28 de abril, de 2026 | 07:25

Juventude e trabalho: oportunidade com proteção é o caminho

Christiane Azevedo Barros *


O Dia Internacional do Jovem Trabalhador, celebrado neste mês de abril, nos convida a refletir sobre um dos temas mais estratégicos para o desenvolvimento do país: a forma como nossos jovens estão sendo inseridos no mercado de trabalho. Mais do que ampliar oportunidades, é essencial garantir que essa entrada ocorra com proteção, direitos assegurados e em equilíbrio com a educação.

Para a Delegacia Sindical em Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS-MG/SINAIT), esse é um ponto central no debate sobre desenvolvimento social e econômico, já que a qualidade dessa inserção impacta diretamente o futuro da força de trabalho brasileira.

Dados recentes mostram avanços importantes, mas também reforçam a dimensão do desafio. Segundo o Painel de Informações da Aprendizagem, com base na RAIS e no Novo Caged, o número de jovens aprendizes no Brasil passou de 483.485 em dezembro de 2022 para 684.077 em janeiro de 2026, um crescimento de 41%. Em Minas Gerais, o aumento foi de 39% no mesmo período, saltando de 44.993 para 62.655 vínculos.

Apesar desse avanço, a DS-MG/SINAIT alerta que ainda é recorrente a entrada precoce e desprotegida de jovens no mercado de trabalho. Na prática, muitos ingressam em atividades informais, sem registro e sem qualquer tipo de proteção social. Essa realidade, frequentemente motivada por necessidades econômicas, expõe esses trabalhadores a jornadas inadequadas, baixos salários e ausência de direitos básicos, além de comprometer a continuidade dos estudos.


“O número de jovens aprendizes no Brasil passou de
483.485 em dezembro de 2022 para 684.077 em
janeiro de 2026, um crescimento de 41%”


Nesse contexto, a aprendizagem profissional se consolida como uma das principais ferramentas de proteção e inclusão, conforme destaca a DS-MG/SINAIT. Trata-se de um modelo que combina formação teórica e prática, com direitos garantidos e acompanhamento adequado, contribuindo não apenas para a inserção no mercado, mas também para a permanência do jovem na escola.

Outro desafio persistente para essa faixa etária é a dificuldade de conciliar trabalho e estudo. Muitos jovens ainda enfrentam uma escolha indevida entre gerar renda e permanecer na escola, o que compromete sua formação e reduz suas oportunidades futuras.

Além disso, não podemos ignorar o peso das desigualdades sociais e regionais. Em contextos de maior vulnerabilidade, a informalidade ainda aparece como única alternativa, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva e à qualificação profissional.

A proteção ao jovem trabalhador exige uma atuação integrada. A DS-MG/SINAIT defende que cabe ao Estado fiscalizar e promover políticas eficazes, às empresas cumprir a legislação, aos serviços nacionais de aprendizagem e às entidades formadoras compete a qualificação profissional, e à sociedade compreender que investir na juventude é investir no futuro do país.

* Auditora-Fiscal do Trabalho e representante da DS-MG/SINAIT

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