocorresse.

O escritor e ativista estadunidense Peter Schmidt alertou, em uma entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, exibida no dia 29 de junho, a respeito do que muitas pessoas chamam de “economia da atenção”. Para o pesquisador, essa expressão não traduz a violência do que está ocorrendo agora. “Propomos outra metáfora para entender a situação: ‘human fracking’, ou simplesmente fraturamento humano. As empresas injetam quantidades de conteúdo saindo das telas, entrando nos cérebros, onde a pressão desse conteúdo quebra nossa atenção em durações pequenas. Essa pressão constante fragmenta nossa capacidade de focar, imaginar e pensar em longo prazo”, disparou.

Ao mesmo tempo, a pesquisadora brasileira Laura Fiúza traz outro alerta no mesmo âmbito e indaga se você está preparado para um tempo em que a IA vai passar seu cartão de crédito sem precisar de sua permissão, pois é para lá que vamos.

Laura alerta que a próxima guerra das Big Techs não vai ser mais pela “economia da atenção”. Será pelo direito de escolher e comprar pelas pessoas. Laura cita a carta anual da Stripe, a maior empresa de processamento de pagamentos do mundo. Estima-se que ela processe 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Em um encontro recente, foi estabelecido o conceito de “comércio agêntico”, dividido em vários níveis.

“Caminhamos a passos largos para uma sociedade opressiva,
totalitária e indesejável, caracterizada pelo controle extremo”


Atualmente o agentic commerce está perto do nível 2, em que ainda preenchemos formulários na hora da compra, fazemos escolhas etc. No próximo nível, o usuário não irá procurar nada. Irá descrever o que precisa, e a IA vai procurar o que a pessoa necessita e apresentar opções para compra.

No nível 3, a IA já conhece as preferências, os estilos e as necessidades, e cabe ao usuário apenas aprovar. O nível 4 prevê a delegação total. A pessoa não escolhe mais, apenas diz do que precisa, e a compra é feita dentro de um orçamento previsto.

No próximo nível, o 5, as pessoas não escolhem mais nada. A IA conhece as rotinas, preferências e, antes mesmo de a pessoa pedir, a escolha já foi feita, o pagamento efetuado com o cartão de crédito e a entrega agendada. Essa fase de delegação total ainda não chegou, mas a base está em construção no Vale do Silício (EUA) para ser adotada no futuro.

Não é difícil prever que esse mundo distópico não será habitado somente por gente honesta. Atualmente, lemos todos os dias neste jornal toda sorte de golpes que se pode imaginar, com o uso da internet. E não são apenas as finanças das pessoas que estão em risco.

Está muito claro que a ausência de regulação das redes sociais e da Inteligência Artificial (IA) cria um ambiente digital de "terra sem lei". Os principais riscos incluem a proliferação em massa de desinformação e deepfakes, a erosão da confiança social, o agravamento de problemas de saúde mental (especialmente entre jovens) e a manipulação de processos democráticos.

Dessa forma, caminhamos a passos largos para uma sociedade opressiva, totalitária e indesejável, caracterizada pelo controle extremo e pela perda da liberdade individual, em que nem sequer as compras serão feitas por vontade própria.

* Professor aposentado.

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