26 de maio, de 2026 | 07:00
Sem emprego, sem diploma: o dilema do jovem brasileiro
Dayane Kelly Sabec-Pereira *
O Brasil repete com frequência uma frase que se tornou quase um mantra social: A educação é o caminho para mudar de vida”. A afirmação é verdadeira, mas incompleta. Para milhares de jovens brasileiros, o dilema não está em escolher qual curso seguir, mas em decidir, diariamente, entre estudar ou pagar as contas.
Mesmo com a recuperação do mercado de trabalho, a desigualdade geracional permanece evidente. A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos fechou 2025 em 11,4%, mais do que o dobro da média nacional de 5,1%, segundo o IBGE. O risco de ficar sem trabalho é justamente maior na faixa etária típica de ingresso no ensino superior.
A equação é simples: sem trabalho, não há renda; sem renda, não há permanência na universidade. Mesmo nas instituições públicas, há custos inevitáveis com transporte, alimentação, moradia e material acadêmico. Por isso, a evasão raramente decorre da falta de capacidade intelectual. Ela nasce, sobretudo, da falta de condições financeiras.
Apesar disso, o debate público ainda insiste em tratar o acesso ao ensino superior como uma questão de mérito individual. Passou no vestibular? Conseguiu uma bolsa? Então venceu”. O que se ignora é que entrar não significa permanecer.
Pierre Bourdieu já demonstrava que o sistema educacional tende a reproduzir desigualdades ao valorizar o capital cultural herdado das famílias. Jovens de classes populares chegam ao ensino superior com menos recursos, menor rede de apoio e menor familiaridade com o ambiente acadêmico.
"O debate público ainda insiste em tratar o acesso
ao ensino superior como uma questão de mérito individual"
Os dados do Censo da Educação Superior de 2024 ilustram esse descompasso. Apenas 33% dos jovens que concluíram o ensino médio ingressaram na universidade no ano seguinte. Entre os que entram, muitos não concluem: a evasão chega a 24,1% na educação a distância e a 9,5% no ensino presencial.
Há ainda um paradoxo silencioso. Em momentos de incerteza econômica, cresce a procura por qualificação, mas muitos estudantes aceitam trabalhos precários para financiar os próprios estudos. Trabalham o dia todo, estudam à noite e vivem sob pressão constante. A sobrecarga compromete o rendimento acadêmico e alimenta a evasão.
Experiências recentes mostram, porém, que esse ciclo pode ser rompido. No interior do Paraná, atuo em uma faculdade inserida em um ecossistema de inovação com mais de 130 empresas. Nesse ambiente, mais de 90% dos estudantes alcançam empregabilidade já a partir do primeiro ano de graduação.
A lógica é simples: o trabalho deixa de competir com os estudos e passa a ser uma extensão deles. Estágios, projetos aplicados e parcerias com empresas permitem que os estudantes aprendam enquanto trabalham. O resultado é uma formação mais conectada à realidade profissional e uma solução concreta para a permanência estudantil.
"Enquanto tratarmos a universidade apenas como
um prêmio individual conquistado por mérito,
continuaremos naturalizando a exclusão"
Programas de assistência, como o PNAES, são importantes, mas insuficientes diante do subfinanciamento crônico. O desafio exige integrar educação, inovação e desenvolvimento regional. Universidades conectadas a empresas e ao poder público criam círculos virtuosos: estudantes permanecem na graduação, empresas encontram mão de obra qualificada e regiões retêm talentos.
Enquanto tratarmos a universidade apenas como um prêmio individual conquistado por mérito, continuaremos naturalizando a exclusão. A questão central não é se o jovem brasileiro quer estudar, mas se o país garante que ele possa fazê-lo sem abrir mão da sobrevivência.
* Doutora e pós-doutora em Neuroanatomia (UFG), mestre em Ciências da Saúde (UFG) e especialista em Inovação e Tendências da Educação (MIF Academy/Finlândia). É gerente acadêmica da Faculdade Donaduzzi (Biopark).
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Tião Aranha
29 de maio, 2026 | 09:43Ceita com " c" é a punição que sofre quem não comunga com a imposição implantada aqui com a ajuda do judiciário que tem o poderio dum militarismo tal qual Iran, Rússia, China, Venezuela e Cuba que escraviza o povo sugando na alma toda a sua energia. Calço tb começa com C. Suporte de apoio mecânico dos que estão fora da panelinha e precisam para vencer indubitavelmente esse Sistema injusto imposto ao país. Sempre será depende quem não pensa como tu com a própria cabeça e precisa dum manda-chuva, sempre. Tal qual o boi quando vai pro abate, ele tem uma viseira e só sente nas costas a dor do ferrão. Aí já é tarde demais! Rs.”
Nelore
28 de maio, 2026 | 20:16Ceita, Tião?! Realmente, o tempo está exíguo, muito exíguo. Rs.
Quanto ao pseudônimo, é a minha humilde homenagem a vocês, que são pé-duros, sem uma linhagem nobre como os zebuínos.”
Tião Aranha
27 de maio, 2026 | 19:35Foi o Lula melhorar um pouquinho nas pesquisas, que os esquerdistas aparecem dando pernadas. Quanto a sua correção ortográfica, já que tempo é exíguo não faço a devida correção, mesmo porque na linguagem jornalística o importante é transmitir a mensagem para atingir um maior número possível de leitores. O seu presidente que age como papagaio de pirata que só lê o que os outros escrevem, e ninguém da ceita fala nada. Sua alcunha de Nelore diz tudo. Rs.”
Nelore
26 de maio, 2026 | 18:04Caríssimo Tião Aranha, por que colocastes a carapuça?! Por acaso citei o teu nome?!
O maior comentarista da região, deveria saber que não é politicamente correto, usar a expressão denegrir. Outra, a marca Petrobras não é acentuada desde o governo FHC.
Fico com a falta de competência. Rs.”
Tião Aranha
26 de maio, 2026 | 16:01Nem tudo é fake news. Mau caratismo foi o desvio de 6 bilhões de reais recuperados da Petrobrás pelo Moro, desvio nos correios, INSS, dois encontros com Vorcaro e outros mais. A lista é grande. Ninguém chuta cachorro morto-, tentar denegrir a imagem de um dos maiores comentaristas da região, só tem 3 motivos: desespero, inveja ou falta de competência Rs.”
Nelore
26 de maio, 2026 | 14:00Realmente, o país está numa prostração extrema, apático, diria até, muito preguiçoso, como muitos brasileiros, que só se informam pelas redes sociais e suas fake news, alguns, por ignorância, outros, a maioria dos letrados, por mau caratismo.
Bom mesmo, foi no tempo do Minto Inelegível e Prisioneiro domiciliar, quando tivemos cinco ministros da educação, cinco diretores da polícia federal e o Ciro Nogueira e o Campos Neto distribuindo bondades para o Vorcaro e seu banco.”
Tião Aranha
26 de maio, 2026 | 11:16Bom texto, a saída está por aí: criar parceria com as grandes empresas objetivando o melhoramento dis cursos profissionalizantes. Isso só acontece nos países de primeiro mundo. Santa Catarina e Paraná estão bastante atualizados. É preciso criar uma política de geração de empregos para os jovens. A letargia em que o país se encontra é culpa do PT. Rs.”
Gildázio Garcia Vitor
26 de maio, 2026 | 05:40Uma pós-PHD, escrever um artigo cheio de meias-verdades, é dose para ler na madrugada, de um dia de umas 15 horas de trabalho.”