16 de junho, de 2026 | 12:28
Servidores do Samu em Valadares questionam rodízio entre bases e relatam problemas nas condições de trabalho
Matheus Valadares - Repórter do Diário do AçoServidores do Samu em Governador Valadares procuraram o Diário do Aço para questionar a implantação de um sistema de rodízio entre as bases operacionais do município. Segundo eles, essa mudança foi o estopim de problemas nas condições de trabalho, incluindo situações de assédio moral, insalubridade e desvio de função”.
As reclamações constam em documentos encaminhados à direção do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência do Leste de Minas (Consurge), responsável pela gestão regionalizada do serviço, ao qual o
Diário do Aço teve acesso, além de relatos de fontes.
Conforme os trabalhadores, o rodízio unificado entre bases foi determinado pelo Memorando 003/2026 - SCF, de 1º de maio. A medida passou a valer em junho e afeta profissionais que atuam nas duas bases do Samu em Governador Valadares: uma localizada na região central, junto ao Corpo de Bombeiros, e outra na região do Vila Isa.
No requerimento administrativo apresentado à direção do Consurge, os condutores socorristas afirmam que a alteração foi implementada de forma unilateral e sem qualquer diálogo prévio” com os profissionais diretamente afetados. Segundo eles, a mudança interfere na previsibilidade das escalas, na logística de deslocamento, na rotina pessoal e profissional dos servidores e na organização de vínculos de trabalho já estabelecidos.
No entanto, a direção do consórcio rechaçou a hipótese de que não houve diálogo, e que discutiu o assunto junto ao sindicato representante da categoria.
A gente já tem um diálogo constante com o sindicato, tem tratado isso de forma bem profissional, democrática e buscando estabelecer critérios sempre técnicos para que a gente consiga ter uma qualificação da assistência. O rodízio foi implementado de uma maneira onde a gente buscou garantir a qualificação técnica dos profissionais, isonomia entre a equipe, ou seja, todos os profissionais terem o direito e a condição de passarem por todas as situações que envolvem o atendimento das duas bases que se encontram em Governador Valadares. Todas as questões técnicas foram preservadas, analisadas para que a gente garantisse e garanta a qualidade da assistência à população”, explicou Ernany Duque, diretor executivo do Consurge, ao Diário do Aço.
Impacto na rotina
Os servidores sustentam que muitos estruturaram a vida pessoal e profissional considerando a base onde atuavam. No caso da base do Vila Isa, por exemplo, há trabalhadores que também cumprem plantões no Hospital Bom Samaritano, localizado no mesmo bairro, e em unidades próximas ligadas ao atendimento de usuários da BR-116.
No documento enviado à direção do Consurge, os trabalhadores alegam que o rodízio gera perda da previsibilidade da jornada”, desorganização da rotina pessoal e profissional”, dificuldades logísticas decorrentes da alternância de bases” e aumento do desgaste físico e mental”. Eles também cobram a apresentação de estudos técnicos, relatórios de impacto operacional ou demonstração concreta da necessidade da mudança.
O diretor executivo do Consurge se manifestou sobre as queixas dos servidores do consórcio. Foto: Anderson Figueiredo Assédio
Além do rodízio, servidores relatam outros problemas. Entre as queixas estão supostas situações de assédio moral por parte de coordenadores, ausência de garantia de descanso efetivo durante plantões de 12 horas e obrigação de que médicos, enfermeiros e outros profissionais façam a limpeza de ambulâncias. Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, a cobrança incluiria até passar pretinho no pneu”.
Ernany confirmou que o consórcio recebeu, por meio dos canais oficiais, denúncias de assédio e que tem tomado todas as providências com relação às situações”. Ele ainda garante que a direção do Consurge não será omissa diante dessas queixas e que medidas administrativas serão tomadas.
A gente trata caso a caso, nós temos uma assessoria jurídica que nos dá todo o respaldo para que a gente consiga efetuar todas essas ações da melhor maneira possível. O que a gente tem observado também é que tem existido assédio ascendente e a gente procura também, da melhor forma possível, inibir esse tipo de assédio”, afirmou.
O diretor acrescentou que, por meio da atualização da NR01, o departamento de psicologia e recursos humanos do consórcio pretende oferecer conscientização para todos os trabalhadores.
Em outra queixa registrada em um dos documentos ao qual o Diário do Aço teve acesso, os trabalhadores classificam a imposição de atividades alheias às funções contratuais como possível desvio de função. Eles afirmam que tarefas como limpeza e manutenção de viaturas extrapolam as atribuições de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores, e defendem que esse tipo de serviço deveria ser executado por pessoal especializado.
Quanto a essa queixa, Duque pontua que a decisão é baseada em legislações e normas técnicas. A higienização e a limpeza das ambulâncias é uma prerrogativa dos profissionais, seja o condutor, o médico, o enfermeiro, junto ao técnico de enfermagem também. É lógico que cada um, dentro das duas condições e padronizações. Existem legislações do Coren, existem outras legislações que tratam a respeito disso, além das normas internas do próprio consórcio. O regimento interno do Consurge traz isso muito bem claro, quais são as atribuições de cada uma das funções. A higienização, a limpeza, está dentro da responsabilidade de cada um dos profissionais que tripulam a ambulância”, defendeu.
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