04 de junho, de 2026 | 07:00
Donald Trump, o homem às avessas
Paulo da Rocha Dias *
Vivi e estudei, no início dos anos 1980, em Chicago, a capital do aço, e em Detroit, a capital do automóvel, a Motor City. Ford, Chevrolet, Chrysler e tantas outras marcas famosas estavam sediadas em Detroit. Chicago sediava as mais importantes indústrias metalúrgicas do Meio-Oeste americano. As indústrias automobilísticas de Detroit foram ocupadas pela ferrugem. Os galpões das siderúrgicas de Chicago, pela música, menos mal.Aqueles galpões das siderúrgicas de Chicago lembram os da Usiminas. Só que lá foram abandonados nos anos 1980. A grande população negra de Chicago foi ocupando aqueles imensos barracões de zinco para shows com um tipo de música que se tornou conhecido como Chicago House Music, hoje chamado simplesmente de House Music.
O fato é que os Estados Unidos da América
do Norte estão completamente quebrados”
O Meio-Oeste americano era uma região historicamente industrial e a mais rica dos Estados Unidos. Englobava os estados de Michigan (onde está Detroit), Illinois (onde está Chicago), Pensilvânia, Ohio e Indiana. A região era conhecida antigamente como o cinturão do aço, o nosso Vale do Aço. Hoje constitui o cinturão da ferrugem.
O fato é que os Estados Unidos da América do Norte estão completamente quebrados. São 32 trilhões de PIB e uma dívida de 39 trilhões. É como se você devesse 23% a mais do que tudo o que tem. Essa grana, a 3,5% ao ano, que é o que o Fed americano paga em juros, dá 1 trilhão e 365 bilhões por ano. São 113 bilhões e 750 milhões de dólares por mês. Esses juros dão para sustentar a maioria dos países do mundo.
Além da grana que devem e dos juros a pagar, há o problema da indústria. A indústria de automóveis emigrou para a China e levou a cidade de Detroit à falência. Além disso, a tecnologia mudou completamente a questão industrial. A principal questão hoje é a produção de energia. E energia depende dos 17 elementos químicos chamados terras raras. Claro que os combustíveis fósseis não sairão de moda em um futuro próximo. Aqui entra a questão central desta coluna: Donald Trump, o homem às avessas.
Esse homem quer usar o único poder que os Estados Unidos ainda têm, o poder das armas modernas, para acabar com a quebradeira do país. Ele pensa em transformar o mundo em um grande formigueiro, por meio da submissão, invasão e incorporação de territórios.
É o desespero econômico, a perda de liderança
e o empobrecimento que o levam a isso”
Antes de pensar em invadir o Canadá, tentou conquistar a Ucrânia. Depois, quis invadir a Groenlândia e, de fato, invadiu a Venezuela, está tentando invadir o Irã, que resiste bravamente, e planeja invadir Cuba, que ele asfixia a cada dia. Tudo por duas causas: combustíveis fósseis, aos quais damos o nome de petróleo, e terras raras.
Trump age muito mais por instinto do que por inteligência. É o desespero econômico, a perda de liderança e o empobrecimento que o levam a isso. Ele não consegue entender e aceitar que os líderes mundiais e a diplomacia estão hoje com os olhos voltados para a China. Os olhos voltados para a França e depois para os Estados Unidos são, hoje, coisa do passado.
No caso brasileiro em particular, temos muito com que temer e nos preocupar: temos a maior reserva de oxigênio do planeta na Floresta Amazônica. Temos grandes reservas de combustíveis fósseis no pré-sal. De terras raras, nem se fale. Mas o que mais nos preocupa são os traidores da pátria e da soberania nacional.
* Jornalista, escritor e professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














