06 de maio, de 2026 | 07:00

Nossas mães

Luiz Carlos Amorim*

Dias das Mães é, talvez, o dia mais relevante das tantas datas comemorativas e merece, de fato, muita comemoração, porque elas, as mães, são as criaturas mais importantes desse mundão de Deus. Não que os outros dias não o sejam, porque todos os dias são delas. São elas que nos trazem ao mundo. São elas que dão filhos aos homens, que dão netos aos avós e assim por diante. Sem elas não existiríamos.

É a nossa mãe que se dedica a nós, seus rebentos, pela vida afora. E quando a gente cresce e vamos viver a nossa vida para recomeçar o ciclo, ela fica esperando que os filhos voltem para uma visita, nem que seja rápida, trazendo os netos.

Fico matutando, aqui, quando o Dia das Mães vai chegando, que ver a filharada debandar dói um bocado para nós, pais, imagine para as mães. O coração fica apertado, a saudade toma proporções astronômicas e a casa fica enorme, imensa, vazia, silenciosa e triste.

Nossa filha Fernanda veio passar um tempo conosco, há alguns anos, quando a mãe fez uma cirurgia delicada, no final de 2015. E quando maio de 2016 estava quase chegando, ela foi embora, pois ela e o marido foram morar na França.

E então tudo se repete. Depois de mais de quatro meses, a casa volta a ficar grande demais, maior ainda. A saudade, que já estava instalada porque Daniela está bem longe, do outro lado do Atlântico, em Portugal, consegue ficar maior, aumenta de novo… Era muito bom ter a casa ocupada, mais viva de novo… Fernanda voltou em 2024, quando sofri um acidente e me quebrei todo, mas ficou apenas duas semanas, a vida dela é na França, tem lá a família, trabalho, casa.

Dani veio em fevereiro de 2025, no meu aniversário e, claro, trouxe os netos Ian e Rio, que nunca tinha vindo à casa do vovô e da vovó. Eles iam à casa do vovô e da vovó lá em Lisboa, pois alugávamos apartamento, sempre que ficávamos 6 meses ou até um ano, no período da pandemia, que a Imigração portuguesa virou uma bagunça e a gente podia ficar legalmente. Foi uma festa só a casa com barulho de criança, bagunça de criança, riso de criança. Maior presente da vida.

E neste Dia das Mães, a mãe não terá, de novo, a filharada aqui e a casa, tão grande, continuará não tendo barulho de criança. Ou da nossa filharada, porque para os pais eles nunca crescem, são sempre crianças. Mas elas moram no coração da gente, são inquilinas cativas, e a mãe pode conversar com elas como se estivessem aqui, até olhando nos olhos, com toda a tecnologia de comunicação que temos, hoje, à disposição. Só faltará o abraço, o beijo, mas uma mãe sabe como abraçar a alma, beijar a alma da sua filharada, independente da distância.
Pois uma mãe é mãe em tempo integral, a ligação com sua prole é condição sine qua non, então eles estarão sempre juntinho, não importa aonde estejam.

Que todas as mães sintam-se abraçadas e beijadas por seus filhos e que todos os filhos também sintam-se abraçados e beijados pelas suas mães. Sempre.

Parabéns, com um grande abraço e um grande beijo que eu vou levar para ela, para a Dona Iracina, minha mãe, que além da passagem do seu dia, também faz aniversário no dia 10 de maio: 92 anos. Tudo em dobro.

*Escritor, editor e revisor - Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 46 anos de trajetória, editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA e ESCRITORES DO BRASIL. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras, cadeira 19 da Academia Desterrense de Literatura.

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