28 de maio, de 2026 | 07:30
Bairros próximos à mata registram aumento de animais silvestres em Ipatinga
Divulgação
Áreas afastadas dos bairros Horto, Ideal, Bom Retiro e Cariru são as que têm mais registros
Áreas afastadas dos bairros Horto, Ideal, Bom Retiro e Cariru são as que têm mais registros O aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas de Ipatinga é cada vez mais frequente, conforme registros do Instituto Interagir, que procurou a reportagem do Diário do Aço para alertar a população. O instituto desenvolve diversos projetos voltados à sustentabilidade do meio ambiente.
Em bairros próximos a fragmentos de Mata Atlântica, espécies como quatis, macacos-prego, saguis, gambás, pacas, tucanos, maritacas, ouriços-cacheiros, serpentes e até pequenos felinos silvestres passaram a ser vistas com maior frequência. Áreas afastadas dos bairros Horto, Ideal, Bom Retiro e Cariru apresentam a maioria dos registros.
O diretor do Instituto Interagir, Alessandro de Sá, ressaltou a importância da conscientização de moradores da cidade e região sobre os cuidados necessários para uma convivência responsável e ambientalmente equilibrada.
A estudante de Medicina Veterinária, Ketlyn Beatriz Santos, destacou que o aumento da presença desses animais nas áreas urbanas está relacionado ao crescimento das cidades próximas às áreas de mata, além do descarte inadequado de resíduos.
Quando há lixo exposto, restos de alimento ou até moradores alimentando esses animais, eles passam a associar a cidade a uma fonte fácil de comida. Isso altera completamente o comportamento natural da fauna”, explicou.
Outro fator apontado pela estudante é a fragmentação da Mata Atlântica, que reduz o espaço e os recursos naturais disponíveis, levando os animais a se aproximarem cada vez mais das regiões urbanizadas.
Riscos
Os quatis, por exemplo, podem se tornar agressivos quando habituados à presença humana ou em disputas por alimento. Em situações de estresse, podem causar mordidas e arranhões”, mencionou Ketlyn.
Ela também citou o risco de transmissão de zoonoses, como a raiva, além de acidentes envolvendo trânsito, ataques a animais domésticos e contato com lixo contaminado. Mas é importante reforçar que, na maioria das vezes, esses animais não estão atacando a cidade. Eles estão tentando sobreviver em um ambiente alterado pelo ser humano”, enfatizou.
Orientações
Ao encontrar um animal silvestre, a orientação é não alimentar, não tentar tocar, não perseguir e não encurralar o animal, além de manter distância segura. Ketlyn pontuou que muitas pessoas tentam ajudar por impulso, mas acabam agravando a situação. Entre os erros mais comuns estão oferecer comida, jogar restos alimentares em áreas de mata, aproximar-se para filmar ou tirar fotos, tentar capturar o animal, deixar lixo exposto e tratar animais silvestres como domésticos”, acrescentou.
A estudante reforçou que alimentar animais silvestres traz diversas consequências, como alteração da dieta natural, obesidade, desnutrição, problemas gastrointestinais, intoxicações e mudanças no comportamento da fauna.
Resgate
Sobre o resgate desses animais, ela explicou que ocorre normalmente quando eles estão feridos, debilitados, presos em áreas urbanas ou oferecendo risco imediato.
As equipes ambientais avaliam cada situação para decidir se o animal precisa apenas ser monitorado, encaminhado para atendimento veterinário ou reintroduzido em uma área adequada”, complementou.
A recomendação é que a população não tente fazer o manejo sozinha e acione órgãos responsáveis, como Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou setores ambientais do município.
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