05 de julho, de 2026 | 08:20
Cartórios orientam como evitar golpes na compra de imóveis diante da alta de casos em Ipatinga
Site oficial com mais de 84 milhões de propriedades registradas permite identificar o verdadeiro proprietário e a situação do imóvel antes do negócio
Matheus Valadares / Arquivo DA
Crescimento de estelionatos impulsiona fraudes envolvendo falsos corretores, imóveis inexistentes e vendas duplicadas; Fuja do golpe, procure um cartório antes de fechar negócio
Crescimento de estelionatos impulsiona fraudes envolvendo falsos corretores, imóveis inexistentes e vendas duplicadas; Fuja do golpe, procure um cartório antes de fechar negócio Os golpes envolvendo compra, venda e aluguel de imóveis têm se multiplicado em Ipatinga, acompanhando a escalada dos crimes de estelionato no estado de Minas Gerais, que já somam cerca de 106 mil ocorrências por ano - o equivalente a mais de 12 golpes por hora -, com crescimento de 286% desde 2018, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025.
Para evitar esse tipo de fraude, os Cartórios de Registro de Imóveis disponibilizam o site oficial RI Digital (ridigital.org.br), plataforma que reúne dados de mais de 10,5 milhões de propriedades em todo o estado e que permite consultar quem é o verdadeiro proprietário do imóvel, qual é a sua situação jurídica atual e se existem impedimentos legais para a sua venda.
Pelo sistema é possível solicitar a certidão digital da matrícula, documento que reúne todo o histórico da propriedade e identifica o proprietário atual, além de apontar a existência de penhoras, dívidas, indisponibilidades ou outros bloqueios que possam impedir a transferência do bem.
A ferramenta atua justamente no ponto mais vulnerável das negociações fraudulentas: a falta de verificação em base oficial. Isso porque anúncios, contratos de gaveta e documentos particulares apresentados durante a negociação podem ser falsificados.
"A segurança de qualquer transação imobiliária reside na base de dados do Registro de Imóveis, pois é ela que valida quem detém o domínio do bem e se há plena liberdade para sua negociação", pontua Flávio Augusto Costa, presidente do Registro de Imóveis - Seção Minas Gerais (RIB-MG).
Casos recorrentes
Entre os golpes mais comuns estão a venda de imóveis por falsos proprietários, a oferta de propriedades inexistentes ou que não estão à venda, a negociação do mesmo bem para várias pessoas e a ocultação de dívidas ou restrições que impedem a transferência. Um cenário em que ter acesso à informação correta passou a ser o diferencial entre realizar um investimento seguro ou assumir um prejuízo que pode comprometer economias de uma vida inteira.
Casos recentes, como a autuação de falsos corretores e a desarticulação de uma quadrilha que operava em seis estados e causou prejuízos estimados em R$ 12 milhões, mostram como o impacto dessas fraudes pode atingir pessoas de qualquer perfil. Em muitos episódios, as vítimas só descobrem o golpe ao tentar formalizar a escritura ou registrar o imóvel, quando constatam que o vendedor não é o proprietário ou que há impedimentos legais desconhecidos.
Como se proteger
Antes de qualquer pagamento, o comprador pode acessar o RI Digital para verificar as informações do imóvel diretamente na base oficial. Caso ainda não tenha o número da matrícula, é possível utilizar a pesquisa para identificar imóveis vinculados ao CPF ou CNPJ do suposto vendedor. Com a matrícula localizada, o passo essencial é solicitar a certidão digital atualizada, documento que confirma quem é o proprietário e apresenta todo o histórico do bem, incluindo eventuais dívidas, penhoras ou restrições.
A orientação dos cartórios é: só avançar na negociação após conferir se o imóvel está, de fato, em nome de quem está vendendo e se não há impedimentos legais para a transação. (Com informações da Assessoria de Imprensa RIB/MG)
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