17 de maio, de 2026 | 06:00

Rumo à Copa

Fernando Rocha

Cercado de grande expectativa, como há muito tempo não se via, será divulgada amanhã a lista dos 26 jogadores convocados para representar o Brasil na disputa da Copa do Mundo, que terá início no próximo dia 11 de junho, com jogos simultâneos nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

A convocação dos jogadores pelo técnico italiano Carlo Ancelotti, agora de contrato renovado com a CBF até 2030, desperta tamanho interesse em razão da dúvida existente se Neymar será ou não chamado, algo que divide as opiniões dos críticos e a parcela da população brasileira apaixonada por futebol.

Pela primeira vez, teremos na Copa do Mundo um treinador estrangeiro no comando da nossa seleção, e por isso ele sofre menos com as pressões e tem a chance nas mãos de nos libertar da “neymar-dependência”, que tanto prejuízo causou ao futebol nacional nas últimas três Copas, das quais ele participou e fracassou como maior estrela da equipe e centro de todas as atenções.

Pior geração
Desde a geração pentacampeã de 2002, que tinha craques como Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, entre outros extraclasses - o que permitiu ao técnico Felipão dar-se ao luxo de não convocar Romário -, a nossa fábrica de talentos está fechada.

A sensação é que esta atual seleção brasileira é formada pela pior geração de jogadores da nossa história e, com ou sem Neymar, será apenas uma coadjuvante nesta Copa, ficando o sonhado hexa para, talvez, 2030.

Partindo desse princípio, vê-se que o técnico Ancelotti entrou numa enrascada: se deixar Neymar de fora, toda a culpa de um eventual fracasso cairá sobre ele, o treinador.

Por isso, não vou me surpreender se, mesmo contra a sua vontade, o italiano convocar Neymar, pois dessa forma pelo menos poderá dizer que o atual ex-jogador em atividade e pop-star lá estava, e mesmo assim perdemos.

FIM DE PAPO

É triste ter que dizer isso, mas quem por devoção e dever de ofício vive o futebol no dia a dia tem a obrigação de falar a verdade. O atual momento vivido por Neymar não o credencia a ser convocado para disputar um torneio competitivo como é a Copa do Mundo. Para piorar, temos uma seleção fraca, que não conseguirá correr por ele, embora a maioria dos jogadores o tenha como ídolo.

Em 2002, Felipão, em nome da “Família Scolari”, correu o mesmo risco de Ancelotti ao barrar Romário contra a vontade de tudo e de todos, mas estava respaldado nos vários craques do time, sagrou-se pentacampeão e se tornou herói nacional junto com todos eles. A situação de Ancelotti é muito diferente e bem pior, pois agora não temos lideranças capazes de conduzir a seleção rumo a uma campanha vitoriosa, além de existir outras equipes muito melhores que a nossa, e por isso a nossa chance de título é ínfima. Milagres ainda acontecem no futebol, mas eles estão cada vez mais raros.

Os seis goleiros que estão na pré-lista de 55 jogadores escolhidos pelo técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo são: Alisson Becker (Liverpool), Bento (Al-Nassr), Ederson Fenerbahçe), Hugo Souza (Corinthians), John Nottingham Forest) e Weverton (Grêmio). Nenhum deles atravessa neste momento fase melhor na carreira do que a atual de Everson, goleiro do Atlético, que vem se destacando no alvinegro há várias temporadas. Fábio, ex-goleiro do Cruzeiro e hoje no Fluminense, também passou por situação semelhante.

Sem viralatismo, caso atuasse por um dos “grandes” do eixo Rio/SP, certamente, seu nome estaria nessa lista. A sua última grande atuação foi impressionante: o paredão do Galo fez quatro defesas milagrosas durante a partida contra o Ceará e depois, na disputa de pênaltis, Everson não só pegou duas cobranças, mas ainda converteu o último pênalti que classificou o Atlético para as oitavas da Copa do Brasil. Curioso é que o responsável pelos goleiros da seleção brasileira é Claudio André Tafarel, tetracampeão mundial e ex-goleiro do Galo. (Fecha o pano!)

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