17 de junho, de 2026 | 08:10
Vale do Aço cria 448 empregos em abril, mas indústria permanece em queda
Matheus Valadares
No acumulado de 2026, a área de serviços criou 1.071 postos de trabalho e compensou os resultados negativos observados em outros segmentos
Por Matheus Valadares
No acumulado de 2026, a área de serviços criou 1.071 postos de trabalho e compensou os resultados negativos observados em outros segmentosA Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) encerrou abril com saldo positivo de 448 empregos com carteira assinada, conforme levantamento elaborado pelo Observatório das Metropolizações Vale do Aço do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) campus Ipatinga com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e encaminhado ao Diário do Aço.
Apesar do resultado favorável no mês, os números revelam uma tendência que vem se consolidando na economia regional: a perda de força da indústria na geração de postos de trabalho. Para William Passos, geógrafo e coordenador de estatística e de pesquisa do observatório, no Vale do Aço já há muitos anos quem puxa o emprego é o setor de serviços, não é a indústria", esclarece em entrevista ao jornal.
Serviços sustentam crescimento
No acumulado de 2026, o segmento de serviços criou 1.071 postos de trabalho, desempenho que compensou os resultados negativos observados em outras atividades.
A construção civil também apresentou resultado positivo, com saldo de 229 vagas. Em contrapartida, comércio (-100), agropecuária (-5) e, principalmente, indústria (-591) registraram mais desligamentos do que admissões nos quatro primeiros meses do ano.
O desempenho industrial chama atenção por ocorrer em uma região historicamente marcada pela atividade siderúrgica e metalúrgica, setores que ajudaram a moldar a economia do Vale do Aço ao longo das últimas décadas.
O pesquisador avalia que esse movimento tem reflexos sobre toda a dinâmica econômica da região e exige adaptação por parte dos gestores públicos e da iniciativa privada.
Os resultados mostram que o setor de serviços continua a ser o grande motor da economia do Vale do Aço, que vem passando por um inquestionável processo de desindustrialização, do ponto de vista do mercado de trabalho, com repercussões em todo o conjunto da economia. Isso significa que tanto os gestores quanto os tomadores de decisão dos setores público e privado precisam ajustar as suas expectativas a essa nova realidade”, avalia William Passos.
No entanto, o fato da região estar com saldo positivo no acumulado dos primeiros quatro meses do ano, e sobretudo de forma isolada no mês de abril, que também teve uma geração fraca” a nível estadual e nacional, é um fato que deve ser comemorado.
É importante lembrar que o mês de abril foi um mês fraco para geração de emprego no país. Uma geração de quase 86 mil é uma geração fraca. O fato do Vale do Aço ter encerrado abril e o acumulado do ano com saldo positivo, na conjuntura que o Vale do Aço vem apresentando, é um elemento importante e favorável a ser considerado", frisou o coordenador estatístico.
Municípios
Entre os municípios da RMVA, Coronel Fabriciano liderou a criação de vagas em abril, com saldo de 217 empregos formais. Em seguida aparecem Ipatinga, com 139 postos, e Timóteo, com 128. Santana do Paraíso foi a única cidade a registrar resultado negativo, com fechamento de 36 vagas.
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a região soma 604 empregos criados. Ipatinga concentra a maior parte desse saldo, com 696 vagas abertas entre janeiro e abril. Coronel Fabriciano registra saldo positivo de 175 postos, enquanto Santana do Paraíso e Timóteo acumulam perdas de 95 e 172 empregos, respectivamente.
Os efeitos da uberização”
Ao analisar o mercado de trabalho regional, William Passos destaca que os números do emprego formal não refletem toda a dinâmica laboral existente no Vale do Aço. Segundo ele, há uma participação significativa de trabalhadores vinculados a plataformas digitais de transporte e entrega, fenômeno conhecido como "uberização". Embora não haja uma mensuração exata desse contingente, Passos avalia que muitos trabalhadores recorrem a essas atividades como principal fonte de renda ou para complementar os ganhos obtidos em empregos com carteira assinada. O pesquisador observa que o salário médio de admissão na região varia entre R$ 2,1 mil e R$ 2,4 mil brutos, patamar que, em muitos casos, incentiva a busca por ocupações informais.
"Isso explica alguns setores terem dificuldades para contratar mão de obra, porque essa mão de obra muitas vezes prefere atuar na informalidade, em função do salário adquirido na informalidade ser bastante competitivo frente ao salário com carteira assinada", observa.
O professor acrescenta que a maior flexibilidade de horários oferecida pelo trabalho informal também influencia essa escolha, embora sem as garantias trabalhistas e previdenciárias proporcionadas pelo emprego formal.
Cenário estadual e nacional
Em abril, o Brasil registrou saldo positivo de 85.888 empregos formais, enquanto Minas Gerais contabilizou a abertura de 8.991 vagas. No acumulado do ano, o país soma 699.762 postos criados e o estado, 78.640.
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