09 de maio, de 2026 | 09:06

Área de camping permanece interditada na Lagoa Silvana enquanto clube contrata empresa para elaborar novo projeto

Enviada ao Diário do Aço
Entre as irregularidades citadas estão falta de hidrantes, extintores, sinalização, sistema de alarme e iluminação de emergênciaEntre as irregularidades citadas estão falta de hidrantes, extintores, sinalização, sistema de alarme e iluminação de emergência


Por Matheus Valadares

A área de camping do Clube Náutico Alvorada, na Lagoa Silvana, segue interditada após fiscalização do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais realizada no dia 17 de abril. Conforme apurado pelo Diário do Aço, a distribuição de energia elétrica no local foi desligada e ainda não há prazo definido para a retirada das estruturas montadas pelos campistas. A expectativa é que seja firmado um acordo com os bombeiros para estabelecer um cronograma de desmontagem e elaboração de um novo projeto para retomada das atividades com segurança.

A medida surpreendeu os campistas que ocupam a área. Segundo sócios ouvidos pela reportagem, a defesa do grupo é para que sejam feitas adequações estruturais e de segurança, sem necessidade de retirada definitiva das tendas. Eles alegam que os frequentadores possuem direitos adquiridos e que a situação pode ser resolvida tecnicamente, com apoio de engenheiros e arquitetos especializados.

Ainda conforme fontes ligadas ao clube, foi feita uma assembleia entre os campistas. Dos 12 nomes colocados à disposição para votação, seis foram eleitos para compor uma comissão representativa. Outro integrante foi indicado pela diretoria do clube. O grupo acompanhará todas as discussões relacionadas ao tema junto à administração do clube e ao Corpo de Bombeiros.

A partir de agora, as decisões sobre o futuro da área serão tomadas em conjunto entre a diretoria do clube, a comissão de campistas e os bombeiros. Também deverá haver contratação de empresa especializada, além de acompanhamento técnico de engenheiros e arquitetos para elaboração das adequações exigidas.

Segundo os envolvidos, reuniões vêm sendo feitas semanalmente em busca de uma solução para permitir o retorno dos campistas em segurança e dentro das normas exigidas.

Reunião da comissão


O Diário do Aço teve acesso, com exclusividade, à ata da reunião da comissão do camping e representantes do clube, promovida na última terça-feira (5).

De acordo com o documento, o diretor administrativo do clube, Euzer Antônio, informou que o clube está empenhado em adotar todas as medidas necessárias para viabilizar a retomada das atividades do camping. Ele ainda disse que será elaborado um novo projeto para a área, pois o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) atual foi suspenso. Destacou que o clube está em fase de negociação com duas empresas especializadas para elaboração do novo projeto para a área.

Exigências de segurança


O relatório elaborado pelo Corpo de Bombeiros aponta ausência de medidas básicas de segurança contra incêndio e pânico. Entre as irregularidades citadas estão falta de hidrantes, extintores, sinalização, sistema de alarme e iluminação de emergência. O documento afirma que o ambiente estava em desacordo com normas técnicas de segurança.

Os militares também destacaram risco de pânico coletivo em razão da presença de pessoas vulneráveis na área. Durante a fiscalização, foram identificados idosos e uma criança no local. Segundo os bombeiros, nos fins de semana e feriados o número de crianças aumenta consideravelmente.

Outro ponto citado no relatório foi a constatação de avarias em lonas de cobertura de uma das tendas, com indícios de princípio de incêndio. Conforme o documento, a situação configura “risco iminente”, nos termos do Decreto Estadual 47.998/2020, diante da possibilidade de sinistro e exposição imediata das pessoas ao perigo.

Após a vistoria, houve reunião entre bombeiros, administração do clube e ocupantes das tendas. Na ocasião, foi apresentada a necessidade de desocupação imediata da área e definido que o clube negociaria um cronograma para desmontagem das estruturas.

Divergência entre sócios


Atualmente, 134 campistas mantêm estruturas instaladas na área da Lagoa Silvana. Segundo frequentadores, além das mensalidades do clube, há pagamento separado de taxas relacionadas à permanência das barracas.

Enquanto os campistas defendem a permanência das estruturas mediante adequações, outros sócios do clube reclamam da ocupação contínua do espaço. Conforme relatos, frequentadores que utilizavam barracas convencionais nos fins de semana e feriados enfrentavam dificuldades para encontrar locais disponíveis devido à presença fixa das tendas de grande porte.

As estruturas instaladas pelos campistas abrigam barracas, móveis e eletrodomésticos, situação que, segundo críticas de outros associados, descaracteriza a proposta original do campismo convencional no local.

O que diz o clube


Por meio de nota enviada ao Diário do Aço, o Clube Náutico Alvorada limitou-se a afirmar que, por se tratar de assunto interno, todas as ações relacionadas ao tema estão sendo conduzidas e comunicadas à comissão constituída pelos campistas.

“O CNA reafirma seu empenho e compromisso em restabelecer o espaço destinado ao camping no menor prazo possível, sempre em conformidade com as exigências de segurança”, resumiu.
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