26 de junho, de 2026 | 06:41
Número oficial de vidas perdidas na Venezuela, por causa de terremotos, já passa de 235
Equipes de socorro buscam milhares de desaparecidos; Brasil envia nesta sexta-feira bombeiros, equipamentos e ajuda humanitária à Venezuela
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, coordena a ajuda. Ela assumiu o cargo quando os EUA sequestraram em uma ação militar de guerra e prenderam seu aliado e ex-líder Nicolás Maduro em janeiro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, coordena a ajuda. Ela assumiu o cargo quando os EUA sequestraram em uma ação militar de guerra e prenderam seu aliado e ex-líder Nicolás Maduro em janeiroCom informações da Telesur
Equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada desta sexta-feira (26) para localizar centenas de venezuelanos presos sob os escombros e encontrar milhares de desaparecidos após dois dos maiores terremotos da história moderna da América Latina devastarem áreas dentro e ao redor da capital da Venezuela, Caracas.
Segundo o governo venezuelano, 235 corpos já foram retirados dos escombros e encaminhados para centros médicos. As autoridades, entretanto, ainda não divulgaram uma estimativa oficial do número total de vítimas dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados na quarta-feira em uma região localizada a cerca de 160 quilômetros a oeste da capital.
Um site criado para localizar desaparecidos e compartilhado por líderes da oposição contabilizava 49,5 mil pessoas sem paradeiro conhecido. Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou que o número de mortos poderá ultrapassar 10 mil. O Ministério das Relações Exteriores da Espanha confirmou a morte de dois cidadãos espanhóis e informou que outros 80 continuam desaparecidos.
Resgate em meio aos escombros
Com a chegada de equipes internacionais de resgate, bombeiros, militares e voluntários passaram a vasculhar edifícios destruídos. Em diversos pontos, os trabalhos eram feitos com as próprias mãos e à luz de lanternas, devido à falta de energia elétrica.A tragédia agravou a situação de milhares de famílias em um país que enfrenta há décadas uma crise econômica e política, marcada pelo êxodo populacional e pela deterioração da infraestrutura e dos serviços públicos. Grande parte da população vive em comunidades precárias instaladas nas encostas, conhecidas como "barrios".
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Nações de todo o mundo prometeram apoio, inclusive algumas que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica sob o governo do Partido de Hugo Chávez, já falecido, e Nicolás Maduro, sequestrado e preso pelos Estados Unidos
Nações de todo o mundo prometeram apoio, inclusive algumas que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica sob o governo do Partido de Hugo Chávez, já falecido, e Nicolás Maduro, sequestrado e preso pelos Estados UnidosMilhares passam a noite nas ruas
O governo informou que pelo menos 250 edifícios foram danificados ou destruídos. Entre eles estão oito hospitais, a sede da Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França.La Guaira, onde está localizado o principal aeroporto do país, foi uma das regiões mais atingidas. Voluntários percorreram a rodovia Caracas-La Guaira distribuindo água, alimentos e medicamentos.
Na cidade costeira de Morón, no estado de Carabobo, próxima ao epicentro, casas desabaram e moradores ficaram sem abastecimento de água e energia elétrica. Muitas famílias conseguiram retirar apenas alguns pertences, como colchões, televisores e máquinas de lavar.
Ajuda internacional
Diversos países anunciaram apoio à Venezuela. Segundo as informações divulgadas, a presidente interina Delcy Rodríguez agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pelo apoio prestado.Washington flexibilizou sanções para permitir o envio de assistência humanitária. Trump declarou que os Estados Unidos estavam "prontos, dispostos e aptos a ajudar". Já o secretário de Estado, Marco Rubio, informou que equipes de resgate seriam enviadas, enquanto o Pentágono prestaria apoio logístico e auxiliaria na operação do aeroporto danificado de Caracas.
Rodríguez também divulgou imagens da chegada de soldados mexicanos e cães farejadores ao aeroporto de La Guaira, que opera apenas voos militares e governamentais.
O chefe de ajuda humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, afirmou que a entidade coordena equipes internacionais de resgate e ressaltou que será necessário "um esforço coletivo massivo" para enfrentar a tragédia em um país onde cerca de 8 milhões de pessoas já necessitavam de assistência humanitária antes dos terremotos.
A missão de direitos humanos da ONU também pediu ao governo venezuelano que suspenda restrições impostas a algumas redes sociais, classificando a conectividade como uma "questão de vida ou morte" para as operações de emergência.
Brasil envia missão humanitária
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio, nesta sexta-feira (26), de um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) para apoiar as buscas por desaparecidos.A aeronave partirá do Aeroporto Internacional de Guarulhos transportando 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A missão levará nove toneladas de equipamentos destinados às operações de busca e socorro.
"Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano", publicou Lula em uma rede social.
O presidente informou ainda que conversou por telefone com Delcy Rodríguez para manifestar solidariedade ao povo venezuelano e definir a melhor forma de cooperação entre os dois países.
Um segundo voo está previsto para sábado, transportando equipamentos para a instalação de um hospital de campanha, 100 purificadores de água movidos a energia solar, medicamentos e materiais médicos destinados a cirurgias.
Mais cedo, o Ministério da Saúde informou que mantém contato com as autoridades venezuelanas para enviar insumos e profissionais da área da saúde. Veja, abaixo, vídeo de um dos locais da devastação:
🚨 Organismos de socorro rescataron con vida a 25 personas de entre los escombros tras el colapso de tres edificios en la parroquia San Bernardino, Caracas. Las operaciones se ejecutan de manera ininterrumpida desde la tarde de ayer, tras el doblete sísmico de magnitudes 7.2 y pic.twitter.com/uQW31Duxij
teleSUR TV (@teleSURtv) June 25, 2026
Impacto econômico
No setor petrolífero, considerado estratégico para a Venezuela e integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), empresas estrangeiras informaram que suas operações não sofreram interrupções significativas e que a infraestrutura de produção foi, em grande parte, preservada.A Bolsa de Valores de Caracas permaneceu fechada e passou a funcionar como centro de recebimento de doações para as vítimas.
Até então, o terremoto mais mortal da história moderna da Venezuela havia ocorrido em 1967, quando 240 pessoas morreram.
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