23 de junho, de 2026 | 17:35

Coordenadora do Sind-UTE acompanha investigação de denúncia de racismo na ALMG

Divulgação
Para Denise Romano, ''trata-se de uma manifestação racista que não pode ser naturalizada''Para Denise Romano, ''trata-se de uma manifestação racista que não pode ser naturalizada''

A coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise de Paula Romano, prestou depoimento à Polícia Legislativa para acompanhar a denúncia de racismo da qual foi vítima. O caso ocorreu em uma audiência do Assembleia Fiscaliza, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Conforme o Boletim de Ocorrência (BO), Denise Romano e Mônica Correa dos Santos, coordenadora da subsede do Sind-UTE de Ibirité, participavam da audiência quando foram alertadas por duas colegas de que haviam sido alvo de comentários racistas.

“Por que tem gente que não assume o cabelo ruim?”, teria dito uma das mulheres apontadas como autora da ofensa, que estava acompanhada de uma colega. Ambas seriam superintendentes de ensino. Ainda segundo o BO, as acusadas negam o fato e afirmam que não proferiram a frase.

Apesar da negativa, o Sind-UTE/MG emitiu uma nota de repúdio ao tratamento dispensado às dirigentes sindicais. O texto afirma que o comentário, além de ofensivo, carrega um histórico de discriminação contra a população negra, reforçando estigmas que associam características físicas a algo negativo.

“Trata-se de uma manifestação racista que não pode ser naturalizada. O agravante é que o comentário foi feito entre duas superintendentes de ensino, representantes do governo estadual. Isso revela como o racismo atravessa não apenas relações individuais, mas também estruturas institucionais”, diz trecho da nota.

O Sind-UTE/MG enfatizou que o episódio não pode ser tratado como "opinião ou brincadeira", classificando-o como uma violência que exige enfrentamento e apuração rigorosa por parte das autoridades.

“Este caso reafirma a urgência de uma postura coletiva: não há democracia sem igualdade racial, não há educação libertadora sem respeito à diversidade. O enfrentamento ao racismo exige posicionamento, denúncia e mobilização. O silêncio diante da discriminação é cumplicidade”, cobra a entidade.

O sindicato encerra a nota reafirmando seu compromisso com a luta antirracista e com a defesa da escola pública como um espaço plural e inclusivo, destacando que a educação deve ser um instrumento de emancipação, e não de exclusão.
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