30 de junho, de 2026 | 15:04

Muita emoção

Fernando Rocha

O Brasil passou no primeiro teste de mata-mata nesta Copa do Mundo e, se faltou bom futebol ao time comandado por Ancelotti no primeiro tempo, sobretudo do meio-campo de Casemiro e Paquetá, pelo menos sobrou emoção e na base da raça saiu com a vitória na segunda etapa, e a classificação às oitavas.

Endrick entrou no intervalo, no lugar de Paquetá, que sentiu uma contusão muscular, e mudou o astral da equipe que passou a tocar mais rápido a bola, encurralou os japoneses e poderia ter feito três ou quatro gols, não fosse os erros nas conclusões e a boa atuação do ótimo goleiro japonês, Suzuki.

Virada épica
O técnico Carlo Ancelotti tem plena confiança em Casemiro, que não conseguiu corrigir o erro de passe do lateral Danilo, de onde saiu o gol de Sano para o Japão, no 1º tempo; e mesmo assim decidiu mantê-lo em campo na segunda etapa.

Casemiro ainda estava pendurado com cartão amarelo, mas se redimiu ao marcar o gol de empate e foi escolhido o melhor em campo, salvando a sua pele e a de Danilo, o vilão do gol japonês.

Gabriel Martinelli, que entrou muito bem e deu mais agressividade ao ataque, teve muita frieza para dar o toque preciso e fazer o gol da vitória nos acréscimos da partida, o que evitou o sofrimento da prorrogação e quem sabe outro ainda maior numa decisão de pênaltis.

FIM DE PAPO

Não só temos melhores jogadores, mas também uma camisa tradicional muito mais pesada que a do Japão. Na cultura do futebol há certas regras que não têm explicação, pois apesar de mandar bola na trave, com zagueiro japonês tirando em cima da linha, goleiro fazendo defesas incríveis e chutes perigosos que passaram raspando, o Brasil ainda correu sério risco de ser eliminado precocemente da Copa do Mundo.

Por necessidade, pois estava perdendo e sendo eliminado, o time brasileiro no 2º tempo contra o Japão teve o seu melhor momento na competição até agora, levando-se em conta que o adversário é uma boa equipe. O que não pode ser normalizado é o futebol ruim do 1º tempo, o que poderá ser fatal se for repetido daqui por diante, uma vez que os adversários serão ainda de melhor qualidade. Ancelotti tem errado nas escalações, mas a culpa dessa oscilação do time não pode ser atribuída somente a ele, pois muito dessa bagunça vem lá de trás na preparação para esta Copa, com a troca de quatro técnicos em quatro anos e dois presidentes na CBF.

O goleiro Orlando Gill, de 1,99 m de altura, 26 anos, que defende desde 2023 o San Lorenzo da Argentina, pegou dois pênaltis e se transformou em herói na classificação do Paraguai, que eliminou a poderosa Alemanha. Chamado de “Courtois paraguaio” pelos torcedores argentinos, em referência ao belga do Real Madrid, Gill passou maus momentos no início da carreira quando jogava em seu país de origem. Seu filho, Lautaro, nasceu com problemas de saúde e Gill chegou a vender roupas, chuteiras e até a camisa que guardava de sua passagem pela seleção paraguaia Sub-20, para custear as despesas de tratamento do filho.

Com início às 14h de segunda-feira, o jogo do Brasil contra o Japão gerou um miniferiado extemporâneo, para alegria dos trabalhadores e terror dos empresários. Mas, daqui por diante, se o Brasil seguir passando de fases, o panorama será bem mais ameno para a classe empresarial. Pelas oitavas, o Brasil joga no próximo domingo, às 17h; se passar de fase, a seleção brasileira jogará as quartas de final em 11 de julho, sábado, às 18h (de Brasília); a semifinal da Copa do Mundo será no dia 15 de julho, quarta-feira, às 16h, o que poderá gerar outro miniferiado, mas a grande final da Copa do Mundo será disputada em 19 de julho, domingo, sem interferir no funcionamento do comércio. (Fecha o pano!)

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