04 de maio, de 2026 | 18:00

De festas, costumes e vexames...

*Nena de Castro


Dia! Sobrevivemos ao tanto de feriados que nos assombraram por esses dias! Quem viajou claro, amou o descanso! Mas quem ficou na mesma rotina, nem tanto! Acá, vocês viram a reportagem sobre o cara que vai comemorar sua morte?

Quer dizer, ele está com uma doença terminal e aí resolveu receber os amigos, realizando uma grande festa em uma cervejaria. Enquanto isso, aprende a tocar guitarra, desceu 70 metros de rapel até o Abismo Anhumas, em Bonito, no Mato Grosso do Sul, saltou de paraquedas... Em seus planos, quer aprender a surfar, tirar uma foto pegando onda e enfeitar o local da festa. Recebeu muito apoio pela net e também xingamentos, afinal não podia passar sem os juízes da vida alheia, né? Eu sugeriria, se ele aguentar, a dança de um tango caprichado. Nada melhor que um tango para celebrar as nossas fraquezas e ao mesmo tempo, a força de quem sabe que vai partir, mas quer festejar à sua maneira. Não se assustem, inúmeros países do mundo, entre eles o Azerbaijão, Camboja, índia, China, Sri Lanka, México, Gana, Rússia, Indonésia e a especial cidade norte-americana de New Orleans, fazem festas para quem se foi.

É famosa no México a festa do Dia dos Mortos, que acontece em 2 de novembro. Festividade de origem indígena, o povo acredita que nesse dia os mortos recebem permissão para visitar os vivos que os honram com flores, oferendas, comidas, bolo, música e doces. As pessoas usam máscaras de caveiras, vestem roupas com esqueletos pintados ou se fantasiam de morte, há desfiles pelas ruas... A festança até apareceu num filme do 007 vivido pelo execrando (na minha opinião) Daniel Craig, cujo nome é 007 contra Spectre. Mas causa do que escrevo sobre isso? O que eu ia fazer mesmo era comentar certas expressões que usávamos lá no interior como por exemplo: Antonti, Zé Tramela “virou uma taca”, (correu, xispou, escafedeu-se) quando o pai de Jandira apareceu na janela e o pegou ele parado defronte à casa, “assuntando mode vê a moça”. O velho tava “spritado, supitando de raiva”.

E ficou “ca cartuchêra dintirim isperano o veiaco vortá”! Com certeza, nem tão cedo o Zé Tramela ia sequer passar pela rua, rs. Falei em tango lá em cima, mas sem jamais desejar ao “festeiro” o que aconteceu numa cidadezinha: uma orquestra da capital foi se apresentar em um baile local e os preparativos foram feitos no clube: mesas laterais, o fundo reservado para plateia em pé, pista de dança, tudo nos trinques! O povo foi chegando, a orquestra iniciou com um paso doble (ritmo espanhol que emula as touradas). Antõezim Verbeta tirou Maricota Perena pra dançar e foi se exibindo, considerava-se um exímio dançarino, apesar da perna esquerda avariada em um acidente. Ia tudo muito bem, contudo, a próxima música era um tango. Antõenzim segurou bem a cintura da moça, e ao tentar se aprumar, tropeçou, “perdeu o freio” e embolado com a dama atabalhoou-se sobre uma das mesas, quebrando os copos, entornando cerveja e cachaça colorida sobre seus ocupantes!

Foi um “fuá” danado e o dançarino, levantando-se, praticamente voou em direção à saída, deixando o clube, todo vexado. O povo então a passou a dizer Antõezim “virou um tango” e a expressão passou a designar quem sai às pressas de qualquer local, ou seja, fugindo! E nada mais digo, desejando ao advogado de São Paulo a realização de tudo que deseja, antes de partir! AU REVOIR.

*Escritora e encantadora de histórias.

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