28 de junho, de 2026 | 06:00

Chegou a hora

Fernando Rocha

“Chegou a hora da onça beber água” é uma expressão popular muito usada aqui nos nossos grotões que significa momento decisivo e de grande tensão.
Vamos enfrentar o Japão no primeiro mata-mata, nesta segunda-feira, às 14h, depois de chegar em primeiro lugar no Grupo C, após empatar com Marrocos e vencer com facilidade as seleções do Haiti e da Escócia.

O Brasil jogou 14 vezes contra o Japão, ganhou 12, empatou uma e perdeu só o amistoso do ano passado; por isso não temos o que temer, mas sim respeitar, pois é nítida a evolução do futebol naquele país.

O nível de confiança do torcedor brasileiro com a seleção brasileira ainda não atingiu o patamar máximo, o que só irá acontecer na medida em que o time comandado por Ancelotti avançar de fases.

É fato que a equipe evoluiu desde a estreia confusa contra Marrocos, mas é preciso que continue na mesma toada dos últimos dois jogos contra Haiti e Escócia.

Outro protagonista
Nos últimos três mundiais, o Brasil teve Neymar como o grande protagonista, sobre quem eram depositadas todas as esperanças de conquista do hexa.

Desde 2013, o hoje “adulto Ney” frequentou mais os departamentos médicos dos clubes que defendeu, e mesmo contundido foi convocado por Ancelotti e voltou a jogar somente nos últimos 15 minutos contra o Haiti.

O Brasil marcou 15 gols nas últimas duas Copas do Mundo, sendo cinco de Vinícius Jr., quase a metade deles, além de ele dar três assistências, sem contar os chutes que deram rebote ou o passe que clareou a jogada.

Neste Mundial de 2026, Vinícius Jr. marcou em todos os jogos da fase de grupos, o que só Jairzinho, Ronaldo, Romário e Rivaldo conseguiram.

Tomara que Neymar jogue muito e ajude a decidir jogos pela nossa seleção, mas vamos lembrar que neste momento o craque do time se chama Vinícius Jr.

FIM DE PAPO

Contra a “poderosa” Escócia, que ocupa a 37ª posição no ranking da Fifa, o Brasil baixou as linhas quando necessário para contra-atacar, e fez isso muito bem, tanto é que nessa marcação ofensiva perde-pressiona conseguiu roubar duas bolas, que resultaram em gols. Marcando em seu campo, o Brasil permitiu que a Escócia chegasse a mais de 60% de posse de bola, o que causa certa preocupação. Contra seleções de melhor qualidade, como a espanhola, a francesa ou a argentina, que possuem jogadores diferenciados, se este esquema for usado o risco de levar gols é muito grande.

O goleiro Alisson fez pelo menos três boas defesas contra a Escócia, o que serviu para melhorar a sua imagem perante a torcida brasileira. Ele e os goleiros reservas Ederson e Weverton não puderam usar o uniforme vermelho, por iniciativa do presidente da CBF, Samir Xaud, sob a alegação de que o mesmo “não faz parte da coleção” para esta Copa do Mundo. Nos bastidores, se comenta que o motivo na verdade foi político, a fim de não contrariar um lado. Os goleiros do Brasil já utilizaram vermelho em outras oportunidades, como em 2013 e 2014, mas agora, com o país dividido politicamente, a CBF preferiu não criar polêmica. Só não explicou o meião na cor preta, que não faz parte das cores nacionais e está sendo usado frequentemente pela seleção.

O treinador italiano do Brasil, Carlo Ancelotti, além de se esforçar para falar e se comunicar em português, agora foi flagrado cantando o nosso hino nacional, algo que merece os maiores elogios. Muitos treinadores estrangeiros chegam aqui e não fazem a mínima questão de falar português. Um exemplo disso é o argentino Jorge Sampaoli, morador de Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, que arrisca um portunhol meia-boca quando seu time ganha e, em caso de derrota, ninguém entende o que fala.

A vitória de 3 x 0 sobre a Escócia não foi importante apenas pelo resultado, mas por mostrar pela primeira uma nítida evolução do futebol apresentado desde que Carlo Ancelotti assumiu. Depois de um começo ruim contra Marrocos, o time brasileiro teve apenas bons 30 minutos contra o Haiti, na vitória também por 3 x 0. Contra a Escócia, o time foi sólido na defesa e meio-campo, além de letal nos contra-ataques, com enorme capacidade de pressionar e roubar a bola no campo adversário. No mata-mata só sabemos como começa e nunca como vai terminar, mas temos motivos para confiar nesse modelo de jogo coletivo e acreditar mais no Brasil. (Fecha o pano!)

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