27 de abril, de 2026 | 18:00
De horizontes lindos, jacuba e niver de Thaís...
Nena de Castro *
Dia, amados e resilientes leitores! Estive na capital no final de semana e da janela do apartamento em que estava, pude mais uma vez presentear minhas retinas fatigadas” com a vista dos prédios e montanhas do que Caetano chamou de Belíssimo horizonte”... Jamais me canso de ver aquelas silenciosas minervas” guardando preciosos e antigos tesouros das nossas Minas Gerais. A mineiridade, tão invejada por aí, que se mostra nas canções, nas broas deliciosas, nos pães de queijo que derretem na boca, no cafezim coado na hora, os queijos, o docim de leite e nas infindas delícias da nossa culinária e no nosso falar, eita sotaque charmoso, o nosso, uai!
Mas aí a Bugra tomou um ônibus circular e eis que um homem começou a conversar com um motorista que deixava o turno: dizia da dificuldade de arranjar novo trabalho, viera do Nordeste, trabalhara alguns meses na construção civil, mas aí a firma rescindira seu contrato e ele acabou virando morador de rua, agora estava trabalhando novamente.
Foi discorrendo sobre as dificuldades, e declarou: perto da puliça de lá, a daqui é muito mansa! E foi dando seus motivos e razões e euzinha fiquei abestada com suas explicações! Aí, ele diz sem mais nem menos: rapaz, mas o que eu gosto mesmo é de piroca, que saudade eu tenho das pirocas da minha terra! Meu pai gostava muito também! O motorista deu uma risada e aconselhou: quê isso rapaz, não fala besteira nessa altura, olha as senhoras e moças no ônibus, vai com calma!
O que? - indagou o homem - aqui em Minas vocês não comem piroca? Pois na minha terra a gente come todo dia, qual o espanto? Bem quentinha, é bom demais! É só misturar a farinha com açúcar e botar o café e comer com a colher, é bom demais!
O motorista, aliviado, falou: ih rapaz piroca aqui significa outra coisa, trate de se informar pra não dar mancada por aí! Rindo por dentro, eu quase falei: aqui em Minas essa mistura se chama jacuba (prato tradicional da culinária tropeira e caipira, geralmente feito com farinha de mandioca, água, açúcar ou rapadura, e às vezes café ou queijo), a gente tomava muito quando criança! Porém fiquei calada, sou uma velhinha de respeito e num vô entrá na conversa dozoto assim, quem sou eu pra mexê com a piroca alheia? Sarta!
Mas enfim quero contar que Thaís, filha do meu sobrinho Carlos Magno e da Cris, comemorou seus 10 aninhos recebendo os colegas de escola! Que coisa linda, os menininhos jogando bola ou todos brincando de Queimada, as menininhas cantando músicas no karaokê, que deliciosas risadas, que alegria! Pois na vida, as coisas simples são as melhores, essas serão as lembranças que brilharão na memória da Thata para sempre! Felipim, o irmãozinho, tinha os olhos encantados pela felicidade, a vida devia ser sempre assim! Na festa, aproveitei a presença do sobrinho Victor que ganhou bolsa em universidade norte-americana para jogar futebol e estudar Economia e lhe dei umas dicas sobre o que fazer se topar com o esTRUMPÍcio por lá! Arrá, querendo saber o que eu disse, né meus cinco curiosos leitores! Claro que só dei conselhos bons, of course! E nada mais digo.
* Escritora e Encantadora de Histórias
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