05 de maio, de 2026 | 06:00
Deu Galo
Fernando Rocha
Deu zebra, ou melhor, deu Galo: 3 x 1 sobre o maior rival, Cruzeiro, diante do Mineirão lotado por quase 60 mil pessoas.A boa fase da Raposa, que vinha de três vitórias seguidas no Brasileirão - Bragantino, Grêmio e Remo -, além de ter derrotado o gigante Boca Juniors pela Libertadores, no meio da semana anterior, lhe assegurava um expressivo favoritismo refletido no otimismo da sua torcida.
No Galo, ao contrário do rival, o clima era de pessimismo pelos recentes resultados negativos - cinco derrotas nos últimos sete jogos, inclusive uma goleada de 4 x 0 sofrida em casa para o Flamengo -, mas também pelo ambiente conturbado fora de campo, agravado ainda mais pela saída do ídolo Hulk.
Outro jogo
Quando a bola rolou, nada disso se confirmou, pois o que se viu foi outro jogo: um Cruzeiro apático contra um Galo muito organizado, compacto para se defender e letal nos contra-ataques, puxados pelo equatoriano Alan Minda e pelo colombiano Mateo Cassierra, que levaram vantagem em quase todos os duelos contra a defesa celeste.
Vitória surpreendente, justa, incontestável do Atlético, que agora passa a ter mais tranquilidade não só na tabela de classificação do Brasileirão, se desgarrando um pouco das equipes que estão na zona de rebaixamento, mas também no ambiente interno que foi sacudido na última semana por vários acontecimentos.
A tradição do clássico de repercussão durante toda a semana posterior não vai se confirmar desta vez, pois ambos terão de jogar neste meio de semana, o que vai mudar o foco para as competições continentais.
FIM DE PAPO
O Atlético deve usar hoje uma equipe alternativa ou reserva contra o Juventud Las Piedras, em Montevidéu, no Uruguai, apesar de precisar da vitória para não ser eliminado precocemente da competição. O técnico Barba Domínguez deu a letra para alguns medalhões do elenco, como Gustavo Scarpa, Dudu e Alexsander, que não foram utilizados no clássico contra o Cruzeiro. Agora todos são reservas de luxo no elenco, onde só com o salário mensal de Scarpa, cerca de R$ 1,2 milhão, daria para pagar o que ganha o time uruguaio inteiro do Juventud.
Esquecer a derrota para o maior rival, e também o péssimo futebol apresentado no clássico, é o que vai tentar fazer o Cruzeiro, amanhã, fora de casa, na Copa Libertadores. O adversário, o Universidad Católica do Chile, tem os mesmos 6 pontos de Cruzeiro e Boca Juniors, mas lidera o Grupo D pelos critérios técnicos. Há duas semanas, os chilenos silenciaram o Mineirão com 40 mil torcedores celestes, ao vencer por 2 x 1, com o gol da vitória marcado nos acréscimos do segundo tempo.
O lateral Renan Lodi foi um dos destaques do Galo no clássico, com participação direta no primeiro gol marcado por Alan Minda e realização de outras boas jogadas ofensivas e defensivas com precisão. Nada disso, no entanto, teve mais relevância ou se comparou com a atitude assertiva de encarar o grandalhão Lyanco, após este ser expulso de forma irresponsável. Com a saída de Hulk, Renan Lodi se coloca como uma das lideranças expressivas no atual elenco do Atlético.
Pela primeira vez, os seis primeiros colocados não venceram na última rodada, a 14ª do Brasileirão. Com jogos a cada três dias por competições diferentes, e média de nove por mês, a questão não é descobrir quem está mais desgastados ou sofre mais com esse calendário insano do futebol brasileiro. Todos os times sofrem, uns mais, outros menos, o que já era previsto também por causa da temporada espremida pela pausa para a Copa do Mundo. A questão é tentar entender o efeito desse desgaste. E também pela oscilação de rendimento das equipes, reconhecer que a conta já chegou no Brasileirão. (Fecha o pano!)
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