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01 de maio, de 2026 | 07:30

Bullying e cyberbullying avançam no Brasil e expõem falhas na proteção de crianças e adolescentes

Adriana Ramalho *

O ambiente escolar, historicamente associado ao aprendizado e à socialização, tem se tornado palco de uma violência silenciosa e persistente: o bullying. Potencializado pelas redes sociais e aplicativos de mensagem, o problema ganha novas dimensões no meio digital, configurando o chamado cyberbullying, uma prática que amplia o alcance das agressões e dificulta sua interrupção.

Dados recentes revelam a gravidade do cenário. No Brasil, aproximadamente um em cada quatro estudantes entre 13 e 17 anos já foi vítima de bullying, segundo estudo publicado em 2026. Em escala global, mais de 150 milhões de adolescentes nessa mesma faixa etária convivem com a violência entre pares nas escolas. A situação é tão disseminada que, de acordo com a UNESCO, todas as escolas brasileiras registram casos de bullying, colocando o país entre os que mais enfrentam o problema no mundo.

No ambiente digital, os números também são alarmantes. Cerca de 13,2% dos estudantes brasileiros já sofreram cyberbullying, conforme levantamento acadêmico recente.


“No Brasil, um em cada quatro estudantes
entre 13 e 17 anos já foi vítima de bullying”


Em nível global, um em cada três jovens afirma ter sido vítima de bullying online, evidenciando que a violência ultrapassa os muros da escola. Além disso, uma pesquisa internacional aponta que 66% das crianças acreditam que o cyberbullying aumentou, enquanto metade delas sequer sabe como denunciar ou buscar ajuda.

Especialistas alertam que os efeitos do bullying vão muito além de episódios pontuais de agressão. As vítimas estão mais suscetíveis a distúrbios emocionais, como ansiedade e depressão, além de apresentarem queda no rendimento escolar e maior risco de evasão. Em casos extremos, o sofrimento pode levar ao isolamento social e a pensamentos suicidas.

O cyberbullying, por sua vez, agrava esse quadro. Diferentemente do bullying presencial, ele ocorre de forma contínua, com exposição pública e potencial de viralização. Comentários ofensivos, disseminação de imagens constrangedoras e ameaças virtuais deixam marcas psicológicas duradouras, muitas vezes invisíveis aos adultos. Como destaca o UNICEF, o bullying digital cria um “rastro permanente”, dificultando que a vítima se desvincule da violência.
Os agressores e espectadores também são atingidos. Estudos indicam que jovens que praticam bullying têm maior propensão a comportamentos de risco, enquanto testemunhas se sentem impotentes diante das agressões.

O aumento das notificações evidencia tanto a expansão do problema quanto uma maior conscientização social. Em 2024, foram registradas mais de 2,3 mil denúncias de bullying em instituições de ensino, um crescimento de cerca de 67% em relação ao ano anterior.

Diante do avanço do problema, o Brasil passou a adotar medidas mais rigorosas. Em 2024, entrou em vigor legislação que tipifica o bullying e o cyberbullying como crimes, prevendo punições mais severas, especialmente quando praticados em ambientes virtuais. A medida representa um marco no reconhecimento da gravidade dessas práticas.

Além da legislação, políticas públicas têm buscado fortalecer a prevenção dentro das escolas, com programas de convivência, formação de professores e incentivo à cultura de respeito. O Ministério da Educação também destaca a importância de ações integradas, envolvendo família, escola e sociedade.


“No ambiente digital, 13,2% dos estudantes
brasileiros já sofreram cyberbullying”


Organismos internacionais, como a UNESCO e o próprio UNICEF, reforçam que o combate ao bullying exige estratégias multidimensionais: educação digital, canais seguros de denúncia, apoio psicológico e políticas de inclusão.

Um desafio urgente e coletivo - O avanço do bullying e do cyberbullying expõe fragilidades estruturais na proteção de crianças e adolescentes, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Mais do que punir, o desafio está em prevenir, acolher e educar.

Em um cenário onde a violência pode se propagar em segundos pelas telas, garantir ambientes seguros - físicos e digitais - tornou-se uma responsabilidade compartilhada.

Escola, família, poder público e sociedade civil precisam atuar de forma conjunta para interromper um ciclo que compromete não apenas o presente, mas o futuro de milhões de jovens.


* Bacharel em Direito, política (vereadora em SP 2016/2020), ativista social e palestrante sobre combate a violência doméstica, alienação parental, empreendedorismo feminino, e saúde mental.

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