23 de maio, de 2026 | 07:00
O crime organizado se fortaleceu
Ailton Cirilo*
O crime organizado mudou. Hoje, as facções criminosas atuam com estrutura empresarial, planejamento estratégico, logística integrada e alta capacidade financeira. Já não se trata apenas de grupos isolados envolvidos com tráfico de drogas. Estamos diante de organizações que funcionam como verdadeiras corporações do crime.Essas facções diversificaram suas atividades e ampliaram suas fontes de lucro. Além do tráfico, atuam no contrabando de cigarros, comercialização de bebidas falsificadas, roubos de carga, crimes cibernéticos, lavagem de dinheiro, mercado ilegal de armas e fraudes financeiras. Tudo isso conectado por uma rede cada vez mais sofisticada. Para se ter uma ideia da magnitude desse mercado, o contrabando e o mercado ilegal movimentam cerca de R$ 450 bilhões por ano no Brasil, segundo dados do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
E há um ponto que precisa ser compreendido pela população: muitas vezes, sem perceber, o cidadão acaba financiando essa estrutura criminosa. Quem compra um cigarro contrabandeado ou uma bebida falsificada acreditando estar apenas economizando dinheiro pode, na prática, estar fortalecendo facções criminosas. O cigarro ilegal, por exemplo, já domina cerca de 40% do mercado nacional. O valor pago nesses produtos alimenta organizações responsáveis pelo aumento da violência, pela expansão do tráfico de armas e pela ocupação criminosa de territórios.
"O crime organizado não cresce sozinho.
Ele cresce onde existe fragilidade do Estado
e ausência de inteligência estratégica"
O crime organizado não cresce sozinho. Ele cresce onde existe fragilidade do Estado, ausência de inteligência estratégica e falta de investimento adequado em segurança pública. As organizações criminosas utilizam hoje tecnologia avançada, comunicação criptografada, monitoramento em tempo real e operações logísticas extremamente sofisticadas. Enquanto isso, as forças de segurança ainda enfrentam limitações estruturais e carência de investimentos contínuos.
Por isso, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (AOPMBM) defende como prioridade absoluta o investimento em inteligência, tecnologia e valorização das forças de segurança pública.
Inteligência para identificar lideranças criminosas, antecipar ações e desarticular estruturas financeiras. Tecnologia para integrar sistemas, fortalecer investigações, ampliar monitoramentos e modernizar operações policiais. E valorização profissional porque não existe segurança pública eficiente sem homens e mulheres preparados, motivados e reconhecidos pelo Estado. Segurança pública não pode continuar sendo tratada apenas como gasto. Segurança é investimento direto na proteção da população, na estabilidade social e no desenvolvimento econômico do país.
* Coronel da PMMG, especialista em Segurança Pública
Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]














