07 de julho, de 2026 | 06:00

Estratégia errada

Fernando Rocha

Tivemos chances até de matar o jogo, incluindo: um pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, aos 7 minutos do 1º tempo; um gol perdido por Endrick cara a cara com o goleiro da Noruega, que por sinal fez ótimas defesas, além de bola na trave.

Nada, porém, justifica essa eliminação precoce nas oitavas de final, algo que não acontecia desde 1990 na Copa da Itália, quando perdemos de 1 x 0 para a Argentina de Maradona, que deu o passe para o gol de Caniggia.

Mas, o que deixou nosso torcedor e a crítica “absurdados” foi a passividade com que os jogadores da seleção iniciaram a partida, sem lutar ou atacar, apenas cercando o adversário no seu campo de defesa, observando e permitindo a Noruega trocar passes e jogar como queria.

Neste caso, a culpa pela estratégia equivocada é de quem comanda, treina e escala a equipe: o técnico Carlo Ancelotti.

Piorou mais
A clássica “Lei de Murphy”, segundo a qual “tudo que está ruim tende a piorar”, aconteceu após as mexidas feitas no time, pelo treinador italiano, que foram um verdadeiro desastre.

Sacou Matheus Cunha para a entrada de Endrick; pouco depois substituiu Gabriel Martinelli e Rayan por Neymar e Danilo, o que fez a seleção perder totalmente o meio de campo.

A partir dali, a equipe brasileira ficou sem nenhum poder de marcação e deu ainda mais liberdade ao time da Noruega, que abriu o placar aos 34 e fez o segundo aos 45 minutos, por intermédio do seu artilheiro Haaland, assegurando a vitória e a sua classificação.

E ainda teve um segundo pênalti a favor do Brasil, que Neymar bateu e fez o gol de honra, mas este, ao invés de recolher-se na sua insignificância, ainda foi provocar e bater boca com o goleiro da Noruega.

FIM DE PAPO

Segundo a Opta Sports, os 35% de posse de bola da Seleção Brasileira, registrados ao fim do 1º tempo, foi a menor posse de bola da equipe em Mundiais desde 1966, quando a medição passou a ser feita. A posse de bola não é garantia de vitória, mas um sinal se vier acompanhada de luta, entrega, raça, vontade de vencer, o que não vimos na seleção do Ancelotti neste Mundial.

Muita gente questiona o fato de Bruno Guimarães ter sido escolhido para bater o pênalti, que acabou perdendo de forma bisonha, no início da primeira etapa e poderia ter mudado o destino do Brasil. Vini Jr., até então o craque do time, para a maioria é quem deveria ter cobrado a penalidade, mas aí também há um questionamento. Vini Jr. com a camisa do seu clube, o Real Madrid, cobrou 14 pênaltis e errou quatro, o que não garante que faria o gol, mas, por estar com um grau de confiança mais elevado, talvez, as suas chances de sucesso fossem maiores.

É melancólica esta sexta eliminação consecutiva do Brasil por um algoz europeu. A série foi iniciada há 20 anos, com a França (2006), seguiu na derrota para a Holanda (2010), teve o maior vexame da história do esporte diante da Alemanha no 7 a 1 (2014); depois a Bélgica (2018), a Croácia (2022) e agora a Noruega (2026). O nosso jejum de títulos também vai aumentar de 24 para 28 anos, até a Copa 2030.

Temos a pior geração de jogadores desde que conquistamos o penta, em 2002. A lista de culpados para tanto fracasso é extensa e todos têm muito a ver com a desorganização da CBF, as trocas constantes de comando na entidade e na seleção, além de escolhas malfeitas ou direcionadas por motivos comerciais nas convocações da equipe nacional. A mídia, estimulada pelos patrocinadores, superestima os jogadores e contamina o torcedor, que passa a acreditar. Depois vem a derrota, e diante do fracasso retumbante a decepção com a Seleção Brasileira só aumenta de tamanho. Resumindo: uma equipe sem personalidade, cujos dirigentes se recusam a entender as lições do 7x1. (Fecha o pano!)

Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário