09 de junho, de 2026 | 10:11
Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan
Informações da Agência BrasilO Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 42 casos de reações adversas com sintomas mais severos. Desses, três pacientes precisaram de internação e dois morreram.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas ressaltou que os casos representam um sinal de alerta e serão investigados por especialistas.
Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos”, disse.
Padilha destacou ainda a confiança do ministério na capacidade institucional do Butantan.
A suspensão vale apenas para a vacina produzida pelo Butantan e não inclui a Qdenga, fabricada pela Takeda e aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS).
Até 30 de maio, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas em todo o país. O imunizante foi incorporado ao SUS em janeiro deste ano.
A estratégia de vacinação foi adotada inicialmente em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Em março, também houve vacinação na região de Araguaína (TO).
Em fevereiro, o SUS ampliou a vacinação para profissionais da atenção primária à saúde, grupo em que foram identificados os casos graves registrados.
O Ministério da Saúde reforçou que a suspensão temporária não invalida a eficácia do imunizante e que as pessoas vacinadas continuam protegidas contra a dengue.
A recomendação da farmacovigilância busca ampliar o tempo para estudos adicionais que possam identificar eventuais fatores de risco.
Serão investigados o histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, causas alternativas, possíveis desvios de qualidade e erros de imunização.
Casos graves
A vigilância dos eventos adversos integra a rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Os casos foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendou a suspensão da vacinação com o imunizante do Butantan.Das mais de 500 mil doses aplicadas, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados.
Entre esses casos, 42 pessoas apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal, vômito persistente ou sangramento, correspondendo a 0,008% dos vacinados.
Três pessoas desenvolveram quadros graves e foram hospitalizadas:
Uma mulher de 39 anos apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após a vacinação, evoluindo para dengue grave com choque e necessidade de internação em UTI. Ela recebeu alta.
Uma mulher de 48 anos desenvolveu dengue grave com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação e morreu.
Um homem de 58 anos apresentou quadro febril cinco dias após a vacinação, evoluiu rapidamente para dengue grave com choque refratário e morreu.
Observação
Segundo Alexandre Padilha, as pessoas vacinadas com o imunizante do Butantan nos últimos 21 dias terão acompanhamento especial para identificação de possíveis reações adversas.A orientação do Ministério da Saúde é procurar uma unidade de saúde em caso de intensificação de sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
Reavaliação da estratégia
Em nota, o Instituto Butantan informou que a vacinação será interrompida temporariamente para reavaliação da estratégia vacinal, com o objetivo de garantir a segurança da população nas próximas etapas da campanha.Segundo o instituto, a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves de dengue em estudo publicado em revista científica internacional.
Nos três municípios onde houve vacinação em massa, o acompanhamento de farmacovigilância não identificou casos relevantes de reações adversas na população.
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