01 de junho, de 2026 | 20:03

Bebê desaparecido: versões contraditórias dos pais levam Polícia Civil a investigar caso com passagem por Ipatinga

Casal de Belo Horizonte apresentou relatos divergentes sobre o paradeiro da criança, que teria nascido em setembro de 2025; investigação busca esclarecer o que ocorreu com o bebê

Reprodução
Conhecidos do casal começaram a indagar sobre o paradeiro da criança e, diante das contradições, a PM foi acionada, mas até agora o bebê não foi encontrado Conhecidos do casal começaram a indagar sobre o paradeiro da criança e, diante das contradições, a PM foi acionada, mas até agora o bebê não foi encontrado

A Polícia Civil de Minas Gerais investiga o desaparecimento de um bebê cujo caso tem ligação com Ipatinga. Os pais da criança, moradores de Belo Horizonte que permaneceram por alguns meses no Vale do Aço, apresentaram versões contraditórias sobre o paradeiro do filho. Inicialmente, a ocorrência é tratada como abandono de incapaz.

Conforme relato da mãe, o bebê nasceu em setembro do ano passado. O caso veio à tona na quarta-feira (27), quando a Polícia Militar foi acionada em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após o casal não conseguir informar onde estava a criança. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (1º), pelo jornal O Tempo.

Como o caso foi descoberto

O acionamento das autoridades ocorreu depois que amigos dos pais passaram a desconfiar de mensagens enviadas pela mãe nos dias 26 e 27 de maio. Nas conversas, ela informava que o filho havia morrido, mas apresentava justificativas divergentes. Em uma versão, afirmou que a família teria sido agredida por um cobrador de dívidas. Em outra, apontou o companheiro como responsável por agressões que teriam provocado a morte do bebê.

Policiais militares foram até a residência do casal. Com autorização dos moradores, os militares entraram no imóvel e encontraram o local em situação de desordem, com objetos espalhados, garrafas de bebidas alcoólicas, itens quebrados e diversos pinos vazios de cocaína.

Dependência química

O homem, de 38 anos, e a mulher, de 31, admitiram ser usuários de drogas. Conforme registrado pela PM, ambos apresentavam sinais de alteração psicomotora, desatenção e oscilação de humor.

Nos levantamentos, a mãe forneceu novos relatos sobre o caso. Inicialmente, declarou que o filho havia morrido alguns meses após o nascimento. Em seguida, afirmou que passou a sofrer ameaças de morte após uma denúncia relacionada ao tráfico de drogas em Belo Horizonte, situação que teria motivado mudanças constantes de endereço.

Posteriormente, ela relatou que uma terceira mulher teria assassinado a criança em novembro de 2025, em Ipatinga, como forma de retaliação de traficantes. Segundo essa versão, o menino tinha cerca de dois meses de vida quando o crime teria ocorrido.

Mais tarde, porém, a mulher alterou novamente seu depoimento. Ela passou a sustentar que dormia com o companheiro e o bebê na mesma cama e que, ao acordar, percebeu que a criança estava com os lábios arroxeados e sem sinais vitais. Ainda conforme essa narrativa, uma cuidadora contratada pela família teria pegado o corpo e fugido.

Alegam que estão sob ameaça por dívida de drogas

O pai da criança confirmou aos policiais que a família teria deixado Belo Horizonte e seguido para o Vale do Aço em razão de ameaças relacionadas ao envolvimento com o tráfico de drogas.

Segundo o homem, a mulher de 43 anos mencionada nos relatos foi convidada para auxiliar nos cuidados com o recém-nascido porque a mãe enfrentava um quadro de depressão pós-parto.

Ainda de acordo com o depoimento prestado pelo pai, no dia da suposta morte da criança, a mãe teria administrado clonazepam ao bebê para fazê-lo dormir e teria excedido a dosagem. Ao despertarem, os pais teriam constatado que o filho estava morto.

Temendo consequências legais, o casal teria entregado o corpo à cuidadora. Conforme a versão apresentada pelo homem, a mulher envolveu o cadáver em tecidos e o descartou em um rio próximo ao local onde a família estava hospedada.

Nas buscas na residência em Lagoa Santa, os militares encontraram a certidão de nascimento e a guia de alta hospitalar da criança. Entretanto, não localizaram vestígios de sangue, roupas infantis ou outros indícios que apontassem para a presença recente de um bebê no imóvel.

Diante da falta de informações concretas sobre o paradeiro da criança e das contradições apresentadas pelos pais, o casal foi encaminhado à delegacia de plantão. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
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