26 de maio, de 2026 | 08:00
A geração da performance muda o consumo e obriga o mercado a se reinventar
Danielle dos Santos *
Arquivo DA


Pesquisas divulgadas por entidades representativas do varejo mostram uma mudança clara no comportamento do consumidor brasileiro. O consumo de cerveja caiu 7%, movimento acompanhado pela redução nas vendas de doces e alimentos ultraprocessados em todo o país. A transformação é impulsionada pela busca por hábitos mais saudáveis, pela diminuição da renda disponível e pela valorização de produtos ligados à performance física e ao bem-estar.
A lógica do consumo mudou. O encontro marcado pelo excesso de bebida e pelos lanches rápidos perdeu espaço para a moderação, para as versões sem álcool e para escolhas alimentares consideradas mais funcionais. Doces e ultraprocessados registraram quedas nas vendas de até 10%, enquanto categorias como biscoitos e refrigerantes também acumulam recuos relevantes. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) vem fazendo alertas desde 2020.
O espaço antes ocupado por cervejas, salgadinhos e produtos industrializados passou a ser preenchido por itens como ovos, frango e suplementos alimentares, entre eles Whey Protein e creatina. A mudança evidencia uma geração cada vez mais preocupada com estética, vitalidade, produtividade e longevidade.
A chamada geração Z lidera esse movimento. Jovens adultos têm consumido menos álcool e evitado excessos, adotando uma rotina mais voltada para desempenho físico e equilíbrio. Trata-se de uma tendência global, que já provoca impactos em gigantes da indústria de bebidas e do varejo.
No segmento de doces, o comportamento também mudou. As pessoas compram menos, mas passaram a priorizar produtos premium e de maior qualidade. O consumo impulsivo perde espaço para escolhas mais seletivas e conscientes.
Jovens trocam álcool e ultraprocessados por saúde,
estética e produtividade, enquanto empresas correm
para não ficar para trás”
O impacto dessa transformação foi tão significativo que supermercados e indústrias precisaram ajustar rapidamente suas estratégias. Cresce a oferta de cervejas zero álcool, alimentos funcionais e produtos voltados para saúde e performance.
Grandes cervejarias, como Ambev, já relatam forte expansão nas vendas de cervejas sem álcool e versões premium. Outras indústrias buscam diversificar seus portfólios para enfrentar a redução da demanda pelos rótulos tradicionais.
O mercado entendeu o recado: acompanhar tendências deixou de ser diferencial e passou a ser questão de sobrevivência. Quem percebe a mudança do consumidor consegue se adaptar e permanecer competitivo. Quem ignora o novo comportamento corre o risco de perder espaço, relevância e oportunidades.
* Nutricionista.
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
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