18 de junho, de 2026 | 09:41
Operação mira esquema bilionário de bets ilegais e bloqueia até R$ 145 milhões em bens
Divulgação
A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos Estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo, expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte
A Receita Federal participou nesta quinta-feira (18) da Operação Conto da Sorte, deflagrada em conjunto com os Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco para investigar um suposto esquema de exploração irregular de apostas esportivas e jogos online. A ação tem como objetivo reunir provas, apreender documentos e garantir o bloqueio de bens e valores de investigados até o limite de R$ 145 milhões.
A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos Estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo, expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, Tribunal de Justiça do Rio Grande do NorteAs investigações apontam que empresas de apostas de quota fixa, conhecidas como bets, estariam operando sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda. Segundo os órgãos responsáveis, as empresas investigadas movimentaram bilhões de reais, valor que ainda será apurado com precisão após a análise dos materiais recolhidos durante a operação.
De acordo com os investigadores, as apurações tiveram início após a criação da autarquia LOTSERIDÓ pela Prefeitura de Bodó, no Rio Grande do Norte. O órgão passou a conceder credenciamentos para empresas de apostas de quota fixa, procedimento considerado irregular pelos órgãos de controle.
Embora a autarquia tenha sido extinta em outubro de 2025, as empresas credenciadas continuaram atuando, segundo a investigação, sem autorização do órgão federal responsável pela regulamentação do setor.
Empresas de fachada e laranjas
As investigações indicam que o grupo teria criado dezenas de empresas ligadas à exploração de apostas e instituições de pagamento. Formalmente, essas companhias eram transferidas para terceiros sem capacidade econômica compatível, enquanto o controle financeiro e administrativo permanecia com os verdadeiros responsáveis pelo esquema.
Ainda conforme a apuração, alguns sócios registrados seriam beneficiários de programas sociais, enquanto outras empresas foram colocadas em nome de familiares dos investigados. Parte das companhias sequer possuiria atividade econômica real, sendo utilizadas exclusivamente para movimentações financeiras.
Os investigadores também apontam indícios de incompatibilidade entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados, possível sonegação fiscal, lavagem de dinheiro por meio da aquisição de imóveis e ausência de recolhimento de repasses obrigatórios previstos na legislação que regulamenta as apostas esportivas no país.
Mandados em três estados
A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, Ceará e São Paulo. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara da Comarca de Currais Novos, no Rio Grande do Norte.
Participaram da ação auditores e analistas da Receita Federal, promotores de Justiça, servidores dos Ministérios Públicos do Rio Grande do Norte e de Pernambuco, representantes da Secretaria Estadual da Fazenda do Rio Grande do Norte e policiais civis e militares.
Segundo a Receita Federal, a atuação do órgão incluiu análises fiscais, levantamento da capacidade econômica dos investigados, identificação de empresas sem funcionamento efetivo e mapeamento de vínculos entre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao suposto esquema.
Combate a fraudes
Em nota, a Receita Federal destacou que a operação reforça o compromisso institucional de combater fraudes envolvendo empresas de fachada, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e irregularidades relacionadas ao recolhimento de tributos e repasses federais.
As investigações continuam e novas medidas poderão ser adotadas a partir da análise dos materiais apreendidos
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