23 de junho, de 2026 | 11:00
Caseiro e companheira são condenados pela morte de idoso de 71 anos em Inhapim
Kauê Ferreira e Maria Eduarda foram sentenciados por homicídio qualificado do médico oftalmologista Paulo Francisco, em um sítio em Inhapim
Levados a Júri Popular nesta segunda-feira (22), na Comarca de Inhapim, o caseiro Kauê Ferreira da Silva, de 28 anos, e sua companheira, Maria Eduarda Magalhães Vitorino, de 19 anos, foram condenados pela morte do médico oftalmologista Paulo Francisco Correa de Barros, de 71 anos de idade, ocorrida no dia 27 de outubro de 2024, por volta das 10h, no sítio Pica Pau, localizado no Córrego Boa Sorte, zona rural de Inhapim, fato esse noticiado pelo Diário do Aço.
Em novembro de 2025 o caso foi levado a julgamento e Kauê foi sentenciado pelo crime. Entretanto, o julgamento foi anulado por um problema técnico e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a realização de novo Júri Popular. O processo, até então, estava separado. Como houve a anulação e a ordem para novo julgamento, o processo voltou a reunir os dois réus num único julgamento.
Reprodução
Câmeras de segurança gravaram parte da dinâmica do crime: ao fundo, o caseiro que acabou matando o patrão, Paulo Francisco Correa de Barros
Câmeras de segurança gravaram parte da dinâmica do crime: ao fundo, o caseiro que acabou matando o patrão, Paulo Francisco Correa de BarrosO que diz a acusação
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público, Kauê Ferreira da Silva, então caseiro da propriedade, e Maria Eduarda Magalhães Vitorino teriam agido em comunhão de esforços para matar a vítima mediante disparo de arma de fogo e sucessivas agressões físicas, inclusive com emprego de facão, causando lesões que resultaram em sua morte. Câmeras de segurança gravaram parte da dinâmica do crime, cometido por um desentendimento entre o patrão e os empregados.As investigações apontaram que, após o homicídio, antes de fugirem, os acusados também teriam alterado artificialmente o cenário dos fatos para dificultar a apuração do crime, além de subtraírem a arma de fogo pertencente à vítima.
O casal foi preso em 13 de janeiro de 2025, pela Polícia Civil em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Recambiados para Minas Gerais, o casal respondeu ao processo, encarcerado.
Laudos periciais
Conforme o MPMG, o caso foi amplamente instruído com laudos periciais, depoimentos de testemunhas e imagens captadas pelo sistema de monitoramento da propriedade, que registraram momentos relevantes da dinâmica criminosa.Reprodução PCRJ
Kauê Ferreira e Maria Eduarda foram sentenciados por homicídio qualificado do médico oftalmologista Paulo Francisco, em um sítio em Inhapim
Kauê Ferreira e Maria Eduarda foram sentenciados por homicídio qualificado do médico oftalmologista Paulo Francisco, em um sítio em InhapimPenas máximas para marido e mulher
No julgamento no começo da semana, o Conselho de Sentença acolheu substancialmente as teses sustentadas pelo Ministério Público.Kauê Ferreira da Silva foi condenado pela prática de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima), com incidência da causa de aumento de pena em razão da vítima ser pessoa idosa, além dos crimes de fraude processual majorada, furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido. A pena foi fixada em 40 anos de reclusão.
Maria Eduarda Magalhães Vitorino foi condenada pela prática de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima), também com incidência da causa de aumento relacionada à condição de pessoa idosa da vítima, bem como pelo crime de fraude processual majorada. A pena foi fixada em 21 anos de reclusão.
Em razão das condenações e da gravidade concreta dos fatos reconhecida pelo Tribunal do Júri, foi determinado o imediato cumprimento das penas impostas aos réus.
O Promotor de Justiça, Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, que atuou no caso, afirma que a decisão do Conselho de Sentença representa uma resposta firme do sistema de justiça diante de um crime praticado com extrema violência contra uma vítima idosa.
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