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30 de abril, de 2026 | 16:02

Unileste participa da XIV Festa Indígena Pataxó e promove imersão em saberes tradicionais

Divulgação
A vivência ocorreu na aldeia Gerú Tucunã, no território de Felicina, em Açucena, com a presença de 19 participantes entre docentes, estudantesA vivência ocorreu na aldeia Gerú Tucunã, no território de Felicina, em Açucena, com a presença de 19 participantes entre docentes, estudantes

A participação do Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste) na XIV Festa Indígena Pataxó reuniu membros da comunidade acadêmica em uma experiência de integração com saberes tradicionais indígenas. A vivência ocorreu na aldeia Gerú Tucunã, no território de Felicina, em Açucena, com a presença de 19 participantes entre docentes, estudantes e representantes institucionais, conforme informações divulgadas pela própria instituição.

A visita institucional é coordenada pelo Comitê de Pastoralidade do Unileste, e a participação na festa resulta do fortalecimento de vínculos com a comunidade Pataxó. Entre os momentos vivenciados está a participação em um casamento tradicional indígena, que envolve etapas simbólicas como a preparação espiritual da noiva com outras mulheres da comunidade e rituais específicos realizados pelos homens. O ritual inclui a entrada do noivo carregando uma pedra nas costas, símbolo de força, resistência e responsabilidade com a nova família, acompanhada por cantos tradicionais e pela presença coletiva da comunidade.

Outro aspecto apresentado aos participantes é o trabalho de recuperação ambiental desenvolvido pela comunidade. A aldeia Gerú Tucunã conta com cerca de 90 hectares regenerados por meio do plantio de mais de 150 mil mudas nativas, além de aproximadamente 7 hectares de sistema agroflorestal que garante a subsistência das 29 famílias locais. A área integra atualmente o Parque Estadual do Rio Corrente e enfrenta desafios relacionados à regularização fundiária e à demarcação do território.

Durante a programação da XIV Festa Indígena Pataxó, estudantes e professores participam de atividades como degustação de alimentos típicos, rituais de oração, danças tradicionais, visita à feira de artesanato e rodas de conversa sobre a história do povo Pataxó na região. Também são abordados temas como a chegada dos indígenas ao território em 2010 e o processo de recuperação ambiental da área, anteriormente degradada. Os participantes realizam pinturas corporais com traços característicos da cultura Pataxó e conhecem a aldeia.

A vivência contribui para a formação acadêmica, social e cultural dos estudantes, ampliando a compreensão sobre diversidade, cidadania e sustentabilidade, além de possibilitar a aplicação prática de temas discutidos em sala de aula. Para o estudante de Medicina Veterinária, Marques André da Silva Costa, a experiência foi transformadora. “Foi um momento de reflexão que ampliou a forma como enxergo o nosso país, a nossa história e as diferentes culturas e vivências que muitas vezes passam despercebidas no dia a dia”.

Já a acadêmica Lara Costa Batista destaca a vivência. “Gostei muito de conhecer a cultura, como eles realizam os casamentos e como o amor e a fé são presentes ali. É interessante conhecer outras e conhecer um pouco sobre a história que forma nosso país”.

Para a educadora indígena Pataxó, Natália Braz, a presença de instituições como o Unileste fortalece a luta dos povos originários e amplia o conhecimento sobre sua história e realidade. “Abrimos a aldeia para a comunidade e para as escolas para que eles possam conhecer e levar a nossa história - como nós, povos indígenas, somos; como é o povo Pataxó. Para tirar a história equivocada de nosso povo”, afirma Natália.

Ela também aborda o papel das universidades na formação de cidadãos: “A importância do Unileste junto à comunidade só vem agregar à luta dos povos indígenas. A luta de levar o conhecimento sobre os povos originários e os desafios que enfrentamos hoje”.

Natália comenta ainda sobre a visão da sociedade acerca dos povos originários e seus costumes, enfatizando a importância de uma educação que desconstrua estigmas. “Quando as pessoas conhecem a verdadeira história, podem entender que não precisamos parar no tempo, estar igual em 1500. A presença da universidade traz o reconhecimento e o respeito pela cultura, leva a história até a nova geração e traz olhares diferenciados, percebendo como os povos indígenas têm cuidado do meio ambiente, que é o caso da aldeia Gerú Tucunã Pataxó”, explica.

A educadora também aborda o papel das instituições de ensino no acolhimento de causas de grupos minoritários para além dos povos indígenas. “Quando o Unileste e outras instituições abraçam a causa dos povos indígenas, também apoiam os povos tradicionais, como os quilombolas. Tornam-se um espaço de diálogo, de debate, de denúncia e de articulação política dessas pautas, o que traz protagonismo e auxilia no combate ao preconceito. É dentro das escolas que se formam novos cidadãos, e a gente espera que eles cresçam sem preconceito e conscientes de que o nosso país possui uma diversidade cultural que precisa ser respeitada e valorizada”.
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