23 de maio, de 2026 | 07:25
Entre a promessa e a realidade, vamos falar dos desafios do fim da escala 6x1
Joel Saturinino *
A proposta de reduzir a jornada de trabalho, com o fim da escala 6x1, voltou ao debate público cercada por apelo popular. A promessa de mais tempo livre e melhor qualidade de vida é legítima. O problema começa quando a discussão ignora efeitos práticos sobre produtividade, custos e emprego.Parte do setor produtivo tem defendido que mudanças dessa natureza não podem ser impostas de forma uniforme. A negociação coletiva aparece como alternativa mais responsável, capaz de ajustar jornadas à realidade de cada atividade e evitar impactos abruptos sobre a operação das empresas. Sem esse cuidado, a conta tende a aparecer na ponta, seja na redução de vagas, seja no aumento de preços ao consumidor.
É nesse ponto que a reflexão ganha densidade: Quando um sonho fácil pode ser um pesadelo? A pauta da redução de jornada de trabalho vem coroada com este resultado. É óbvio que seria interessante atingir um resultado de maior conforto e prosperidade, e se ainda viesse com menor esforço, estaríamos perto do paraíso. Porém o assunto requer maior seriedade do que apenas um jargão eleitoral.
"Seria interessante atingir um resultado de maior
conforto e prosperidade, e se ainda viesse com
menor esforço, estaríamos perto do paraíso"
Toda a sociedade merece melhores resultados e condições de geração destes mesmos resultados. Mas será com essa receita precária de comprovação técnica? Acreditamos que não!
Não se trata de quem "explora" contra quem é "explorado"... o cenário verdadeiro da vida não comporta mais essa fala irresponsável.
O Brasil ainda convive com produtividade baixa e jornada média próxima de 40 horas semanais. Reduzir esse tempo sem ganhos de eficiência pode pressionar custos e comprometer a atividade econômica. Avançar é necessário. Mas avançar sem base técnica costuma sair caro.
* Diretor na Câmara de Gemas do Sindijoias Ajomig e diretor da Mineração Onça Parda - [email protected]
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