06 de julho, de 2026 | 18:00

Um gosto amargo de derrota...

Nena de Castro *





Bom dia, meus leitores! Hoje estou chateada, não por causa da derrota da Seleção Brasileira, mas sim pela derrota da Educação no nosso país! Eu ia escrever sobre Guimarães Rosa e a 38ª Semana Rosiana que celebra os 70 anos de publicação de “Grande Sertão: Veredas” e “Corpo de Baile”. E contar da festa de aniversário de Davi Zaccaro, aluno do Instituto Olga Mendes que recebeu os amigos para almoço delicioso e com direito a decoração flamenguista, tudo feito carinhosamente por sua família.

Ocorre que fui assistir as angustiantes declarações da professora que recebeu um copo de água na sala com três cacos de vidro. Chorei com ela e também por causa da Orientadora Educacional da cidade de Mariana que ao advertir uma aluna por comportamento inadequado, foi agredida fisicamente. O que leva a tanto desrespeito nesse país, contra os que trabalham na Educação?

Estaremos loucos, fingindo não ver as condições de trabalho dos educadores, os baixos salários, o excesso de alunos em sala, as exigências e cobranças dos planejamentos das plataformas educacionais?  Nos países que detém os primeiros lugares no ranking internacional, colocam em sala de aula no primeiro ano apenas 20 alunos ou menos. No Brasil, são 35. Ou mais.

A profissão de docente é como a casa de ninguém, não há quem se responsabilize, a nível municipal, estadual e nacional, por efetivas melhorias nas condições de trabalho, de salário, de racionalização de metas. Vai-se levando, empurrando com a barriga, ordenando a aprovação de alunos despreparados, aumentando o contingente dos analfabetos funcionais. Quem se importa? Agora, há que se fazer uma remodelação estrutural ou vamos ficar pior do que estamos.

Nenhum país alcança o desenvolvimento sem estar alicerçado em uma Educação com objetivos funcionais, com condições efetivas de bom salário, segurança, respeito. E falando nele, as famílias que me perdoem, mas eta palavrinha desacorçoada, eta eco vazio o tal de RESPEITO!

Porque esse a gente traz de casa, ensinada e praticada pelos pais e se não traz, chega o caos. Quer saber? Nesse país, a continuar assim, ninguém mais vai querer ser professor, fechem as escolas e distribuam tacapes para os adolescentes se matarem entre si!  Imaginei uma triste cena: três cacos de vidro. Translúcidos, perfeitos para seccionar a língua da mulher que ia beber a água. Ou talvez, cortar sua garganta. Ou talvez descer para o estômago, passando pelo esôfago, rasgando e rasgando. Sangue saindo pela boca, olhos esgazeados, mãos implorando socorro, a mulher cai e se retorce de dor. E morre, enquanto os alunos presentes aplaudem ensandecidos, o sangrento espetáculo.  Os pais entram na sala e perguntam: já morreu?  E riem escandalosamente. Fecham-se as cortinas, acabou o espetáculo. Ih, meus leitores! Hoje estou mais amarga que chá de folha de melão São Caetano. E nada mais digo.

* Escritora e contadora de histórias

///
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário