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01 de julho, de 2026 | 07:00

Novos horizontes para a logística em Minas Gerais: rumo à descarbonização

Antonio Nahas Junior *


A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais lançou duas cartilhas bem didáticas sobre os passos que o setor de logística deve dar para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Isso é muito necessário, pois temos a maior malha rodoviária do país, com 272 mil quilômetros. O Estado já havia elaborado, em 2023, seu Plano de Ações Climáticas, que fez o levantamento das emissões por setor econômico, propondo caminhos para a descarbonização da economia.

Segundo o Plano, o grande problema no setor de logística é o consumo de óleo diesel, responsável por quase metade das emissões: 19,21 milhões de toneladas de CO₂ por ano.

“Segundo o Plano, o grande problema no setor de
logística é o consumo de óleo diesel, responsável
por quase metade das emissões”


A primeira das cartilhas destina-se aos prefeitos e gestores municipais. A redução do consumo de diesel tem impactos positivos sobre a saúde da população, pois diminui a emissão de poluentes. Influi também na qualidade de vida urbana, reduzindo o tráfego de veículos e melhorando o trânsito nas cidades. São propostos quatro eixos. O primeiro deles seria a revisão do Plano Diretor e do Plano de Mobilidade Urbana, estabelecendo mudanças na estrutura urbana (zonas livres de emissões), locais para trânsito e estacionamento de caminhões, pontos de recarga de baterias elétricas para carros e caminhões e uma firme governança municipal, capaz de implementar as mudanças. Ao mesmo tempo, o setor público deverá agir como indutor dessa mudança, eletrificando a frota de transporte coletivo e incentivando a redução das emissões dos caminhões, ônibus e outros serviços contratados, como a limpeza urbana.

O segundo eixo seria econômico e financeiro: incentivo ao acesso a linhas de crédito competitivas, que facilitem a aquisição de veículos elétricos; benefícios fiscais a quem aderir ao programa; e concessões com metas climáticas, criando condições para a redução progressiva. Nos outros eixos, a cartilha frisa ainda dois pontos importantes: infraestrutura e inovação, com modificações na estrutura urbana para permitir amplos locais de estacionamento e recarga dos caminhões ainda movidos a diesel; definição de áreas onde esses veículos não poderão circular; e a massificação do uso de patinetes e bicicletas elétricas, para permitir a mobilidade dos pedestres, incentivando a diminuição da utilização dos automóveis nas cidades. Somadas, todas essas variáveis terão como resultado cidades silenciosas, com baixo trânsito de veículos, muitos patinetes e bicicletas circulando por toda parte, pontos de recarga disseminados pela cidade e amplos locais para estacionamento de caminhões.

Importantes são as linhas de crédito ofertadas aos gestores municipais: Novo PAC, BNDES Fundo Clima, BDMG Municípios e BDMG Estudos e Projetos. Essas linhas de financiamento são amplamente acessíveis aos municípios e disponibilizam recursos para aquisição de ônibus elétricos, ciclovias, infraestrutura de recarga, além da revisão dos planos diretores e outros itens. Trata-se de uma oportunidade para os municípios interessados se modernizarem.

Para os empresários do setor - A segunda cartilha é dirigida aos empresários do setor. Como relata o documento, 65% do transporte de cargas no Brasil é feito por caminhões movidos a diesel, que percorrem as estradas de todo o país. Em Minas, o setor sustenta 282 mil postos de trabalho.

E mais: 85% dos transportadores são empreendedores individuais, que têm o caminhão como meio de subsistência. Para que haja a redução drástica da emissão de carbono nas estradas, seria necessário substituir o caminhão movido a diesel por outro elétrico. Não será um processo simples nem rápido. O caminhoneiro já pagou ou está pagando seu caminhão e só vai providenciar a troca quando o veículo atual estiver no fim de sua vida útil, com aumento dos custos de manutenção.

Ao fazer a troca, vai optar pelo veículo mais barato. Para isso, leva em conta três variáveis: preço de compra do veículo novo, consumo de combustível ou eletricidade e custos de manutenção. Além disso, irá analisar a existência de pontos de recarga para seu veículo elétrico ao longo das rodovias. Atualmente, o custo de aquisição de um caminhão movido a energia elétrica é duas a três vezes superior ao de um caminhão movido a diesel. Embora os custos de manutenção e de combustível sejam muito mais baixos no veículo elétrico, a conta ainda não fecha. A balança ainda não é favorável à substituição.

“Atualmente, o custo de aquisição de um caminhão
movido a energia elétrica é duas a três vezes superior
ao de um caminhão movido a diesel”


Somente um programa em nível nacional, bem estruturado e competitivo, que ofereça vantagens reais aos caminhoneiros, vai incentivar essa substituição. A cartilha avança nessa direção, propondo linhas de crédito subsidiadas e incentivos fiscais, com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), mas ainda há muitas alternativas a serem analisadas e desenvolvidas. É um passo importante, mas há muita coisa a ser amadurecida.

A transição energética exige mudanças profundas nas matrizes tecnológicas utilizadas no setor de serviços e na indústria de transformação. É um processo longo, que exige novos bens de produção, novas linhas de manutenção desses equipamentos e linhas de financiamento adequadas.

Aqui no Vale, a reabertura da Ponte Mauá, em Timóteo, que passará a ser utilizada por caminhões da mineradora Bemisa, retira 150 caminhões por dia do perímetro urbano de Coronel Fabriciano e Timóteo. É um bom exemplo. Outras iniciativas, envolvendo parcerias com empresas da região, certamente melhorarão nossa qualidade de vida. O incentivo à descarbonização da frota de prestadores de serviços das empresas sediadas no Vale seria um passo muito importante, além de melhorar nossa qualidade de vida.

Parcerias com outras empresas, intensificando a oferta de patinetes e bicicletas elétricas, também poderão ajudar a melhorar o trânsito nas avenidas cada vez mais abarrotadas de veículos.

Clique aqui para acessar as cartilhas


* Economista, empresário. Morador do Vale do Aço.

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