13 de maio, de 2026 | 07:25

Usiminas: otimismo moderado

Antonio Nahas *


Foram muito importantes para Ipatinga e o Vale do Aço as últimas declarações do presidente da Usiminas, Marcelo Chara, sobre os resultados da empresa no primeiro trimestre de 2026. Os números indicam uma ótima evolução do EBITDA - lucro antes dos Impostos, juros, depreciação e amortização - que subiu para 11% do faturamento. E o lucro líquido aumentou 596% em relação ao trimestre anterior. Estes dados confirmam a evolução positiva da Usiminas ao longo dos anos.

E mais: neste ano serão investidos em Ipatinga 973 milhões de reais na Bateria 3 da Coqueria 2, que permitirão a redução da utilização do coque importado, reduzindo os custos de produção. A previsão é que a obra esteja pronta em abril de 2028.

O Presidente afirmou ainda que todos as ações da Usiminas tem sido para aumentar a eficiência e reduzir custos mas que, caso seja necessário e havendo mercado, a Usiminas pode duplicar sua capacidade de produção:

E avisa: "... Investimos para aumentar a eficiência e a produtividade e, embora tenhamos potencial para dobrar nossa produção, nosso objetivo é otimizar a operação produtiva. E, como resultado, obteremos ganhos..."

Certamente, o aumento da produção implicaria em maior produtividade, redução de custos e maior geração de emprego, o que dinamizaria toda a economia da região. Porém, prudentemente, frisou muitas ressalvas e questões que podem interferir no futuro da empresa.

As duas unidades da Usiminas - Ipatinga e Cubatão tem capacidade de gerar 6,9 milhões de toneladas de aço para venda. Segundo dados do balanço do ano passado, a empresa vendeu em 2025, 4,36 milhões de toneladas. Ou seja: trabalhou com 37% de capacidade ociosa, como aconteceu com todo o setor. Isto significa custos mais elevados; diminuição da produtividade e baixa geração de empregos.

Aumentar a produção no curto prazo é perfeitamente viável. Mas depende, sobretudo, da evolução do mercado interno.

Cerca de noventa por cento da produção é destinada àquele mercado, que consumiu em 2024, 26 milhões de toneladas. Ou seja, a Usiminas participa com 14,5%.

E as variáveis que o influenciam são decisivas para que sejam tomadas as decisões de investimento. Uma delas, e talvez a mais importante no curto prazo, certamente será a forma como o Governo Federal irá lidar com as importações de aço chinês. A Usiminas considera que a China faz dumping com seu aço, ou seja, exporta produtos com preços abaixo do custo de produção, numa política deliberada para levar seus concorrentes à falência e, no momento seguinte, tomar conta do mercado e praticar os preços que bem entender. Segundo ele, enquanto os Estados Unidos praticam tarifa de 50% em casos de dumping, o Brasil utiliza tarifa de apenas 10%. E avisa que, embora o MDIC tenha aumentado em janeiro deste ano as alíquotas de importação para 25%, em julho vence em julho o sistema de cota tarifa, que funciona regulando as importações. Se elas ultrapassarem determinada quantidade, as tarifas se elevam. E é bom ficar em alerta, porque parte do empresariado brasileiro, que transforma aço em produtos finais, deseja e pressiona para continuar importando aço chinês, pois é mais barato e diminui os custos de produção.

Boa pauta para os políticos se dedicarem. É um tema cheio de questões fundamentais para o país. Afinal a China é o nosso maior importador. A corrente comercial entre os dois países alcança 170 bilhões de dólares e exportamos bem mais que importamos. Somos superavitários com os chineses.

Mas vendemos matérias primas para a China - sobretudo minério de ferro e soja - e importamos de lá produtos manufaturados, intensivos em tecnologia. Típico comercio de país do terceiro mundo... Está na hora de procurar mudar este jogo e procurar requalificar nossas relações comerciais.

Usiminas no social


A entrevista foi realizada no Centro de Memória da empresa, o que, por si só, revela apreço e consideração pela trajetória da Usiminas. No início da sua história, como estatal, a Usiminas realizou muitos investimentos em saúde, educação, moradia, que viabilizaram a fixação da mão de obra e o aumento da produtividade.

Estas realizações atravessaram diversas turbulências ao longo das décadas e, nos dias de hoje, com a emergência da Agenda ESG, tornaram-se um ativo poderoso, que dirime conflitos sociais e jurídicos; evita riscos desnecessários e fortalece o conceito da empresa junto à comunidade e aos investidores.

A trajetória da Ternium/Techint nesta direção é notável e exemplar. São inúmeros os exemplos: dialogo com os moradores; destaque às compras e fornecedores locais e, nos últimos anos, tivemos também o programa Conviver, que está investindo em mais de 80 milhões de reais em diversos projetos socioambientais na nossa cidade, como forma de compensação de multas ambientais, decorrentes da emissão do pó preto. Uma criativa e feliz transformação do limão numa limonada.

Esperamos que esta prática contribua para fortalecer a competitividade da Usiminas, diferenciando-a dos competidores chineses.

* Economista, empresário e morador de Ipatinga.

Obs: Artigos assinados não reproduzem, necessariamente, a opinião do jornal Diário do Aço
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário